Trilhas Marcantes: Três Homens em Conflito (1966)

Sergio Leone mudou a forma de se fazer western com seus "bang bang spaghetti". Revelou Clint Eastwood para o mundo. Foi inspiração para vários diretores, incluindo Quentin Tarantino. Porém, alguem consegue imaginar seus filmes sem a música de Ennio Morricone?

Três Homens em Conflito tem o tema mais marcante do gênero e sempre que se imagina um pistoleiro solitário do velho oeste, o famoso assovio vem imediatamente à cabeça até de quem nunca assistiu ao filme.

Confira.

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Crítica: Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1

Introdução - A jornada

Desde o início da literatura mundial, as gerações são agraciadas com a saga de algum herói. Com o surgimento do cinema, novos meios de se contar histórias surgiram e, assim, novas maneiras de se relatar a trajetória de algum “escolhido”, “salvador”, “messias”. Nos últimos 30 anos, o nome do herói foi Luke Skywalker. Fazendo valer da fórmula de milênios, George Lucas criou a saga Star Wars e movimentou fãs do mundo todo com os ensinamentos do mestre Yoda e as lições que uma história assim pode trazer. Toda essa introdução foi pra dizer que isso pode ter mudado. Os jovens de hoje podem até conhecer a história do Cavaleiro Jedi, porém, o herói da nova geração que irá influenciar (e já influencia) escritores, roteiristas e diretores é Harry Potter.


Começou como uma história de fantasia como outra qualquer. O primeiro livro pode até ser considerado bobinho quando comparado com o que a autora J.K. Rowlig iria lançar nos anos seguintes. Se foi esperteza pra manter os leitores curiosos ou mero desenvolvimento da história, não faz diferença. O que importa é que conforme Potter crescia nos livros, seus fãs o acompanhavam. Fases da vida do pequeno bruxo se “confundem” com o que quem lia os livros estava passando, iria ou simplesmente já passara. A identificação é imediata. E assim, se criou um dos maiores fenômenos literários do começo do século 21.


Não foi surpresa alguma quando as adaptações para o cinema compartilhavam do mesmo sucesso e estrutura. Os dois primeiros filmes, A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta, de Chris Columbus, foram exemplos perfeitos de um filme família. Os personagens principais, Harry, Ron e Hermione sempre triunfavam contra um mal que não se podia tocar, mas todos sabiam estar pronto para o ataque. Lord Voldermort, o temível vilão que deixou Potter órfão e aterrorizou a comunidade bruxa não tinha como se materializar e era como uma sombra do passado que vez ou outra tentava atormentar a paz e o equilíbrio.


Então, tudo começou a mudar. A partir de O Prisioneiro de Azkaban, dirigido com muita competência e criatividade por Alfonso Cuarón, os três protagonistas começaram a crescer. Responsabilidades maiores começaram a surgir e, pela primeira vez, atos começam a ter consequências. O tom sombrio e o início do abandono dos temas musicais criados por John Williams para as produções anteriores marcam agora a evolução da cinessérie. No quarto filme, O Cálice de Fogo, o cineasta Mike Newell cria uma mescla do estilo aventuresco de Columbus com a mão mais européia de Cuarón, valorizando os sentimentos e as descobertas da recém chegada adolescência.


Surge no filme seguinte, A Ordem da Fênix, aquele cuja tarefa seria a mais difícil. David Yates recém-saído da TV, com seus documentários para a BBC, não parecia ser a escolha mais óbvia para dar continuidade à saga de Harry Potter. Sua estréia foi ingrata. Este é o livro que os fãs menos gostam por seu longo número de páginas que não levam à muita coisa a não ser a metáfora para o início das perdas a qual todos passam. Sua continuação mantém a mão de Yates, agora mais confiante em criar uma obra que seja mais cinema e menos literatura. O roteirista Steve Kloves também parece ter adquirido mais liberdade para inserir em O Enigma do Príncipe, cenas que não estão no livro, mas que funcionam dentro de um filme. Um bom exemplo é sua sequência de abertura, mostrando ataques dos Comensais da Morte, servos de Voldemort, agora, finalmente de volta e que não parece ter problemas em anunciar seu poder. No livro, um diálogo entre o primeiro-ministro britânico e o ministro da magia inicia a história, e a tensão entre ambos já ajuda a prever o tom que o sexto volume terá. Apesar de muito bem escrito, não funcionaria plenamente na tela grande. A cena de ação cumpre muito bem o seu papel.


