Peter Jackson e Guillermo del Toro falam sobre O Hobbit

Fonte: Omelete

Cerca de 6 mil fãs de O Senhor dos Anéis participaram ontem de um chat com o produtor Peter Jackson e o diretor Guillermo del Toro, responsáveis pela adaptação de O Hobbit em dois longas-metragens (dos quais também servem como co-roteiristas ao lado de Fran Walsh e Philippa Bowens).

Jackson estava na sua Nova Zelândia natal, que mais uma vez servirá como a Terra-média, enquanto del Toro falou de Londres. Vinte questões, as mais populares e importantes, foram respondidas pela dupla. Confira abaixo os melhores momentos da conversa.

Jackson e del Toro exaltaram que alguns dos cenários do primeiro filme devem reaparecer, como o Condado dos Hobbits. "Já estamos negociando com o dono da propriedade que foi usada na trilogia O Senhor dos Anéis para reconstruir a vila dos hobbits por lá", disse o produtor e diretor dos três primeiros filmes. Quem também está confirmado pra voltar é o compositor Howard Shore. "Ele é a voz desses filmes e vai voltar", garantiu del Toro.

Não há certeza ainda do retorno de Ian Holm como Bilbo Bolseiro. "O fato é que Ian Holm foi MUITO memorável no filme, então os produtores da Trilogia fizeram seu trabalho direito. Nós devemos utilizá-lo de alguma maneira, com certeza, mas a dificuldade do papel será melhor analisada depois que o roteiro estiver pronto", seguiu del Toro. Ou seja, é provável que veremos o velho Bilbo em algum tipo de cena do futuro, ou no segundo filme, mas sua versão mais jovem deve ser interpretada por outra pessoa.

O diretor falou ainda sobre os elementos de horror e suspense, seus preferidos, nos dois filmes baseados na obra de J.R.R. Tolkien. "Eu espero que a floresta de Mirkwood [que pode ou não contar com uma aparição de Legolas] possa ser bastante assustadora, mas não de uma maneira gráfica. Além disso, espero que as Charadas no Escuro [momento clássico do livro] também tenham elementos de medo e suspense e sejam profundamente atmosféricas. E Smaug deve ser todo choque e fascínio quando lançar seu ódio. Será muito intenso, mas sem nojeiras", afinal, eles buscam uma censura 13 anos, como os primeiros filmes. Quanto ao dublador do dragão, del Toro disse já ter boas idéias, mas não abre o jogo sobre quem está pensando para o papel. Só garante que não será Ron Perlman (com quem trabalhou em Hellboy e Blade II), mas que tem um espaço para o ator no filme.

Sobre Gandalf, o Cinzento, Jackson e del Toro disseram que adoram o personagem e que ele será empregado igualzinho aos livros: Aparecendo e sumindo conforme acha necessário. E que esses "sumiços" geram ótimas lacunas narrativas que podem ser explorados no segundo filme. Ah, e mais uma vez dão como certa a volta de sir Ian McKellen ao papel. Os membros do Conselho Branco também pode dar as caras nos filmes, "mas ainda é cedo pra ter certeza. Estamos pensando a respeito", disse Jackson. Já sobre o preferido dos fãs, Gollum, ele certamente estará no primeiro filme - assim como seu intérprete, Andy Serkis - e pode aparecer no segundo. "Afinal, como todo mundo sabe, ele tem um arco fascinante de história, sua aliança com Laracna, sua prisão em Thranduil, etc. Mas ainda é cedo pra discutirmos isso", comenta del Toro, que diz, para o deleite dos fãs do original, adorar o personagem Beorn e também Tom Bombadil - que foi cortado da trilogia original.

A respeito da filmagem, o cineasta diz ainda que está pensando se o filme deve ser rodado ou não em 3-D. "É muito cedo e não há planos nesse sentido no momento". A única certeza é que os dois filmes serão rodados simultaneamente, em película (não digital e no mesmo formato que os três existentes), ao longo de um ano, com um pequeno intervalo para descanso e para reconstruir alguns sets. "Vamos aproveitar cada set para cenas no filme um e no filme dois ao mesmo tempo", disse o produtor.

