Crítica: A Rede Social

Mark Zuckerberg, o da vida real, nega veementemente que sua contraparte cinematográfica seja mostrada com fidelidade pelo diretor David Fincher em A Rede Social, que estréia nesta sexta em todo o país. O filme conta a história do processo de criação do Facebook, a febre da internet que, como o título sugere, é a definitiva de seu gênero.

Mostrado por Fincher como um gênio de seu tempo, Zuckerberg é também representado como um “babaca” completo pelo ator Jesse Eisenberg. E, como diz um personagem lá pelo fim do filme, o criador do Facebook se esforça muito pra desempenhar esse papel. Ele é aquele típico nerd que, dispensado pela namorada, faz pirraça na internet. Ou que briga com seu sócio/amigo por achar que seu site não precisa de propaganda, uma idéia quase utópica. Em momentos assim e em outros ainda mais inspirados que mostram como Zuckerberg acha o mundo um tédio, Fincher ajuda a criar o Übermensch da Geração Y. O da vida real deveria até ficar lisonjeado por isso. Claro que ao corroborar a idéia de que o Facebook foi um plágio, o direitor acabou fazendo um inimigo.

Dotado de uma edição quase frenética (no ritmo do cérebro do protagonista), o filme se divide em três períodos de tempo. No primeiro temos Zuckerberg em Harvard passando por momentos que ajudaram a definir o que seria seu futuro site. No segundo, que se sobrepõe ao terceiro, temos dois julgamentos, o que diz respeito ao plágio, acusação feita pelos gêmeos Winklevoss (Armie Hammer) e o que julga se o brasileiro Eduardo Saverin tem direito a uma gorda indenização por parte do Facebook, agora uma empresa consolidada. Vale também ressaltar a interpretação de Justin Timberlake, como Sean Parker, o criador do Napster. O personagem surge num momento de transição para o personagem principal. Quando seu amigo brasileiro tenta conseguir anunciantes, Parker surge para confirmar a idéia de Zuckerberg, a de que existe potencial para uma empresa e para o lucro, mas anúncios, naquele momento, só iriam atrapalhar. É o bastante pra fisgar o inepto gênio e afastar Saverin.

Marcando o ritmo do filme com a trilha de Trent Reznor e Atticus Ross, uma mistura de sons minimalistas com barulhos invasivos, Fincher cria um estudo de personagem, pois é isso mesmo que Zuckerberg é. E mesmo o da vida real, que não demonstra vontade em processar nem o cineasta e nem o autor do livro que deu origem ao filme, Ben Mezrich, não deixa de ser. Se existe mais ficção que realidade em A Rede Social, isso não importa. O que importa é a eficiência do filme em mostrar um retrato de uma nova geração que consegue ser genial em novas mídias e infantil em relações, mas que cada vez mais domina uma parcela considerável como formadores de opinião e geradores de conteúdo. O mais triste é que aos usuários de internet, a lição sobre como se relacionar venha de pessoas sem o mínimo apreço por interações humanas. Não é irônico que Zuckerberg tenha criado um site pra se fazer amizades, tendo, ele próprio, um único amigo. É conseqüência, a criação de uma necessidade, coisa que a sociedade atual está mais do que acostumada a fazer.

Continua...
 
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