A história agora passa a mostrar Potter lidando com perdas palpáveis. Entes queridos, seu mestre e a vida de outrora, que ele já desconfiava estar com os dias contados, se findam, e Harry finalmente adquire confiança e maturidade para se tornar o que todos esperam que se torne.


A saga finalmente teria um desfecho e, numa jogada de marketing que favorece a obra, a Warner, dona dos direitos do personagem, resolveu dividir o que seria o sétimo e último filme em duas produções. E é aí que David Yates finalmente mostra a que veio.


O começo do fim


As Relíquias da Morte é um filme incompleto. Ele não termina e uma análise agora pode até soar estranha. Porém, é de se comentar como o diretor se sai ao começar a cumprir sua tarefa. A primeira cena deste sétimo Harry Potter marca o tom. Em uma renião na mansão dos Malfoy, Lord Voldemort discute as novidades a respeito do crescimento do seu poder. Enquanto isso, uma bruxa maltrapilha e ensanguentada flutua, vítima do que parece ter sido uma tortura terrível. Logo se revela que a personagem é uma professora de Hogwarts que segundo o vilão, simpatiza e encoraja a união de bruxos com trouxas. Finalmente a história começa a lidar com preconceito, perseguição e com os fantasmas históricos britânicos, criados graças à Dama de Ferro, Margareth Thatcher. Impossível não sentir um nó na garganta, mais a frente no filme, quando no Ministério da Magia, agora controlado por Comensais, são impressos panfletos preconceituosos contra os “sangue-ruins”. É uma clara referência a obra de George Orwell, “1984”, escrita nos anos 40, muito antes de Thatcher, mas que já demonstra no povo do Velho Continente, um medo enorme de que toda aquela sisuda pompa se transformasse em um governo totalitário e alienador.


Voltando ao começo do filme, Potter precisa sair da casa de seus tios pois irá atingir a maioridade e a proteção de sua mãe irá cessar. Na sequência da fuga, a primeira baixa é de uma representatividade enorme. Edwiges, a coruja que acompanhou o bruxo em seus anos de Hogwarts, é morta por um dos seguidores de Voldemort. É Harry, vendo ir embora, a última ligação com sua infância. A vida adulta finalmente chegou e ela não é bonita.


Ao contrário do que se espera, agora a história mostra que tragédias existem, que amizades podem ser colocadas em dúvida e que as coisas dão errado quando você começa a caminhar com as próprias pernas. Mas nada é motivo para desistir. Essa mensagem fica muito clara, do início ao fim da projeção, com Harry sabendo que está seguindo para um missão suicida a cada novo plano, mas que sua posição como “O Escolhido” o impede de simplesmente desistir. Como Rony diz em determinado momento, não é ele que está em jogo, mas a sobrevivência da comunidade bruxa. Se ele falhar, tudo irá desmoronar.


Outra evolução clara representada em As Relíquias da Morte está na atuação do trio. Daniel Radcliffe teve seus dias de teatro e isso ajudou na composição de seu personagem. Emma Watson continua carismática, mas é Rupert Grint que cresce como ator. Embora ainda se faça valer de suas caras e bocas, Rony se vê, em alguns momentos em uma torrente de sentimentos, uma mistura de amor, ódio, inveja e raiva que poucos atores, incluindo mais velhos, conseguem representar. Aliás, falando em elenco, é notável a força dos coadjuvantes, sempre interpretados por grandes nomes, que trazem à série uma certa credibilidade.


A vantagem da divisão do sétimo livro em dois filmes fica evidente no cuidado que se teve ao adaptar a história. Pouquíssimas passagens foram alteradas ou removidas e, talvez, nenhum fã poderia esperar por uma adaptação tão fiel. O nível emocional da trama foi mantido tal qual em sua contraparte literária e só traz mais força ao filme, que graças a direção acertada de David Yates consegue algo que só O Prisioneiro de Azkaban havia alcançado até agora: ser mais do que uma simples transposição e se tornar uma obra cinematográfica de qualidade.


