Baú: Planeta dos Macacos - Os filmes originais

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  • sexta-feira, 26 de agosto de 2011
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  • Alexandre Luiz
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  • Pra comemorar o lançamento do novo filme, que reinicia a franquia Planeta dos Macacos, este post fala sobre os 5 longas clássicos, produzidos entre 1968 e 1973. Os textos referentes aos filmes contém spoilers, então se você não conhece a saga pode optar por procurar conhecer lendo o post ou assistindo as obras. Pro último caso, volte aqui pra ler as críticas e deixar sua opinião nos comentários ;)

    Boa leitura!


    O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes, 1968) - A primeira cena do filme que deu origem à franquia já dita o tom. Taylor, o astronauta vivido por Charlton Heston, se prepara para entrar em hibernação em sua nave, que está em missão de exploração, enquanto divaga sobre a condição humana na Terra. Ao contemplar a vastidão do universo, imagina se em algum lugar existe uma civilização melhor, onde um homem não deixa uma criança passar fome e nem inicia guerras com territórios vizinhos. O personagem é mostrado desde o início como dono de um cinismo latente sobre a civilização de sua época, os anos 70. Quando um acidente com sua nave o faz cair em um planeta aparentemente inóspito e um de seus colegas de viagem resolve colocar uma pequena bandeira americana no solo, como símbolo da sua chegada no local, Taylor dá uma gargalhada quase perversa. Ele entende a tolice do ato. De acordo com os computadores, eles avançaram mais de 2000 anos no tempo, fazendo a atitude de seu parceiro se tornar completamente irrelevante. Quem garante que o ser humano já não se destruiu em seu planeta natal? De que adianta demarcar esse novo lugar com o símbolo de uma sociedade que talvez não mais exista?

    Ao descobrir que o planeta é habitado por uma raça primitiva de humanos, constata a seus amigos: "vejam pelo lado bom: se isso for tudo que esse planeta tem, em alguns meses estaremos governando-o". Ele entende a natureza dominadora de sua espécie sobre o mais forte. Isso é o que salvará sua pele no decorrer do longa. Após esse encontro, é surpreendido pela verdadeira raça dominante e inteligente: os primatas do título. Dominado pelos macacos, é levado para um centro de pesquisa onde provavelmente seria dissecado não fosse pela intervenção de Zira (Kim Hunter) e Cornelius (Roddy McDowall) um casal de jovens cientistas que acreditam na história de Taylor e prometem ajudá-lo. O problema é que os líderes do governo símio, representados pela figura dominadora do Dr. Zaius (Maurice Evans), fazem de tudo para desacreditar os dois, usando a prerrogativa da heresia. Assim como nos períodos da humanidade em que a ciência fora considerada tabu por desmistificar boa parte dos conceitos religiosos acerca da criação do Homem. Taylor e a dupla de macacos cientistas representam as mentes pensantes que fazem qualquer civilização evoluir quando decide ampliar seu pensamento à novas ideias. O condicionamento à textos sagrados é tanto que em determinado ponto da fita, um dos macacos se nega a acreditar que o astronauta (considerado um animal) tenha a capacidade do raciocínio, apenas por este não conhecer as antigas escrituras símias.

    Com direção de Franklin J. Schaffner, O Planeta dos Macacos tem um valor que vai além da conquista cinematográfica, que não foi pouca, graças à maquiagem criada por John Chambers, vencedora de um Oscar honorário. Sua representatividade e os paralelos que traça sobre o caminho que o Homem tem trilhado e que só poderá levar a um destino trágico, fazem o longa ter enorme relevância mesmo nos dias de hoje, 43 anos depois de sua estreia. E seu revelador final, uma das cenas mais memoráveis do cinema, encerra de forma crua e pessimista as discussões iniciadas pelo monólogo na introdução do filme. Filosofia, crítica social e Ficção Científica sempre andaram de mãos dadas e aqui a harmonia gerou um clássico.

