Crítica: RED - Aposentados e Perigosos

Filmes que contam com um elenco de peso sempre são interessantes. Geralmente esse tipo de produção reúne astros já consagrados em determinado gênero cinematográfico e os coloca em situações para que cada um se exiba no que sabe fazer melhor. O último exemplo desse tipo de empreitada foi Os Mercenários, de Sylvester Stallone. Em RED – Aposentados e Perigosos, a estrutura é um pouco diferente. No geral é um filme de Bruce Willis. Ação, uma trama não muito original (na verdade baseada em uma Graphic Novel de mesmo nome) e o ator, eterno Duro de Matar, fazendo suas caras de canastrão e soltando frases de efeito. Porém, o diretor Robert Schwentke conseguiu reunir pro elenco de apoio, nomes que trazem ao filme uma certa identidade.

Na história, Willis é um agente aposentado da CIA que de uma hora pra outra tem sua morte encomendada. Pra descobrir o que está acontecendo e conseguir se safar, recorre a antigos colegas de profissão e é aí que a diversão realmente começa. Morgan Freeman faz um agente bem mais velho, e que serve como uma espécie de mentor de Willis. John Malkovich está impagável como o alucinado Marvin Boggs, paranoico ex-espião que carrega consigo um porquinho rosa de pelúcia. Helen Mirren, foge de seu habitual papel de Rainha da Inglaterra pra encarnar uma ex-assassina, com direito a rifle e sub-metralhadoras. Brian Cox é um ex-agente russo que agora está designado a um cargo burocrático na embaixada e sente falta de seus dias de ação. E há ainda a agradável presença de Ernest Borgnine, no auge dos seus 93 anos, fazendo uma ponta divertidíssima. Como vilão temos o, infelizmente sumido das telas, Richard Dreyfuss.

Com tantos nomes, fica realmente difícil avaliar RED por sua história. Cada um dos personagens tem seu momento e são por essas participações que o filme realmente vale a pena. A trama é bem batida e mesmo as situações não são novas. Por exemplo, na invasão ao prédio da CIA a fuga é feita exatamente da mesma forma que na invasão ao mesmo lugar no primeiro Missão:Impossível, de Brian De Palma. A inverossimilhança também pode gerar estranheza. Por mais que seja baseado em uma história em quadrinhos, o filme exagera na dose, principalmente por não saber equilibrar a fantasia da realidade. Em Kick-Ass, outra adaptação de quadrinhos que estreou em 2010, não questiona-se quando um personagem faz algo impossível, pois desde o começo do filme, a fantasia fica muito bem marcada. No caso de RED, enquanto no começo o personagem de Willis é apenas um bem treinado agente, no decorrer da história ele se transforma em um Super-Homem, ao sair de um carro em movimento, andando, sem ao menos levar um tropeço.

No fim, este é só mais um filme de ação, uma boa ideia que só não foi totalmente desperdiçada pela capacidade do elenco de segurar uma história, por mais fraca que seja, apenas pelo seu carisma.

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Nota: A Graphic Novel RED estará disponível neste mês de novembro em bancas e lojas especializadas de todo o país. A Panini Comics resolveu lançar e aproveitar um pouco o barulho deixado pelo filme. O preço é de 7,90.

Continua...
 
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