O diretor é muito feliz nos momentos em que não dizer nada, diz tudo. A sequência em que Harry tira Hermione para dançar, apenas para animar a amiga é de uma beleza singular. Talvez seja o melhor exemplo de como um momento imagético pode ser muito mais efetivo que 3 páginas de diálogo. Outras sutilezas na interpretação dos protagonistas são muito bem-vindas e a edição de As Relíquias da Morte é extremamente elegante, sem levar ao espectador mais tensão do que ele precisa para acompanhar os fatos. Intercalando cortes secos com transições em fade, o editor Mark Day consegue dar ao filme um ritmo muito próprio que se completa com a trilha de Alexandre Desplat, pesada, sombria e até minimalista, quando deve ser.


Outro aspecto da produção que merece destaque é a direção de fotografia de Eduardo Serra. Como desta vez a história não se concentra mais apenas em lugares fechados, o filme pedia uma alteração de paleta de cores e uma cinematografia até mais naturalista. As belas paisagens por onde Harry, Ron e Hermione se escondem são filmadas de forma realista, quase documental por Serra, português acostumado a filmes europeus, que já teve seus momentos em Hollywood com Corpo Fechado e Diamante de Sangue. Até por isso, evita as tomadas com câmera na mão, usando-as apenas em momentos de maior tensão. A maioria das sequências são filmadas sem pressa, com a câmera parada, e o melhor, fazendo o filme ter um ritmo diferenciado sem parecer lento. Mais um ponto positivo para a edição.


O maior problema de As Relíquias da Morte, no entanto, é não ter fim. A espera até a metade de 2011 será aterradora. Mas, se Yates acertou a mão até aqui, dificilmente cometerá algum erro na segunda parte, já que tudo foi gravado como se fosse uma obra só. Pelo menos pra uma coisa, não há dúvida. A juventude que passou os últimos 10 anos acompanhando a enorme aventura que foi a cinessérie Harry Potter já definiu o seu herói. E, apesar de ser bruxo e ter poderes mágicos, seja, talvez, o que enfrentou os maiores desafios que alguém pode enfrentar na vida, que não são ligados a derrotar um vilão terrível, mas sim a encarar responsabilidades, e perceber, como Harry, como a infância, às vezes tão apressada em acabar pra dar lugar à maioridade, pode parecer tão boa, quando comparada com as perdas e consequências da vida adulta.

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Crítica: Blu-Ray - Avatar - Edição Estendida de Colecionador

Avatar estreou no final de 2009 em meio a uma enorme expectativa. Depois de 12 anos sem dirigir um filme, conseguiria James Cameron, com toda sua pesquisa sobre cinema digital e 3D, revolucionar a indústria? É inegável o impacto que a história de Jake Sully e sua luta pra salvar o planeta Pandora teve nas salas de exibição tridimensional por todo o mundo. Um filme de tal importância e impacto merece um tratamento especial no Home Video. O lançamento em DVD e Blu-Ray de Avatar, ainda no primeiro semestre de 2010, movimentou a venda direta e arrecadou mais alguns milhões pros bolsos de Cameron e da Fox. Porém, fãs e colecionadores, embora tivessem o filme em mãos, ficaram um tanto decepcionados, pois não houve o esperado esmero em proporcionar horas de bastidores, cenas excluidas e tudo mais que uma produção assim pede. Lógico que era uma questão de tempo para o lançamento de uma Edição Especial. E, finalmente, neste mês chega as lojas um caprichado lançamento, com 3 versões diferentes do filme (no mesmo disco no caso do Blu-Ray e dividido em dois no DVD), além de incontáveis extras quem exploram todo o processo de produção de Avatar. Mas e ai? Valeu pela espera de quase 1 ano pra ter tudo isso em casa? Vamos conferir a seguir.

Embalagem

Quando se lança uma Edição de Colecionador, o mínimo que se espera da embalagem é que tenha um atrativo a mais para garantir seu lugar na estante. No caso de Avatar, a Fox no Brasil achou que uma mera luva de efeito metalizado solucionasse esse quesito. Enquanto a edição americana tem um tratamento diferenciado, por aqui, os três discos vem acomodados em uma embalagem Amaray sem nada demais. Se viesse num Digipak pelo menos teria algum diferencial. A luva que protege a embalagem é até bonita, mas de forma alguma está a altura do lançamento. Já é a segunda vez que a Raposa decepciona em menos de 1 mês. O primeiro caso foi com a Antologia Alien, também lançada em Blu-Ray. Apesar da Fox ter trazido a embalagem do Ovo, que já se esgotou de todas as lojas, a versão normal da coleção não trazia nem uma impressão diferente na luva. E o preço fez muitos fãs (incluindo este que vos escreve) preferirem importar os discos, que mesmo se fossem taxados saíriam mais baratos. Pra terminar, dentro do estojo, um panfleto indicando que Avatar estreia no Telecine no final do mês. Muito útil pra quem acabou de adquirir a versão estendida em alta definição, não é?

