Crítica: Kung Fu Panda 2

Em todos os anos de glória de Hollywood, gêneros vem e vão, artistas deixam suas marcas para a posteridade e imagens icônicas ficam, pra sempre, no coração de quem aprecia a sétima arte. Por isso, quando uma animação como Kung Fu Panda 2 resgata os elementos do humor físico, antes tão bem representados pelas figuras geniais de Peter Sellers ou Don Adams, fica a impressão de um cuidado enorme por parte da estreante diretora, Jennifer Yuh Nelson e dos roteiristas, Jonathan Aibel e Glenn Berger, para que a continuação tenha a acrescentar muito mais do que um visual tão bonito quanto o do primeiro filme.

Depois de se tornar o Dragão Guerreiro, o panda Po (no original, voz de Jack Black) agora lidera os Cinco Furiosos, que se tornam uma espécie de Liga da Justiça dos vilarejos locais. A nova ameaça é o pavão Lorde Chen (Gary Oldman), que há muito tempo ordenou a morte de pandas, depois de uma vidente prever que um guerreiro daquela raça seria sua ruína. Agora, Chen está pavimentando seu caminho ao poder, conquistando o templo que um dia pertenceu à seu clan e construindo um arsenal de novas armas que podem derrotar até mesmo o mais poderoso guerreiro de Kung Fu.

A fórmula do roteiro não foge muito do que sempre funciona em animações. O personagem central precisa enfrentar o vilão (muito bem delineado como tal) ao mesmo tempo que luta contra algum dilema, que neste caso, é a origem do desastrado herói. Quem estranhou no primeiro filme o fato de um ganso ser o pai de um panda, agora descobrirá o motivo.

Embora a resolução seja previsível, o que chama atenção em Kung Fu Panda é justamente o caminho que a trama passa pra chegar até lá. Usando de recursos visuais de uma plástica impecável, o longa se destaca dos exemplares mais recentes do gênero, ao misturar elementos de animação 2D (já usado no primeiro, mas aqui apresentado de forma muito mais elegante) com as texturas realistas criadas pela equipe de animadores 3D (há uma cena de ação envolvendo a destruição de uma edificação que poderia muito bem estar em um filme com atores). Além disso, há a citada referência aos mestres do humor físico. O panda não é mostrado como um idiota e completo bobalhão. Ele realmente é bom no que faz, só é desastrado, e a comédia está justamente em levar essa característica por um lado positivo, assim como o Inspetor Clouseau da série original da Pantera-Cor-De-Rosa.

A cineasta Yuh Nelson cria momentos bonitos pela simplicidade, como a "paz interior" do mestre Shifu (Dustin Hoffman). Os movimentos do ancião se revelam fiéis à leveza notória dos movimentos de artes marciais. Já quando é a vez de Po mostrar que conseguiu alcançar sua paz, a transição que ocorre envolvendo os momentos decisivos de sua origem chegam a emocionar, justamente pela força visual.

Há também o elemento "mensagem moral", outra marca registrada de animações. A bola da vez é o pensamento bélico em detrimento de valores como honra e justiça que, neste caso, pode levar ao fim do Kung Fu. Não como arte marcial, mas como filosofia. O interessante é o roteiro não explicar isso com o mesmo didatismo do "não há ingrediente secreto" do filme anterior.

Com o trunfo de uma nova direção, Kung Fu Panda 2 tem um ritmo mais ágil que seu antecessor, ajudado também pela trilha de Hans Zimmer e John Powell. E graças à recursos bem empregados, consegue superar não só o original, como também boa parte das animações lançadas recentemente. E, como se tudo isso não desse motivos pra uma continuação, há um gancho no final que pode levar à um terceiro longa ainda melhor.

P.S.: Como já é de costume em animações, a dublagem do filme em português está ótima. Então, podem assistir tranquilos sem se preocupar em pegar sessão com som original.
Continua...
 
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