Crítica: Wonder Woman, o piloto rejeitado da Mulher Maravilha

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  • terça-feira, 26 de julho de 2011
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  • Alexandre Luiz
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  • Pra uma série ser aprovada é necessária a produção de um episódio que tem por objetivo convencer investidores e emissoras de TV de que aquele produto pode agradar o público e por consequência, conseguir uma boa audiência. Provavelmente por isso o seriado da Mulher Maravilha foi engavetado. Seu piloto, que vazou no final de semana na internet, em momento algum consegue convencer o espectador a voltar a assistir outro episódio na semana seguinte. Na verdade, mal consegue convencer alguém a continuar assistindo o capítulo em questão.

    Adaptações de histórias em quadrinhos, mesmo que de títulos conhecidos, precisam de um tempo pra origem do personagem. É uma forma de criar uma ligação com quem assiste, ao mesmo tempo que mostra as motivações dos protagonistas. Por mais básico que isso seja, se for bem feito é infalível. Por isso em Lois & Clark, por exemplo, o espectador acompanha as decisões que levam Clark Kent a se tornar o Superman, mesmo sua origem sendo extramente popular. Pelo mesmo motivo, Smallville começa com Kal-El chegando na Terra. Em Wonder Woman, a heroína já existe, e a única coisa que o roteiro faz questão de dizer sobre seu passado é que a moça estava apaixonada quando resolveu combater o crime. Sério? Só isso já é o suficiente pra uma personagem feminina vestir roupa colante e sair por aí arrebentando criminosos? Claro que não, e por isso a série, se fosse aprovada, já começaria com o pé errado. Não há, nos 40 minutos do episódio, um momento sequer que justifique as atitudes da moça, por mais nobres que sejam.

    Outro problema grave é a falta de carisma da protagonista. Se não há possibilidade de identificação com a personagem graças a ausência de um background convincente, não há também simpatia nenhuma pela Mulher Maravilha de Adrianne Palicki. Ela até é bonita, mas sua interpretação se resume a biquinhos quando está nervosa, olhos apertados quando está frustrada e todos os outros sinais de canastrice que você possa imaginar.

    E, os fãs da personagem não ficariam contentes também com a abordagem de Diana Themyscira, alter-ego de Diana Prince, por sua vez, alter-ego da Mulher Maravilha. A justificativa pra existência das três "personalidades" não faz o menor sentido, além de ser um desrespeito com o material original, já que copia descaradamente a relação Tony Stark/Homem de Ferro dos filmes do herói da Marvel.

    Por outro lado, a série consegue ter algumas cenas de ação interessantes, mesmo que essa versão do episódio traga diversos efeitos inacabados. Mas não é só disso que vive um seriado, e novamente o roteiro peca ao não desenvolver corretamente, ou de forma alguma, a protagonista. Isso fica claro quando pra encerrar uma luta a Mulher Maravilha arremessa um cano no pescoço de um capanga, atravessando-o e o matando de uma forma que só cabe ao Justiceiro e não a uma mulher vestindo a bandeira americana.

    Pra terminar, é bom dizer algo sobre o fator "uniforme". Sério, nas HQs pode até funcionar aquela roupa, mas quando ela é transposta para o mundo real... Não tem como não rir. Era assim com o seriado dos anos 70 e continuará sendo, até o dia que resolverem vestir a personagem com couro preto ou algo do tipo. Até faria jus às origens da heroína em suas primeiras histórias repletas de referências a sadomasoquismo. A justificativa de Bryan Singer pra não vestir os X-Men com suas roupas dos quadrinhos cabe como uma luva pra Mulher Maravilha. Pena que os produtores não perceberam isso (e todos os outros problemas citados) e arruinaram a chance da DC emplacar outro seriado na TV. E, pela falta de vontade em criar algo bom, nem os envolvidos estavam certos de que o programa daria certo.

    1 comentários:

    Anônimo disse...

    " A justificativa pra existência das três "personalidades" não faz o menor sentido, além de ser um desrespeito com o material original, já que copia descaradamente a relação Tony Stark/Homem de Ferro dos filmes do herói da Marvel. "

    Essa é a coisa mais tosca que eu ja li em toda minha vida.Primeiro que um heroi billionario dono de empresa existe decadas antes do homem de ferro, como o batman/bruce wayne, segundo que neste caso tambem não é copia
    do batman, mais ocorre que a mulher maravilha na segunda parte da era de prata era dona de uma empresa e agia como uma espiã internacional,nesta época o homem de ferro sequer existia ! isto foi no meio dos anos
    60.

    Os personagens da DC são muito mais complexos,antigos,cheios de fases diferentes do que os da marvel, a marvel ao contrario que copia descaradamente a DC, toda fase,era , e até invenções da marvel são baseadas no que a DC
    fez primeiro, como o propio tony stark que é o bruce wayne(veio primeiro) marvel, o perter parker é o clark kant(veio primeiro), o narmor é o aquamen(veio primeiro), o x men é os titans(veio primeiro), os vingadores são a liga da justiça
    (veio primeiro).

    A idéia de realismo, sombrio, tudo isto ja existe na DC a décadas.

     
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