Crítica: Thor & Loki - Blood Brothers

Aproveitando o hype gerado pelo filme baseado nas aventuras do Deus do Trovão, a Marvel lançou no começo do mês, Thor & Loki - Blood Brothers, uma minissérie animada cujos 4 capítulos foram disponibilizados para compra no iTunes. Baseada na Graphic Novel Loki de Robert Rodi e ilustrada por Esad Ribic, a trama gira em torno do Deus da Trapaça quando finalmente consegue conquistar o trono de Asgard. Depois de colocar Odin e Thor na prisão, Loki agora deve enfrentar um desafio ainda maior: o de governar seu recém adquirido Reino.

Apesar de ser vendido como animação, Blood Brothers na verdade é uma Motion Comic de luxo. Ou seja, a arte da HQ original foi mantida e a ela acrescentados movimentos. Embora esteja muito acima da média de seus concorrentes, não deixa de ser estranho e, pros desavisados, pode parecer apenas um desenho animado mal feito. Mesmo as belíssimas imagens criadas por Ribic não conseguem convencer o espectador. Porém, a história faz o esforço valer a pena.

Loki, em seu primeiro dia como governante de Asgard se encontra totalmente deslocado. Como é dito mais pra frente, ele tem enorme talento em conspirar para derrubar um rei, mas não nasceu para reinar. Em seus momentos de tédio e solidão, recorda passagens em sua vida que o moldaram para se tornar o vilão que todos conhecem. Do bullying sofrido na infância por não ser filho legítimo de Odin, passando por suas desesperadas tentativas por atenção, o maior trapaceiro de todos se revela amargurado e frágil. E, numa demonstração dessa mistura de emoções, acaba decidindo executar Thor, embora deixe transparecer que esse nunca fora seu objetivo.

O interessante do roteiro de Rodi é colocar Loki como vítima de seu meio, sem parecer didático ou panfletário demais. Ao contrário, o texto usa de uma ironia cruel conforme a história avança, para mostrar o destino do meio-irmão de Thor. A fraqueza da série, no entanto, é não pertencer à mídia agora usada pela Marvel. Loki, a Graphic Novel, é uma leitura excelente por conter diálogos enormes e quase nenhuma ação. Talvez fosse mais sábio usar como base para uma motion comic, cujo objetivo é divulgar um blockbuster, uma história mais voltada para a ação e menos comprometida em fazer um estudo de personagem. Não que seja ruim, só não é o momento pra isso.

Blood Brothers vai agradar aos fãs de Thor (mesmo o Deus do Trovão quase não aparecendo), por sua fidelidade aos quadrinhos, mas não deve deixar quem conheceu o personagem por causa do filme, ansioso por vê-lo nas telonas. Para estes, quando for lançado em Home Video, talvez seja mais interessante adquirir a versão encadernada da HQ. Vai acrescentar mais peso à estante, pelo menos.
Continua...
 
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