    De Volta ao Planeta dos Macacos (Beneath the Planet of the Apes, 1970) - Seguindo exatamente de onde o anterior termina, este segundo filme sofre por dois motivos: primeiro porque não precisava existir e segundo é que, já que existe, perde sua força graças à recusa de Charlton Heston em voltar à seu personagem. Pra que o filme não ficasse completamente desconexo, Taylor desaparece (literalmente) logo no início para dar lugar a um novo personagem, Brent (James Franciscus), colega astronauta que é mandado em missão de resgate e, seguindo a trajetória feita pela nave da produção anterior, acaba chegando no mesmo lugar dominado pelos símios. Por causa disso, De Volta ao Planeta dos Macacos perde um bom tempo com o novo protagonista refazendo os passos de Heston. Enquanto isso, os macacos, liderados pelo General Ursus (James Gregory) se preparam para sair em missão de exploração da Zona Proibida, um lugar onde acreditam haver vida, humana ou não. Embora seja mais voltado à ação (pros padrões de um filme do começo dos anos 70), o tempo que o filme perde em contextualizar Brent chega a ser irritante, levando a trama a apenas mostrar seu intento nos 40 minutos finais, com a descoberta de uma civilização subterrânea que idolatra uma bomba atômica. O clímax deste segundo exemplar da série acaba funcionando mais como conclusão do primeiro filme, já que termina de forma trágica e deixando pouco, ou quase nenhum, espaço para uma sequência. Mas, claro que isso é Hollywood e eles sempre dão um jeito de continuar.

    A Fuga do Planeta dos Macacos (Escape From the Planet of the Apes, 1971) - O terceiro filme da franquia começa em 1973, com a chegada de uma nave em uma praia da costa norte-americana. O exército se mobiliza para resgatar o veículo e quando três macacos usando roupas de astronautas se revelam como seus tripulantes, o espanto é geral. Os chimpanzés cientistas do filme original, Cornelius e Zira, além de seu colega Milo, conseguiram fazer a antiga nave de Taylor funcionar e fugiram de sua época antes do apocalíptico final do longa anterior. Embora pareça forçado que o texto tente convencer o espectador de que durante o clímax do segundo filme, os três macacos estavam fugindo na nave praticamente que afundou no lago do original, este longa é melhor que antecessor. Primeiro porque traz a história para um novo cenário, a Terra nos anos 70, o que garante à sequência um certo frescor, em termos de temática. E segundo porquê o roteiro de Paul Dehn (que escreveu todas as sequências) funciona como uma espécie de sátira à sociedade da época. Existem momentos muito inspirados, como quando Cornelius revela ser o marido de Zira para uma comissão que pretende entender suas intenções. Imediatamente, um padre tenta se manifestar e é repreendido por um dos membros do governo americano que diz algo do tipo: "calma, chegaremos nisso mais tarde". Há também a primeira versão do que levou a Terra a ser dominada pelos símios. Uma praga que dizimou cães e gatos e fez com que os humanos adotassem novos animais de estimação: os macacos. Cada vez mais treinados a fazerem tarefas domésticas até que um disse algo que, nas palavras de Cornelius, "estava acostumado a ouvir sua vida inteira. Ele disse: 'não!'". E não é assim que começam as revoluções pela busca de liberdade? Embora se possa argumentar que uma segunda continuação fosse desnecessária, A Fuga dos Planetas dos Macacos surpreende, mas não atinge todo seu potencial, servindo mais como uma introdução pra verdadeira história que está por vir.

