
Mas e aí? A série é tudo isso mesmo? Mais ou menos. Na verdade, ela tem uma característica que pode ser seu maior trunfo, mas também seu maior problema. A trama não está interessada em grandes batalhas, mas em desenvolvimento das relações entre os personagens e nas condições que a humanidade enfrenta, meses depois de ter o planeta invadido por uma espécie alienígena nada pacífica. A primeira sequência do episódio piloto já demonstra isso. A partir da narração das crianças e de desenhos feitos por elas, o espectador é introduzido ao cenário no qual o seriado se passa. Que forma melhor de mostrar a desesperança do que colocar crianças para falar que a humanidade luta pra não ser extinta?
A série gira em torno do núcleo formado por Tom Mason (Noah Wyle) e seus dois filhos, Hal (Drew Roy) e Matt (Maxim Knight). Eles foram pegos em cheio, como várias famílias. Tom perdeu a esposa e seu outro filho, Ben, está desaparecido, provavelmente levado pelos skitters, como os humanos chamam a raça invasora. Além deles, a médica Anne Glass, vivida por Moon Bloodgood, adiciona um pouco mais de humanidade em uma sociedade vivendo em tempos de guerra.
Por falar em batalha, claro que existe a figura militar. Weaver, interpretado por Will Patton, perdeu tanto quanto todos e tenta manter a ordem de seu "pelotão" enquanto enfrenta certa hostilidade por tratar os civis que não estão na luta armada como um fardo a ser carregado durante as horas de tensão.
Mas por que, então, esse cenário interessante de relações humanas pode também ser um defeito? Porque depois de Lost, a TV norte-americana transformou histórias de sobrevivência em uma fórmula batida. O que os produtores de toda série que surgiu como versão genérica do seriado de J.J. Abrams parecem esquecer é que Lost mudou completamente de estrutura na segunda temporada justamente por que a narrativa de reality show não estava funcionando o suficiente pra manter o espectador interessado.
Soma-se a isso que o nome de Spielberg não pesou tanto na criação dos efeitos especiais e o resultado é um programa de TV que, embora tenha começado com bons números, pode vir a perder audiência. Chega a ser um tanto vergonhoso imaginar que o homem que revolucionou os efeitos no cinema não consiga trazer nada de extraordinário para a TV. Os alienígenas de Falling Skies não são dos mais interessantes e o recurso de mostrá-los quase sempre no escuro, revela a preocupação em esconder defeitos de finalização dos bichos.
De qualquer forma, Falling Skies merece ser acompanhada, já que ainda é cedo pra julgar se ela será um fracasso em termos de história. Ela pode mudar nos próximos episódios e de qualquer forma, hoje em dia não é a qualidade que dita a regra, mas a audiência. Claro que o público não é idiota a ponto de assistir algo que não gosta, mas o seriado pode agradar quem não conhece The Walking Dead, ou Lost, ou Jericho, ou... bom, entenderam, né? Nesta temporada, 10 foram encomendados. A estreia no Brasil acontece nesta sexta-feira, 24 de junho pelo TNT, com legendas e pelo canal Space, com áudio em português.
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