O Filme com mais 16 minutos

James Cameron é famoso por desenvolver tanto os personagens que extrapola a duração de suas produções. Foi assim com Aliens, O Segredo do Abismo e Exterminados do Futuro 2, todos relançados posteriormente com versões estendidas. Com Avatar não foi diferente e agora temos uma edição com 16 minutos a mais. Mas faz diferença? O bom é que sim, faz. Realmente, a maior parte das cenas cortadas e que agora foram inseridas serve para mostrar ao público certos detalhes sobre a história que ajudam a compreender as motivações de cada um. A nova abertura do filme, mostrando Jake Sully na Terra, talvez seja o melhor exemplo de como uma sequência pode contribuir na compreensão de todo o universo criado por Cameron. Porém sua ausência na versão que todos assistiram nos cinemas em nada interfere no entendimento da história. Acrescenta, mas sem fazer falta.

Estendido ou não, Avatar vale a pena ser redescoberto agora, sem a trucagem do 3D. Aliás, é assim que o filme se mantém. Se a história é boa, o espectador fica atento mesmo se o que está sendo projetado for uma animação em ASCII. E Avatar se sustenta sem precisar das três dimensões. A história tem uma profundidade enorme e a mensagem ecológica que o roteiro passa é mais do que pertinente. Então, sim, o mundo de Pandora é tão interessante agora quanto foi há um ano atrás, em que o público se sentiu compelido a colocar aqueles desconfortáveis óculos pra embarcar numa experiência cinematográfica vendida como única e que agora já não surpreende muita gente, pela extensa divulgação da tecnologia.

A Imagem

Ver Avatar em alta definição é a confirmação do porquê o Blu-Ray tem causado tanto estardalhaço. Cada detalhe da floresta, os póros e nuances de pele dos Na’Vi, as texturas impressionantes criadas por computação gráfica. Está tudo lá, da forma como James Cameron conceitualizou e, com a ajuda da Weta (a mesma empresa de efeitos especiais da trilogia Senhor dos Anéis), conseguiu criar. A imagem é cristalina e os que se incomodam com granulação de película não terão do que reclamar, já que todo o processo de captação do filme foi digital.

As sequências de voo são, de longe, as mais impressionantes pois mostram toda a profundidade que o diretor conseguiu dar ao mundo de Pandora . É indescritível reconhecer plantas e detalhes que estão lá no fundo da tela, com tanta nitidez. O nível de realismo empregado é tanto que a impressão é de que tudo aquilo é um documentário do Discovery Channel mostrando algum mundo recém-descoberto.

Tudo isso em único disco que, como contém 3 versões do filme, ainda sofre com a encodificação que ainda divide espaço com as faixas de áudio. Imagine Avatar sem compactação como deve ser. A imagem mantém a proporção mais próxima ao cinema IMAX, o que deve agradar quem gosta do filme preenchendo toda a tela da TV.

Som

A experiência cinematográfica de Avatar se completa com uma vibrante faixa de áudio em DTS HD, que segundo o menú, foi desenvolvida para dar ao espectador o mesmo nível de experiência de uma sala de cinema. Para quem depende de um sistema surround o disco também vem com uma faixa estéreo criada especialmente para lançamento.

Os detalhes do áudio são tão claros como os da imagem. Repare nas cenas mais movimentadas como cada barulho é perfeitamente audível e ajuda a transformar todo aquele mundo em algo muito próximo da realidade.

A trilha de James Horner, embora sofra com pouca criatividade (em vários momentos a música evoca trabalhos anteriores do compositor como Aliens, Star Trek II e até Titanic), se equilibra muito bem com os efeitos sonoros dos ambientes.

Extras

Se na embalagem o Blu-Ray de Avatar não é assim tão especial, pelo menos no conteúdo a Fox caprichou. Quem esperou para adquirir o filme com certeza vai se sentir recompensado.