Peter Jackson aproveitou para dizer os motivos da contratação de del Toro: "Ele respeita a fantasia. Ele a entende e não tem medo dela. Guillermo também entende personagens e como o poder de qualquer filme está intimamente relacionado à empatia que temos com eles. Ele também tem confiança total em trabalhar com design e efeitos visuais. E é, como a nossa equipe, desprovido de ego".

Para a equipe do filme, basicamente boa parte das pessoas que trabalharam nos primeiros longas estarão de volta. "A idéia em todos os aspectos do filme é manter-se o mais fiel possível aos outros", disse o diretor. O retorno dos desenhistas conceituais Alan Lee e John Howe, por exemplo, é prova dessa intenção.

A seleção de elenco para os personagens que não estavam na Trilogia do Anel, como os treze anões ("pretendo usá-los todos!"), segundo del Toro, ainda não começou. "Mas algumas pessoas já nos procuraram", completou Jackson. Os testes devem começar apenas em alguns meses, quando o roteiro estará pronto. "Neste ponto, obviamente, o segundo filme ainda está sendo pensado - mas, sem a menor dúvida, com relação aos atores que já originaram papéis nos primeiros filmes, todos serão chamados para reprisar seus personagens. Contratar outra pessoa só será cogitado em casos de problemas de saúde, se eles não estiverem disponíveis ou se não quiserem participar", garante o diretor.

Quanto ao tom do filme, tanto Guillermo del Toro como Peter Jackson acreditam que ele deve ser mais leve que seus antecessores, como o livro, já que ele vai refletir a era em que foi criado. Porém, esse tom deve mudar gradualmente, através de paleta de cores, estilo de câmera, escolhas de textura, etc., conforme a narrativa progride em direção à Trilogia do Anel.

"A Terra-média precisa ser a mesma, assim como o estilo da música, a escala, o design consagrado... mas eu adoraria levar alguns novos sabores a esse mundo. O Hobbit é, em essência, a abertura de uma sinfonia épica na qual temas principais são reprisados, mas novas modulações e cores são introduzidas, temática e texturalmente", concluiu o diretor sobre o assunto.

Outra certeza é equilíbrio entre computação gráfica e efeitos especiais de verdade, como prostéticos e bonecos, uma das especialidades de del Toro. "Minha intenção é misturá-los de forma que o olho não perceba a diferença. Aprendi isso na prática, que as duas ferramentas precisam andar juntas para criar ambientes e criaturas que pareçam vivas. A WETA será a equipe principal, mas ampliaremos o time de criaturas e maquiagem. Para o resultado, imagine criaturas com sistema de músculos faciais controlados por rádio e computação gráfica em determinado ponto da cabeça ou boca e você entenderá o que estou falando..."

E por falar em criaturas, o diretor disse que os Wargs, aquelas montarias dos Orcs em As Duas Torres, serão redesenhados para ficarem mais parecidos com os bichos que Tolkien descreve em seu livro. Outra criatura importante é o já citado Smaug, o Dragão, e sobre ele del Toro não poupou palavras: "Sou um grande fã de dragões e meus dragões favoritos do cinema são os de O Dragão e o Feiticeiro (Dragonslayer), um triunfo de elegância e design. Todos copiaram eles a partir desse filme. Eu planejo criar algo que não seja 'aquele dragão no filme do Hobbit', mas O DRAGÃO. Smaug merece ser o melhor de todos, do passado ou futuro. Mas antes disso, Smaug, o personagem, deve ser mais importante que seu design, com sua magnífica arrogância, inteligência, sofisticação e ganância. [...] Mas Dragões falantes são difíceis - as pessoas tendem a fazê-los com bocas que falam como as nossas - e acho meio estranho. Uma coisa que gosto de Eragon é o jeito como o filme resolveu isso, com o elo psíquico. Pra mim, Smaug é o exemplo perfeito de uma criatura poderosa, definida por seu visual e design, sim, mas também por seu movimento e - olha aqui uma dica - seu ambiente. Não vou falar mais pra não estragar algo que ainda vai levar uns anos pra ficar pronto, mas posso dizer que isso é uma das coisas que mais me empolgam no filme".

