Especial Indiana Jones

Origem

George Lucas estava contando o dinheiro ganho com Star Wars e Steven Spielberg respirava aliviado depois de Contatos Imediatos do Terceiro Grau ter sido um enorme sucesso. Os dois estavam em Maui de férias, quando Spielberg contou a Lucas seu desejo de dirigir um filme de James Bond. O gordinho, que não era bobo nem nada e sabia (e ainda sabe) vender seu peixe como ninguém disse que tinha na gaveta um projeto “ainda melhor”. Uma aventura baseada nos antigos seriados dos anos 30 e 40, sobre um arqueólogo caçador de tesouros.


Tudo começou na verdade em 1973, quando Lucas escrevera o roteiro de The Adventures of Indiana Smith. Junto com Philip Kaufman, foi criado o conceito que, semelhante a Star Wars, homenageava os seriados que faziam a alegria nas matinês. O projeto ficou parado, já que a saga espacial parecia ser muito mais importante. De qualquer forma, sem o sucesso de Luke Skywalker e cia., o diretor nunca teria conseguido vender a idéia a um grande estúdio.


Quando se uniu a Spielberg, era a chance de tudo se tornar realidade. Com um diretor com a bagagem de Steven, George podia respirar tranquilo. Ou não. Na verdade, houve divergências entre os dois. No conceito original, Indiana era mais um playboy do que um arqueólogo e se assemelhava muito ao 007 que o diretor de Tubarão tanto queria. Porém, Spielberg achava que o personagem era perfeito com sua vida dupla: a de professor universitário e a de arqueólogo aventureiro. Acabou vingando mais essa última idéia.


A primeira escolha para viver Indiana foi Harrison Ford mas como o ator já havia trabalhado em Star Wars, George Lucas não o queria associado a seus filmes. Sugeriu então a Spielberg que procurasse outro astro. Apareceu o nome de Tom Selleck. Isso mesmo, já imaginou Indiana Jones de bigode? Aliás, Indiana Smith, ainda. Mas, por causa de seu compromisso com o seriado Magnum, Selleck teve de desistir e o papel caiu mesmo no colo de Ford.


Como dito acima, o nome do personagem ainda era Smith, até Spielberg dizer que esse não seria um bom sobrenome: Smith é uma espécie de Silva nos EUA, muito comum (nada contra os Silvas :P). Então, ainda na época em que dava bons nomes a suas criações (assistam a trilogia recente de Star Wars com som original e vocês irão entender), Lucas sugeriu Jones. Pegou. Agora só faltava a produção decolar.


A trilogia e além

Em 1981 chegava aos cinemas Os Caçadores da Arca Perdida. Situado em 1936, o filme mostra Indiana Jones indo atrás da Arca da Aliança, onde estariam as tábuas dos 10 mandamentos. O problema é que Indy não está sozinho nessa e nazistas também a perseguem, já que, segundo a lenda, a Arca traria poder para quem a detivesse. Nesta primeira produção já ficam estipuladas praticamente todas as marcas do herói. A sua habilidade com chicote e armas de fogo, seu medo de cobras, seu sarcasmo e sua maneira nada politicamente correta de tratar as mulheres. Em determinados momentos, o arqueólogo chega a ser mais machista que James Bond. Mas e daí? O filme capta com perfeição como a mulher era vista na época em que se passa e como era mostrada nos filmes do mesmo período. Outra marca registrada é o tema musical, Raiders March, brilhantemente composta por John Williams. Os Caçadores tinha, na época de seu lançamento, a mesma aura de otimismo e inocência que Star Wars trouxe de volta ao cinema, quatro anos antes. Era a volta das grandes aventuras.

Com o sucesso, uma continuação era inevitável. Indiana Jones e o Templo da Perdição saiu em 84, e é na verdade uma prequel: se passa antes do filme original, em 1935. Recém saído de um divórcio, Lucas escreveu um filme muito mais sombrio e violento, voltado para um estilo que chegava próximo ao terror. Desta vez Indy cai na India (literalmente), depois de uma aventura na China (em que aparece de smoking, numa clara homenagem a 007). Lá ele vai parar em um reino em que são feitos todos os tipos de crueldade com os nativos. A idéia do roteiro mais uma vez partiu de George Lucas, mas desta vez os vilões não seriam os nazistas: uma seita sobrenatural parecia ao produtor uma opção mais aceitável para que a continuação não ficasse com cara de “mais do mesmo”. Uma curiosidade: por causa das cenas fortes do filme, Spielberg sugeriu à MPAA que criasse uma nova classificação etária que ficasse entre o adulto e o jovem, não espantando assim o seu alvo. Surge então o PG-13, que hoje virou sinônimo de divergências entre estúdios e diretores. Cabe uma explicação: como essa classificação abrange dois grupos distintos, a maioria dos executivos a querem em seus blockbusters,tirando o controle da mão de quem realmente faz os filmes. O problema é que um PG-13 nos anos 80 era muito mais forte que um R (adulto) de hoje.


Indiana Jones e a Última Cruzada é o resultado de uma promessa de Spielberg a Lucas: a de que ele fecharia a trilogia começada em 81. O filme saiu em 1989 com uma adição ao elenco: Sean Connery como Henry Jones, o pai de Indiana. Nada mais justo ter James Bond nesse papel, na opinião do próprio diretor. O roteiro mostra Indy seguindo os passos do pai, desaparecido quando tentava encontrar o Cálice Sagrado. No meio disso, adivinhem quem também queria beber da taça de Cristo e ter vida eterna? Sim, os vilões preferidos de Spielberg, os nazistas. Se Caçadores da Arca Perdida introduz as marcas de Indy, A Última Cruzada conta suas origens, começando a película com um flashback que mostra até como o aventureiro ganhou sua cicatriz no queixo, marca registrada de Harrison Ford e não de Jones (só isso já dava uma tese de mestrado: quando termina o ator e quando começa o personagem). No flashback, River Phoenix interpreta o jovem que um dia seria o arqueólogo mais famoso do mundo. E se O Templo da Perdição ficou marcado por seu clima pesado, o terceiro filme é o mais leve e engraçado. A química entre Connery e Ford é responsável por momentos hilários que fazem de A Última Cruzada uma aventura para todas as idades. O fechamento perfeito para uma trilogia de sucesso.


Mas, mesmo assim, os fãs pediam mais. Foram 20 anos de espera e agora finalmente o tema de John Williams irá tocar no cinema uma vez mais. O chicote irá de novo proteger o herói de seus inimigos. Sua inteligência irá novamente o tirar de situações que fazem inveja ao McGuyver. E seu medo de cobras e seu jeito canastrão irão tirar gargalhadas de espectadores do mundo todo, novos ou antigos, daqueles que irão matar a saudade ou que vão conhecê-lo agora, pela primeira vez na tela grande. Longa vida à Indiana Jones e ao bom cinema de entretenimento.

Para saber mais

Confira abaixo alguns links e saiba mais sobre as lendas e histórias que inspiraram os 4 filmes de Indy.

A Arca Da Aliança
(matéria do portal G1)

Os Thugees, vilões de Indiana Jones e o Templo da Perdição
(matéria do portal G1)

A lenda do Graal
(Wikipedia)

As 13 Caveiras de Cristal
(Portal Orlando Sentinel - em inglês)

Para mais dados sobre Indiana Jones confira os sites TheRaider.net e IndianaJones.com

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Continua...
 
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