Dos 3 discos da Edição Especial, dois são para os extras. Em um deles há 45 minutos de Cenas Excluídas, sem efeitos completados, mas servem para introduzi alguns elementos que ficaram de fora do corte final do filme, incluindo ai um relacionamento entre os personagens Trudy e Norm, e uma certa culpa de Parker, o executivo da mega-corporação de extração mineral que não se sente mais a vontade com o massacre dos Na’Vi. No mesmo disco ainda se encontra um making of de 90 minutos explorando desde o desenvolvimento do roteiro, há 12 anos, até a finalização dos efeitos. Vale a pena pra quem gosta de conhecer segredos de produção e bastidores. Os fãs de Lost vão gostar de ver o teste de personagens com Yunjin Kim, a Sun, fazendo a Neytiri. Ainda no Disco 2, uma seleção de arquivos de produção com o teste de elenco de Sam Worthington e de Zoe Saldana, o curta Brother Termite, que serviu de base para a evolução da captura de movimento, e testes de efeitos visuais.

No Disco 3, algumas cenas do filme foram desconstruídas, ou seja, há a opção de assiti-las na fase de captura de movimentos, na fase de visualização temporária dos personagens e na fase finalizada. É interessante pra entender os processos de produção de um filme dessa escala. Alguns featurettes complementam o making of do Disco 2, detalhando ainda mais certos aspectos de bastidores.

Por último, mas não menos importante, estão os arquivos de Avatar contendo a primeira versão do roteiro escrito por James Cameron e o texto final, ambos em inglês, além de várias imagens da equipe de Direção de Arte, com conceitos para o visual de personagens, veículos, cenários, vestuário e tudo que envolve esse departamento. É como se fosse um ArtBook de Avatar, a disposição do controle remoto.

A única coisa que realmente ficou faltando foi um comentário em áudio no disco do filme, mas, talvez, tudo que Cameron e sua equipe tinham pra comentar já esteja muito bem dividido em todos os vídeos dos Discos 2 e 3.

Avaliação final – Avatar – Edição Especial de Colecionador em Blu-Ray é um item que não pode faltar na sua estante. Seja você fanático pelo mundo de Pandora, ou simplesmente fã de cinema, essa é uma obra que vale a pena ter em casa, especialmente levando em conta a quantidade de extras. Apesar de uma embalagem que não faz jus ao nome “Edição de Colecionador”, a Fox caprichou no conteúdo, que no fim é muito mais importante para a maioria do público.

Obs.: Ainda que exista uma edição correspondente em DVD, procure fazer opção pela versão em Blu-Ray, mesmo sem ter o player. O preço sugerido para ambas é o mesmo, mas o DVD tem desvantagens como o filme estar dividido em dois discos e o número de extras ser menor. Além do mais, Avatar nasceu pra ser assistido em Alta Definição, então optar, como colecionador, pela edição em DVD é optar por um item “mutilado” que não corresponde a concepção original do filme, como obra cinematográfica.

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Crítica: RED - Aposentados e Perigosos

Filmes que contam com um elenco de peso sempre são interessantes. Geralmente esse tipo de produção reúne astros já consagrados em determinado gênero cinematográfico e os coloca em situações para que cada um se exiba no que sabe fazer melhor. O último exemplo desse tipo de empreitada foi Os Mercenários, de Sylvester Stallone. Em RED – Aposentados e Perigosos, a estrutura é um pouco diferente. No geral é um filme de Bruce Willis. Ação, uma trama não muito original (na verdade baseada em uma Graphic Novel de mesmo nome) e o ator, eterno Duro de Matar, fazendo suas caras de canastrão e soltando frases de efeito. Porém, o diretor Robert Schwentke conseguiu reunir pro elenco de apoio, nomes que trazem ao filme uma certa identidade.

Na história, Willis é um agente aposentado da CIA que de uma hora pra outra tem sua morte encomendada. Pra descobrir o que está acontecendo e conseguir se safar, recorre a antigos colegas de profissão e é aí que a diversão realmente começa. Morgan Freeman faz um agente bem mais velho, e que serve como uma espécie de mentor de Willis. John Malkovich está impagável como o alucinado Marvin Boggs, paranoico ex-espião que carrega consigo um porquinho rosa de pelúcia. Helen Mirren, foge de seu habitual papel de Rainha da Inglaterra pra encarnar uma ex-assassina, com direito a rifle e sub-metralhadoras. Brian Cox é um ex-agente russo que agora está designado a um cargo burocrático na embaixada e sente falta de seus dias de ação. E há ainda a agradável presença de Ernest Borgnine, no auge dos seus 93 anos, fazendo uma ponta divertidíssima. Como vilão temos o, infelizmente sumido das telas, Richard Dreyfuss.

