Rapidinhas

O noir é um estilo cinematográfico que desde os anos 40 acompanha histórias sombrias, cujos personagens são decadentes e de caráter duvidoso, envoltos em situações sujas e típicas do submundo. Intriga, assassinatos e traição são apenas algumas das características presentes nestas produções que, embora já tenham visto seus dias de glória, ainda existem, mesmo denominadas de neo-noir. Este mês resolvi assistir alguns exemplares da safra de filmes que começou com Chinatown e que teve bons frutos nos últimos anos, como Los Angeles – Cidade Proibida, Dália Negra e mesmo Sin City, adaptação de uma HQ cuja maior inspiração foram os clássicos filmes da época de Humpfrey Bogart ou James Cagney.

Conforme eu for assistindo, vou postando aqui os textos. Escolhi fazer os mini-comentários apenas de longas mais desconhecidos, já que dos supra-citados existem aos montes pela internet.

Hammett - Mistério em Chinatown (1982): O primeiro filme americano dirigido por Wim Wenders é uma competente homenagem ao cinema noir e a literatura pulp. Dashiel Hammett foi um dos autores mais influentes desse tipo de livros e inspirou inúmeras adaptações cinematográficas de suas histórias. No longa, Hammett (Frederic Forrest) está terminando de escrever sua mais nova aventura quando recebe a visita de um antigo colega (Peter Boyle) de sua época como policial. Ele pede ajuda ao escritor, cobrando uma dívida antiga. Relutante, aceita e acaba envolvido numa trama digna de seus livros. Wenders entrega um trabalho bem "redondo" que funciona como homenagem e ainda tem bons momentos cinematográficos, como a cena que abre o filme, uma espécie de exercício metalinguístico muito interessante. Apesar disso, o diretor alemão não ficou muito contente com o resultado final, já que precisou acatar muitas decisões do produtor Francis Ford Coppola. Na época do lançamento, os críticos também não foram muito generosos, o que fez Hammett fracassar na bilheteria. Embora não seja nenhum Chinatown, é um longa que cumpre o que promete e não tenta ser pretensioso demais (tendo Wenders e Coppola como realizadores, era até de se esperar algo um pouco mais cerebral). Embora Hammett seja um personagem real, o longa é fictício.

O Diabo Veste Azul (1994): Baseado no livro de mesmo nome, escrito por Walter Mosley, este é um autêntico thriller noir, cuja história aos poucos evolui numa trama envolvendo segredos sujos de um candidato a prefeitura de Los Angeles. Denzel Washington é Easy Rawlins, veterano da Segunda Guerra que, no final dos anos 40, está desempregado e precisando de dinheiro pra pagar a prestação de sua casa. Eis que surge a chance de um trabalho que pode lhe pagar bem, quando um obscuro detetive vivido por Tom Sizemore o contrata para encontrar uma garota, interpretada pela eternamente jovem Jennifer Beals. O interessante em O Diabo Veste Azul é a forma como o roteiro, fiel à ideia original do livro, escancara o problema de perseguição aos negros que existia nos EUA naquele momento. Conforme a história caminha, Washington se vê acusado de assassinato simplesmente por causa de sua cor. Boa fotografia, reconstituição de época fiel e ainda uma trilha cheia de referências ao jazz completam o pacote. E menção honrosa à participação de Don Cheadle, que aparece na segunda metade do filme e rouba a cena.

Continua...
 
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