    A Conquista do Planeta dos Macacos (Conquest of the Planet of the Apes, 1972) - 20 anos depois de Cornelius e Zira voltarem para o passado, seu filho, César (Roddy McDowall) está vivo aos cuidados de Armando (Ricardo Montalban), um dono de circo que sabe das capacidades do chimpazé inteligente. Porém, aos olhos do governo totalitário que se instalou na América, César é apenas mais um entre tantos macacos treinados para afazeres domésticos, mas que na verdade são tratados como escravos. Nesse cenário de maus tratos e abusos, César começa a ter ideias revolucionárias que se unem ao sentimento de vingança pela morte de seu amigo vivido por Montalban, além dos traumas acumulados após presenciar a crueldade pela qual sua espécie passa nos campos de treinamento de macacos. O trunfo de A Conquista... está na construção de César. Quando o filme começa fica bem claro de que ele não está acostumado a ser mal tratado, mas a partir do momento em que precisa viver sozinho, enfrenta todo tipo de discriminação, principalmente por parte do governo, aqui representado pela figura autoritária do Governador Breck (Don Murray). Como nos anteriores, a crítica social está presente e dessa vez traça um paralelo com a perseguição nazista aos judeus. Isso fica bem claro nos ícones escolhidos para representar ambos os lados. A polícia usa um uniforme negro e austero que remete imediatamente à indumentária dos soldados da SS de Hitler. Já os símios usam macacões que são envoltos por uma tarja na manga que indica a função à qual pertencem. Mas, o melhor do longa fica para o final, surpreendentemente violento, mostrando a revolta dos macacos contra seus mestres. A sequência de 30 minutos é extremamente eficiente em escancarar a revolta graças a direção de J. Lee Thompson, que criou o mais sombrio e pesado de todos os filmes da série. Aqui, inclusive cabe um adendo. A versão original da produção termina com o cruel linchamento do Governador pelos primatas revoltosos, após um emocionante discurso de César. Por ser considerado pessimista demais, um outro final foi criado mostrando o líder dos macacos tendo uma atitude de clemência, graças ao apelo de Lisa (Natalie Trundy), macaca de estimação que grita "Não!" se tornando então o primeiro símio a falar, além é claro do próprio César. Essa versão traz uma conclusão um pouco mais otimista, deixando implícito que poderia haver uma coexistência pacífica entre as duas raças. Porém, no lançamento do filme em Blu-ray, o final original foi restaurado e incorporado numa versão "Sem Censura", e funciona melhor do que a edição pra cinema. Principalmente levando em conta como a história se desenvolve no filme seguinte.

    A Batalha do Planeta dos Macacos (Battle for the Planet of the Apes, 1973) - O filme que encerra a série se passa vários anos após seu predecessor, num cenário pós-Guerra, cujos efeitos foram a destruição das grandes cidades do mundo por bombas nucleares e desastres naturais. César (novamente Roddy McDowall) lidera uma comunidade onde macacos e humanos vivem pacificamente, embora os últimos estejam caminhando cada vez mais para se tornarem os escravos que eram os símios antes da revolta mostrada no longa anterior. Dentre os macacos, porém, os gorilas (sempre eles), organizados pelo General Aldo (Claude Akins), acreditam na supremacia de sua raça e no extermínio dos humanos. MacDonald (Austin Stoker), assistente de César, percebe que a ordem naquele lugar está para ser abalada e convida o líder dos macacos a desbravar a Cidade Proibida, onde podem existir gravações de Cornelius e Zira, que falem sobre o futuro do planeta, comprometido exatamente por todas as guerras e desavenças que aconteceram e ainda podem acontecer, se as coisas continuarem como estão. Chegando nas ruínas causadas pela bomba atômica, o grupo formado por César, MacDonald e Virgil (Paul Williams, na pele de um sábio orangotango) encontra as gravações, mas também descobre humanos deformados pela forte radiação do lugar. Estes são liderados por antigos militares do filme anterior que temem os macacos e por isso decidem, ao se sentirem invadidos, atacá-los. O que segue é uma trama que envolve escolhas que podem mudar o destino da Terra, um golpe de estado e uma grande batalha entre os mutantes e os macacos. A Batalha do Planeta dos Macacos é muito mais focado em fechar o ciclo da história do que gerar debates filosóficos com as críticas e sátiras dos filmes anteriores, se tornando eficiente justamente por isso. Amarrar as pontas soltas e deixar os ganchos necessários pra explicar o que foi visto nos dois primeiros exemplares, que se passam quase 2 mil anos depois deste. Com J. Lee Thompson de volta à direção, as cenas de batalha são garantia de bons momentos, principalmente pelos efeitos completamente práticos envolvendo bombas, tiros, proezas de dublês e todo tipo de ação que se espera de uma sequência assim. MacDonald entrega mais uma caracterização perfeita do líder César e o final deixa uma mensagem de esperança de que o futuro encontrado por Charlton Heston no filme original possa finalmente ter mudado.

    1 comentários:

    Valérie Roberto disse...

    Bom, como já te disse no Twitter, só conhecia dois: o primeiro original e o terceiro, na sua sequencia

    Me deu vontade de assistir os outros

    Um abraço

     
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