Sobre a adaptação do texto, del Toro disse que eles tentarão preservar as idiosincrasias do romance, mesmo as mais "infilmáveis", e fazê-las caber em apenas um filme. "Você pode tratar um clássico como peça de museu ou tentar transformá-lo em algo vivo, que respira e se desdobra aqui e agora", diz. Mas se O Hobbit ficará basicamente restrito ao primeiro filme, o que haverá no segundo?

"A idéia é encontrar uma maneira interessante e empolgante de ligar O Hobbit e A Sociedade do Anel e ampliar visualmente os cinco filmes dentro desse universo. Há omissões e material suficiente em toda a obra criada por Tolkien e licenciada a nós para que tentemos isso. Mas o acordo que temos é que o segundo filme seja suficientemente relevante e emocionalmente forte para que seja trazido à vida - e que O Hobbit seja contido em apenas um", seguiu o diretor. "Eu estou muito empolgado com essa idéia. Ela nos dá uma liberdade que não tivemos até agora. Tem muita coisa pra contarmos nos 60 anos que separam um filme do outro [...] E vamos semear sutilmente algumas sementes disso no primeiro", comenta Peter Jackson.

Enfim, del Toro usou todo o final do chat para explicar os motivos de ter aceitado o projeto, já que declarou mais de uma vez no passado, não gostar do gênero "espadas e feitiçaria". "De toda a obra de Tolkien, eu só conhecia de verdade O Hobbit. Eu o comprei quando tinha 11 anos e ele imediatamente me cativou. Naquela época, O Senhor dos Anéis e Silmarillion (que eu acho dispensável hoje), não fizeram a minha cabeça. Achei complicados demais. Eu sonhei com Mirkwood e Smaug durante eras (na verdade, um dragão bem parecido com ele quase entrou em O Labirinto do Fauno) e nunca imaginei que um dia pudesse dirigir um filme de O Hobbit, já que Peter havia realizado a trilogia. Assim, quando ele me perguntou se eu queria levei 5 segundos pra dizer 'sim'. Eu sou conhecido na indústria como um cara muito mais interessado em projetos próprios do que alguém que aceita projetos gigantes dos outros. Durante décadas recusei incontáveis filmes, mas este é um privilégio fantástico e eu aceitei imediatamente", disse, explicando a seguir que seu desdém pela literatura de fantasia se restringe à grande maioria das obras dentro de universos fantásticos, "as tantas Trilogias ou Crônicas que surgem todos os dias", mas que Tolkien e C.S. Lewis (Nárnia) são exceções por serem absolutamente genuínos. "E aqui estou, lendo feito um lunático pra entender toda essa terra, esse continente - um universo criado por um filologista transformado em Xamã".

Peter Jackson, pra completar, explicou os porquês de não ter retornado à cadeira de diretor: "A idéia de passar os próximos cinco anos da minha vida competindo com meus filmes anteriores me pareceu nada satisfatória. No entanto, eu amo Tolkien e não suportaria ver outra pessoa fazendo esses filmes sem meu envolvimento. Assim, atuar como produtor e roteirista me pareceu perfeito. Acreditem, eu pensei muito a respeito e o que estamos fazendo aqui resultará em filmes ainda melhores. Eu prometo!" O cineasta disse ainda que está trabalhando em versões blu-ray de O Senhor dos Anéis, mas disse que elas devem demorar.

O texto original do chat pode ser lido aqui. Diferente do que havia sido informado anteriormente pelo estúdio, o roteiro será trabalhado até o fim de 2008. 2009 será dedicado à pré-produção. 2010 terá as filmagens simultâneas dos dois filmes e os lançamentos estão marcados para dezembro de 2011 (O Hobbit) e dezembro de 2012 (o segundo filme, ainda sem título).

Continua...
 
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