Crítica: Ultimato Bourne

Em um ano com o encerramento insatisfatório de várias trilogias (Piratas do Caribe, Homem-Aranha...), surge uma grata surpresa. Ultimato Bourne, terceiro e (sabe Deus até quando) último filme da franquia iniciada em 2002, consegue o feito de ser superior a seus dois predecessores. E isso não é pouca coisa.

Quando chegou aos cinemas, Identidade Bourne deu a Matt Damon status de herói de ação, além de ter revolucionado um gênero meio em baixa, o de filmes de espionagem. O diretor Doug Liman trouxe, em Identidade..., uma maneira dinâmica de tratar histórias de conspiração internacional. Sua continuação veio em 2004, sob a batuta de Paul Greengrass, um diretor que elevou a fórmula do primeiro filme ao cubo. Muito mais estiloso que Liman, Greengrass é também o responsável por Ultimato..., que fecha a saga com chave de ouro.

O filme começa onde parou o segundo, e a maneira que as duas produções são interligadas é extremamente inteligente. Bourne ainda busca por respostas sobre seu passado e é atormentado por, cada vez mais constantes, perturbadores flashes de seu treinamento. A jornada pela verdade passa por inúmeras cidades na Europa, além de Tânger, no Marrocos, até finalmente o personagem "voltar pra casa", os Estados Unidos. E, assim como nos anteriores, a terra do Tio Sam está longe de ser a salvadora do dia.

É o que diferencia Bourne de outro agente secreto. James Bond. Enquanto 007 é a representação máxima dos costumes ocidentais, Bourne é vítima da paranóia americana de policiar o mundo. Não que a franquia Bond não tenha seus méritos. Tem, e muitos, um deles, ser entretenimento de alta qualidade. Porém, Bourne é moderno, encaixado no mundo atual. Tanto que o reset de 007, Cassino Royale, é fruto do sucesso do agente interpretado por Matt Damon.

O ator, por sinal, é um dos fatores responsáveis pelo desempenho favorável da franquia. Damon interpreta de forma impecável, o desmemoriado agente. Parece ter nascido para o papel. Além dele, ainda estão presentes os competentes David Strathaim, Joan Allen e Albert Finney. Mas, com certeza, o que chama atenção em Ultimato... é a direção segura de Paul Greengrass. Sua opção pela câmera de mão, inquieta a todo momento, traz ao filme um ritmo singular. O diretor filma como ninguém uma perseguição de carros. Sério, não dá pra comparar as cenas do estilo com nenhum outro filme recente. A fotografia também é um deleite, graças a Oliver Wood, responsável pelos três filmes.

E as sequências de ação estão mais presentes, contribuindo ainda mais para o dinamismo do filme.

Apesar da trilogia Bourne no cinema não ter nada em comum com suas contrapartes literárias, os Best-Sellers de Robert Ludlum, ela pode ser considerada uma das melhores séries de filmes dos últimos anos. Apenas Senhor dos Anéis e a série Onze Homens (que agora são treze) e Um Segredo conseguiram a proeza de ter continuações no mesmo padrão dos filmes originais. Bourne entra agora para um seleto grupo de filmes em que os fãs esperam pela oportunidade de uma continuação. Mesmo com o final enxuto, Hollywood sempre dá um jeito de continuar uma franquia. Só podemos esperar que, se houverem mais, os próximos sejam tão bons quanto os originais.

Continua...
 
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