Baú do RE-ENTER: O Falcão Maltês - Relíquia Macabra


Quando se fala em cinema noir, a imagem de Humphrey Bogart em preto-e-branco, sugurando uma estatueta de um falcão deve vir à cabeça de muita gente. Não é pra menos. O Falcão Maltês, filme de 1941, dirigido por John Houston, é considerado o pioneiro do gênero. E não só isso, um dos filmes mais influentes da história do cinema.

Uma prova é que, mesmo quem não viu o filme, o conhece, pela imagem descrita acima. Uma produção duradoura como essa, não tem sua fama à toa.

Diversas características do cinema noir são tão marcantes no filme, que provavelmente seu status de pioneirismo não seja em vão, embora anos antes, Scarface, de Howard Hawks, já ter inúmeros elementos que fariam dos filmes policiais dos anos seguintes, famosos. Porém, até então, nenhuma produção havia se definido de forma tão forte. O detetive falastrão, interpretado por Bogart, a Femme Fatale vivida por Mary Astor, a trama envolvendo corrupção da moral, ganância e outros temas recorrentes estão todos lá. E, de uma forma nunca antes vista e copiada pelos anos seguintes (incluindo atualmente).

A interpretação de Bogart se tornou famosa e graças a ela o ator retornou várias vezes ao noir se tornando um símbolo dessa forma, na época, diferente de se fazer um filme policial. Em Falcão Maltês, ele vive o detetive particular Sam Spade, que depois de ter seu parceiro assassinado numa investigação de rotina, decide ir fundo até descobrir a farsa criada para que algumas pessoas coloquem as mãos no tal falcão do título, uma lendária estatueta de valor inestimável que a História julgava perdida.

A direção do filme é competente, e muito bem marcada, como era de se esperar de John Houston. Não há espaço para improvisos por parte dos atores, mas os diálogos são ácidos como limão, dando a interpretação uma autenticidade única. No que se diz respeito à técnica, o filme não é uma superprodução, porém seus cenários e figurinos não fazem feio. São rústicos e escuros por conta da cinematografia, proposital para dar o filme o tom desejado e que se tornaria também uma característica visual do cinema noir.

A ganância é um forte tema presente, expondo toda sujeira que o ser humano é capaz de fazer por dinheiro. Mentir, roubar, matar. São atos comuns em um filme noir, e nesse caso não seria diferente. Não há limites para se conseguir um bom punhado de dinheiro no mundo sombrio de Falcão Maltês.

Humphrey Bogart – Ícone do noir

São raros, os casos de atores que fazem papéis recorrentes a um mesmo gênero e que se firmam por tanto tempo como verdadeiros ícones. Humphrey Bogart é um desses casos.

O ator, nascido em Nova York, começou no teatro em 1921, sem nunca cursar aulas de interpretação. Descoberto pelo produtor Arthur Hopkins, Bogart fez seu nome na peça The Petrified Forest. Após 196 apresentações, em 1936 a Warner Bros. comprou os direitos de filmagem e junto, Bogart, que reprisaria o papel de Duke Mantee, o protagonista da história, no cinema. Começava aí, a carreira cinematográfica do ator.

Mesmo fazendo o personagem que lhe rendeu fama nos palcos, a Warner não deu, entre 1936 e 38, papéis importantes para Humphrey. Foi apenas em 1941 que ele voltaria a protagonizar filmes. Com duas produções de John Houston, Seu Último Refúgio e O Falcão Maltês, o ator conseguiu se firmar com papéis significativos.

No ano seguinte, viria, talvez, o maior de todos, quando Casablanca foi lançado. No filme, Bogart fazia par com Ingrid Bergman, na história de um campo de refugiados da Primeira Guerra em Marrocos. A produção é considerada um dos maiores clássicos da sétima arte.

O ator ganhou um Oscar por sua interpretação no filme Uma Aventura na África, de 1951. Morreu 6 anos depois, vítima de câncer e é considerado um dos maiores mitos da história do cinema norte-americano.

Continua...
 
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