Rapidinhas: Vampiros nos anos 90 - A diversão se torna maldição

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  • segunda-feira, 12 de setembro de 2011
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  • Alexandre Luiz
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  • Os vampiros da década anterior, representados pelo terrir de A Hora do Espanto e pelo rock and roll de Os Garotos Perdidos, cedem lugar a uma visão muito mais angustiante e que faz jus a condição de "criaturas amaldiçoadas", expressão geralmente usada para se referir a esses seres. Abaixo, algumas das obras cinematográficas que ajudaram a moldar o vampiro contemporâneo.

    Drácula de Bram Stoker (Dracula, 1992) - Logo no começo dos anos 90, o cineasta Francis Ford Coppola resolveu aplicar sua visão particular da obra mais influente sobre vampiros já escrita. Com ajuda de um elenco afiado, cujos destaques são Gary Oldman como o personagem título e Anthony Hopkins no papel do caçador de vampiros Van Helsing, Coppola transformou o livro de Bram Stoker em um filme com forte apelo romântico e visual teatral, levando o espectador à impressão de estar acompanhando uma ópera. A trama é a mais próxima do que Stoker escreveu e mostra um Drácula que cede à emoções quando se aproxima de Mina (Winona Ryder) e protagoniza cenas que vão de beleza poética (quando transforma as lágrimas de sua amada em diamantes) à crueldade absoluta, ao assumir sua real natureza. Como fraqueza, o longa tem Keanu Reeves no papel de Jonathan Harker, que mesmo se esforçando, não transmite muito carisma, principalmente quando colocado em cena com Oldman, que entrega um dos personagens mais fascinantes de sua filmografia, mesmo quando desaparece debaixo de pesadas maquiagens. Visualmente, além da óbvia influência teatral, há também uma homenagem ao Expressionismo Alemão, quando usa as sombras como recurso de suspense ou enquadramentos pouco convencionais como elemento de narrativa. Regado à uma sensualidade constante, Drácula de Bram Stoker traz o vampiro como centro da trama e não como mero antagonista, característica que seria ainda mais explorada 2 anos depois no próximo longa a ser comentado.

    Entrevista com o Vampiro (Interview With the Vampire, 1994) - Neil Jordan, o diretor responsável por essa adaptação de um dos livros da escritora Anne Rice, já havia feito um trabalho magnífico com o mito do Lobisomem em A Companhia dos Lobos e sua abordagem com os vampiros não foi diferente. Como a obra original é focada na psiquê das Criaturas da Noite, Jordan pôde criar um filme exclusivamente sobre o vampirismo, sem a distração de personagens humanos, que aqui aparecem apenas como o "alimento" dos chupadores de sangue. A trama segue Louis, vivido por Brad Pitt, após ser transformado em vampiro por Lestat, Tom Cruise num papel completamente diferente de tudo que havia feito até então. Sua escolha, inclusive, gerou muita polêmica, principalmente após a autora vir a público condenar a adaptação justamente pela presença do ator. Após a estreia do filme, no entanto, Rice se retratou, chegando a publicar uma carta pedindo desculpas a Cruise. Muito justo, já que seu Lestat figura na lista de seus melhores momentos na tela grande. O elenco de coadjuvantes inclui Antonio Banderas, Stephen Rea e uma jovem Kirsten Dunst como Claudia, uma garota adotada pela dupla de protagonistas, depois de também ser transformada em vampira. Entrevista..., além de todas as interpretações psicológicas do roteiro, também é beneficiado por uma direção de arte impecável, da recriação de época (boa parte da história se passa nos séculos 18 e 19), até cenários de encher os olhos, como o lar de uma sociedade de vampiros que vive nos subterrâneos de Paris. Com essas duas visões mais dramáticas e românticas do seres das trevas, os anos 90 começam com abordagens diferentes, mas ainda havia espaço para filmes que não fugiam da pretensão de divertir, como provam os exemplos a seguir.

    Um Drink no Inferno (From Dusk Till Dawn, 1996) - Metade da década e o público via com grande entusiasmo a ascenção de Quentin Tarantino como cineasta e roteirista. Com apenas duas produções, o diretor já era aclamado por suas histórias regadas à violência e crimes. Quem foi assistir Um Drink no Inferno, roteirizado e estrelado por Tarantino, e dirigido por Robert Rodriguez, que no ano anterior surpreendeu a indústria com A Balada do Pistoleiro, sua entrada no cinema norte-americano, se deparou primeiramente com o que poderia ser considerado um típico produto de ambos. O filme começa com os irmãos Seth e Richie Gecko (George Clooney e Tarantino) em fuga, depois de um assalto onde mataram policiais e fizeram uma refém. Ao mesmo tempo, um ex-pastor, vivido por Harvey Keitel viaja com seus dois filhos (Juliette Lewis e Ernest Liu) em busca de auto-conhecimento e se hospeda no mesmo hotel onde está a dupla de criminosos, que veem na família e seu enorme trailer, a chance de conseguirem atravessar a fronteira para o México. E é o que acontece. Os Gecko agora só precisam chegar a um bar de beira de estrada, onde, ao amanhecer, se encontrarão com o homem que encomendou o roubo do qual estão sendo acusados. Ao chegarem lá, no entanto, descobrem que o lugar é um antro de vampiros. Como isso acontece com 1 hora de projeção, o filme se torna uma grande surpresa, pela mudança brusca de gênero. Rodriguez dirige o primeiro ato exatamente como dirigiu Balada...: um filme de ação. Porém, quando as monstruosas criaturas da noite aparecem, a mão do diretor pende para o terror B, com o primeiro ataque dos bichos regado a muito sangue falso com cabeças e pedaços humanos voando pela tela. A troca de estilos funciona e surpreende os desavisados, criando uma obra de pura diversão e muito consciente de toda sua inclinação trash.

    Blade - O Caçador de Vampiros (Blade, 1998) - Este talvez seja o filme que moldou os vampiros para a década que viria. Baseado num personagem de segundo escalão dos quadrinhos da Marvel, Blade traz Wesley Snipes como o caçador, meio humano, meio vampiro, que jurou destruir as Criaturas da Noite. Ele é um Daywalker, já que a luz do sol não o afeta, assim como a prata, alho e água benta. Porém, sofre da sede de sangue, que é saciada com um soro. O longa, dirigido com muito estilo por Stephen Norrington, tira os vampiros do gênero terror e os coloca como protagonistas e antagonistas de um filme de ação. Apesar de todo o sangue na frente das câmeras, Blade não foi feito para assustar, mas para mostrar ao espectador cenas envolvendo artes marciais, explosões e tudo que se espera de uma adaptação de um herói de HQs. Com efeitos inovadores para a época, o longa conquistou status de cult e ainda gerou uma sequência no início dos anos 2000, superior a este, com direção de Guillermo Del Toro. E deu fruto a várias produções de vampiros com foco na ação ao invés do suspense. Como se não bastasse, serviu pra mostrar que filmes de quadrinhos poderiam ser boas apostas, principalmente depois da bomba que havia sido o último exemplar do Batman, lançado no ano anterior, que desanimou muitos estúdios. Graças a Blade, a Marvel se animou a aprovar os filmes de X-Men e Homem-Aranha, com o resultado favorável de bilheteria que hoje gerou um sem número de adaptações e muito dinheiro para vários estúdios. Nada mal pra um personagem de segunda, não?

    Semana que vem, os vampiros entram no século 21!

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