Crítica: Velozes e Furiosos 5: Operação Rio

O que faz uma franquia conseguir manter o seu sucesso é a capacidade de se renovar. Várias afundaram quando não encontraram o tom correto para agradar aos fãs e novos espectadores. Aliás, a chave é essa. Uma série que chega ao quinto filme, 10 anos depois do primeiro, precisa entender que seu público é outro e assimilar as mudanças ocorridas no cinema de ação desde então.

É mais ou menos por isso que Velozes e Furiosos 5 surpreendeu ao arrecadar 85 milhões apenas em seu primeiro final de semana nos EUA e deixou a crítica especializada à sua mercê. Lógico que existem aqueles que não conseguem entender, ou aceitar, a existência do cinema pipoca e não medem esforços para recomendar a seu público, que não percam tempo com produções desse nível (função que crítico nenhum deveria desempenhar). Boa parte, no entanto, se rendeu à diversão de excelente nível que o diretor Justin Lin entrega em Velozes 5.

Depois de ajudar seu amigo Dominic Toretto (Vin Diesel, gigante) a escapar da prisão, o ex-agente do FBI Brian O'Connel (Paul Walker) e sua namorada Mia (Jordana Brewster), começam uma fuga que termina no Rio de Janeiro, quando encontram o antigo membro da gangue de Dom, Vince (Matt Schulze). No Brasil, resolvem roubar uns carros, apenas para serem traídos e acabarem na mira do "Rei do Crime" local, Reyes (o ator português Joaquim de Almeida). Além disso, precisam fugir do agente designado à captura do trio, interpretado por Dwayne "The Rock" Johnson. A forma encontrada pelo grupo de se livrar do criminoso é executar um arriscado roubo. Pra isso, chamam "especialistas" em cada área necessária para desempenhar o golpe. Ou seja, praticamente todos os personagens coadjuvantes dos quatro filmes anteriores. À partir deste ponto, Velozes 5 muda seu foco e se transforma num longa de assalto à moda antiga, com elementos familiares à outra franquia: Onze Homens e um Segredo.

Sem perder o timing e deixando cada um dos inúmeros personagens ter seu tempo de tela, Justin Lin não erra a mão nas cenas mais descontraídas do grupo. Porém, são nas cenas de ação que o diretor mostra porque voltou para seu terceiro filme na série. A sequência de perseguição no final é adrenalina pura projetada na tela grande. E, apesar de todas as forçadas de barra, as cenas são bem feitas o sufuciente para que a computação gráfica envolvida não se revele demais, problema que o segundo filme sofreu a exaustão.

Para se livrar do estigma de "filme de rachas", Lin chega a fazer graça com os anteriores. Em determinado momento, o personagem de The Rock critica as modificações feitas à carros clássicos. E, quando o roteiro finalmente leva o espectador para o mundo das corridas clandestinas, a disputa não é mostrada, revelando apenas o resultado.

No quesito elenco, Velozes não compromete. O humor está muito presente por parte dos coadjuvantes, deixando espaço para o relacionamento entre o trio principal. Paul Walker é o mais fraco e não convence muito com sua preocupação em ser um bom pai. Brewster tem uma participação mais ativa do que na quarta parte e Vin Diesel, carismático como sempre, mostra todo seu talento pra herói de ação e o porquê de sua falta ter sido tão sentida nos filmes aos quais não participa. E sua luta com The Rock só não é mais empolgante porque fica pequena perto do que a produção guarda para o final.

E, claro há o fator Brasil. Talvez incomode a audiência tupiniquim, ver o país ser representado daquela forma tão estereotipada, com cara de republiqueta caribenha. Vale lembrar que, há anos, o cinema nacional exporta produções que enaltecem a pobreza, miséria e a criminalidade. Infelizmente, aos olhos de quem não conhece, o Brasil é exatamente daquele jeito. Assim como o cinema Hollywoodiano mostra todo chinês, mestre em artes marciais, todo africano egresso de minas de diamantes e todo inglês com cara de mordomo. A diferença é que a maioria entende e não encana com essas interpretações que podem ser erradas, mas não interferem no andamento e no ritmo do filme (e que são até mesmo necessárias, para o desenrolar da trama). Não dá pra negar uma produção descompromissada por simples melindre.

Ao se renovar, Velozes 5 se torna um longa divertido, feito pra um público que paga por duas horas de escapismo, não quer saber de realismo e não se importa com as leis da física sendo quebradas a todo momento. E, como a cena no meio dos créditos revela, ainda encontra fôlego para mais diversão. Pelo visto, se depender do público, vai ser só uma questão de combustível e da parte dos produtores, diretor e elenco, Velozes 6 virá com o tanque cheio.
Continua...
 
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