Crítica: Scott Pilgrim Contra o Mundo

Scott Pilgrim Contra o Mundo estreia timidamente nos cinemas brasileiros neste final de semana. Infelizmente, poucos terão a chance de ver esse filme nas telonas mas seu público-alvo provavelmente já o assistiu graças aos torrents. Scott Pilgrim é baseado em uma Graphic Novel e conta a história do personagem-titulo e o desafio de ter que lutar com os 7 ex-namorados do mal de Ramona Flowers, a garota por quem ele se encontra apaixonado. É a resposta pra quem acha que quadrinhos só servem pra contar histórias de super-herói. Ok, as lutas coreografadas e cheia de efeitos estão lá, mas exageradamente (e isso é um elogio) baseadas em videogames, com direito até a “vidas extras” e bandidos virando moedas quando derrotados.


A produção, dirigida por Edgar Wright, é uma salada visual, recheada com muita referência pop. Uma metáfora de 110 minutos sobre relacionamentos, auto-estima e tudo mais. Tudo feito de forma nada piegas e as vezes até “cute”. Ou ainda, um romance “kitsch”, mas numa concepção não-depreciativa da palavra. Porém, se você tiver um pouco mais de 25 anos e um pouco menos de 17, corre o risco de achar Scott Pilgrim um tédio. Mas não se engane. O roteiro é inteligente, a execução é “cool” e o filme é um bom exemplo de como chamar atenção de uma geração acostumada a ser bombardeada por informação. Algumas cenas, inclusive, parecem ter sido feitas pensando no DVD, ou seja, na vantagem de pausar um filme, tamanha é a quantidade de elementos em cena que fazem parte da história e exigem a atenção do espectador pra compreensão do desenvolvimento dos personagens.


Talvez por ser o filme com o público-alvo mais definido lançado nos últimos tempos (nerds e geeks saindo da adolescência e acostumados com a cultura indie), não tenha alcançado o sucesso esperado pelo estúdio e muito menos o merecido. Divulgação parca por parte dos distribuidores também é um fator a ser levado em consideração. Mas, pode haver aí outra explicação. Talvez a geração com a qual Scott Pilgrim tenta se comunicar esteja passando por modificações tão rápidas quanto um SMS e suas referências já não pareçam assim tão interessantes quanto na época que a HQ foi lançada, “longos” 6 anos. De qualquer forma, é uma bela surpresa pra quem já se encontra farto de ver histórias de amor no cinema retratadas com a artificialidade de Crepúsculos e derivados. O tema é batido, mas a execução é, se não original (Speed Racer,Kick-Ass, alguém?), pelo menos muito mais interessante.


Continua...
 
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