Com tantos nomes, fica realmente difícil avaliar RED por sua história. Cada um dos personagens tem seu momento e são por essas participações que o filme realmente vale a pena. A trama é bem batida e mesmo as situações não são novas. Por exemplo, na invasão ao prédio da CIA a fuga é feita exatamente da mesma forma que na invasão ao mesmo lugar no primeiro Missão:Impossível, de Brian De Palma. A inverossimilhança também pode gerar estranheza. Por mais que seja baseado em uma história em quadrinhos, o filme exagera na dose, principalmente por não saber equilibrar a fantasia da realidade. Em Kick-Ass, outra adaptação de quadrinhos que estreou em 2010, não questiona-se quando um personagem faz algo impossível, pois desde o começo do filme, a fantasia fica muito bem marcada. No caso de RED, enquanto no começo o personagem de Willis é apenas um bem treinado agente, no decorrer da história ele se transforma em um Super-Homem, ao sair de um carro em movimento, andando, sem ao menos levar um tropeço.

No fim, este é só mais um filme de ação, uma boa ideia que só não foi totalmente desperdiçada pela capacidade do elenco de segurar uma história, por mais fraca que seja, apenas pelo seu carisma.

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Nota: A Graphic Novel RED estará disponível neste mês de novembro em bancas e lojas especializadas de todo o país. A Panini Comics resolveu lançar e aproveitar um pouco o barulho deixado pelo filme. O preço é de 7,90.

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Crítica: Scott Pilgrim Contra o Mundo

Scott Pilgrim Contra o Mundo estreia timidamente nos cinemas brasileiros neste final de semana. Infelizmente, poucos terão a chance de ver esse filme nas telonas mas seu público-alvo provavelmente já o assistiu graças aos torrents. Scott Pilgrim é baseado em uma Graphic Novel e conta a história do personagem-titulo e o desafio de ter que lutar com os 7 ex-namorados do mal de Ramona Flowers, a garota por quem ele se encontra apaixonado. É a resposta pra quem acha que quadrinhos só servem pra contar histórias de super-herói. Ok, as lutas coreografadas e cheia de efeitos estão lá, mas exageradamente (e isso é um elogio) baseadas em videogames, com direito até a “vidas extras” e bandidos virando moedas quando derrotados.


A produção, dirigida por Edgar Wright, é uma salada visual, recheada com muita referência pop. Uma metáfora de 110 minutos sobre relacionamentos, auto-estima e tudo mais. Tudo feito de forma nada piegas e as vezes até “cute”. Ou ainda, um romance “kitsch”, mas numa concepção não-depreciativa da palavra. Porém, se você tiver um pouco mais de 25 anos e um pouco menos de 17, corre o risco de achar Scott Pilgrim um tédio. Mas não se engane. O roteiro é inteligente, a execução é “cool” e o filme é um bom exemplo de como chamar atenção de uma geração acostumada a ser bombardeada por informação. Algumas cenas, inclusive, parecem ter sido feitas pensando no DVD, ou seja, na vantagem de pausar um filme, tamanha é a quantidade de elementos em cena que fazem parte da história e exigem a atenção do espectador pra compreensão do desenvolvimento dos personagens.


Talvez por ser o filme com o público-alvo mais definido lançado nos últimos tempos (nerds e geeks saindo da adolescência e acostumados com a cultura indie), não tenha alcançado o sucesso esperado pelo estúdio e muito menos o merecido. Divulgação parca por parte dos distribuidores também é um fator a ser levado em consideração. Mas, pode haver aí outra explicação. Talvez a geração com a qual Scott Pilgrim tenta se comunicar esteja passando por modificações tão rápidas quanto um SMS e suas referências já não pareçam assim tão interessantes quanto na época que a HQ foi lançada, “longos” 6 anos. De qualquer forma, é uma bela surpresa pra quem já se encontra farto de ver histórias de amor no cinema retratadas com a artificialidade de Crepúsculos e derivados. O tema é batido, mas a execução é, se não original (Speed Racer,Kick-Ass, alguém?), pelo menos muito mais interessante.


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