Rapidinhas

De volta com essa coluna, alguns filmes que vi recentemente.

O Turista - Engraçado como uma boa ideia pode acabar arruinada por uma direção ruim. Pior ainda quando o elenco é desperdiçado da forma como acontece nesse filme. Além dos protagonistas Johnny Depp e Angelina Jolie, O Turista conta com Paul Bettany, Timothy Dalton e Rufus Sewell como coadjuvantes, mas que em momento algum mostram a que veio. O roteiro, com sua reviravolta no fim, lembra os bons tempos de filmes como Charada, por exemplo. Mas, em nenhum momento o diretor Florian Henckel von Donnersmarck (desafio do dia: fale esse nome 5 vezes seguidas, bem rápido) consegue dar a sua refilmagem da produção francesa Anthony Zimmer, o charme que o citado clássico com Cary Grant e Audrey Hepburn tinha. E olha que o filme se passa em Veneza. Pura incompetência mesmo.

Incontrolável - Tony Scott não é tão bom quanto seu irmão Ridley, mas tem feito filmes bem mais interessantes, pelo menos comercialmente. Incontrolável é um dos melhores filmes pipoca de 2010 e provavelmente o melhor de Scott desde Jogo de Espiões (2003). Denzel Washington e Chris Pine são dois maquinistas que decidem arriscar a vida ao tentar parar um trem desgovernado. A tensão é do início ao fim, marcada pela ótima edição. Os protagonistas também ajudam com uma ótima química. Diversão garantida.

Atração Perigosa - A primeira experiência de Ben Affleck como diretor é uma grata surpresa. Filme de assalto, na linha de Fogo Contra Fogo, tem Affleck também como protagonista e ele não faz feio em nenhuma função. Dirige uma produção que, pode não ser a obra-prima que Michael Mann criou na década de 90, mas que se fecha de forma muito satisfatória. Destaque para a interpretação de Jeremy Renner como o assaltante de banco parceiro de Affleck. Merecida indicação ao Oscar de Ator Coadjuvante.

Por hoje é isso!
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Cenas Memoráveis - Hudson Hawk - O Falcão Está a Solta

Essa cena é tão memorável que nem dá pra ficar perdendo muito tempo falando sobre ela. Bruce Willis e Danny Aiello roubando um museu e cantando Swinging on a Star. E depois não entendem quando os críticos dizem que não se fazem mais filmes como antigamente (e esse nem é tão antigo assim, "só" tem 20 anos).


Pra quem não sabe, Bruce Willis tem uma banda de blues e já gravou alguns álbuns no final da década de 80. Aqui ele toca gaita com B.B. King. Pois é.
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The Cape - O herói pulp do século 21

Nos anos 30, livros de bolso, impressos em papel vagabundo, com conteúdo não muito bem visto na época, faziam certo sucesso entre jovens e adultos que buscavam histórias recheadas de mistério e aventura. Dessas publicações saíram personagens como Zorro, O Sombra e o Besouro Verde, além de histórias policiais que serviriam de base para os filmes noir da década seguinte. Esses livros eram chamados de Pulp Fiction (agora você sabe de onde veio a inspiração do Tarantino) e ajudaram a formatar alguns estereótipos para os heróis de quadrinhos que surgiriam dali alguns anos. Batman, Fantasma, Mandrake, Spirit, Doc Savage. São inúmeros os personagens de raíz pulp que ao longo do tempo acabaram adquirindo outras características mas ainda se mantém fiéis às suas origens.

Toda essa introdução se faz necessária para que se possa entender a proposta do seriado The Cape, a nova aposta do canal norte-americano NBC. Com o fracasso de Heroes, que tentava mostrar (pelo menos nos primeiros episódios) como seria nosso mundo se pessoas com super-poderes começassem a aparecer, a emissora agora tenta focar em uma ambientação nitidamente voltada para os quadrinhos. O visual, os diálogos e os personagens carregam todos os clichês que se espera de uma HQ. E não há nada de errado nisso, quando feito com competência.

No início da década de 90, a Warner produziu um seriado de apenas uma temporada do Flash. Com uma direção de arte impecável, inspirada pelo primeiro Batman de Tim Burton, a série agregou certo sucesso, mas precisou ser cancelada por causa do altíssimo custo de sua produção. Esse é um bom exemplo de como se posicionar como adaptação de quadrinhos sem se envergonhar disso. Em nenhum momento o seriado do Flash tentava ser realista. E funcionava assim. E aí está o principal problema de The Cape. Quando a série se solta e se permite ter os elementos de uma HQ, ela se sai bem. Mas aí do nada, ela se reprime e tenta ficar em cima do muro, e falha.

A trama é pulp ao extremo. Temos uma cidade dominada por um chefão do crime misterioso. Um policial honesto é injustamente incriminado e em sua fuga é dado como morto. Pra se vingar, tentar provar sua inocência e, com isso, retornar à sua família, adota a identidade de The Cape, um herói de quadrinhos que seu filho idolatra. Os vilões são caricatos como devem ser numa produção com essa proposta, o clima aventuresco aparece quando necessário, mas ainda falta um elemento maior de diversão. Uma característica daquele estilo dos anos 30 era que ao final da história, você se sentia aliviado, pois o bem vencia o mal e mesmo com todo o mistério do decorrer da história, o desfecho era leve pra balancear o suspense. O problema de The Cape é que o personagem é amargurado demais e que é mais fácil terminar o episódio deprimido. Talvez no decorrer dessa temporada, isso mude e o herói passe a entender melhor sua condição e a aceite.

Resta saber se a NBC vai acertar. Com apenas 2 episódios exibidos ainda é cedo pra dizer isso, mas como toda emissora os resultados têm que ser imediatos ou a série pode ter um fim prematuro como teve o Flash. Será que a audiência moderna, acostumada à moda de heróis do mundo real vai aceitar um seriado mais calcado na fantasia? Nem O Sombra sabe!

Veja abaixo o trailer de The Cape, que chega ao Brasil pelo Universal Channel em 11 de fevereiro.

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Trilhas Marcantes: Dick Tracy (1990)

Um ano depois do Batman de Tim Burton chegar aos cinemas com seu visual sofisticado, Warren Beatty estreou sua versão de Dick Tracy, o detetive infalível das tiras de Chester Gould, que desde a década de 30 ganhou inúmeras adaptações. Porém, essa versão cinematográfica se diferenciava por manter a estética que Gould criara. Os vilões desfigurados, os traços tortos dos edifícios. Mais ou menos o que Sin City, de Robert Rodriguez fez. A diferença é que em Dick Tracy tudo era mais "orgânico". Nada de computação pra recriar o visual dos quadrinhos.

Além de contar com um elenco impressionante (além de Beatty no papel principal, participações de Al Pacino, Dustin Hoffman, James Caan e Madonna), o longa teve trilha composta por Danny Elfman, que já havia criado o tema para o já citado Batman. A música ainda se beneficiaria das canções cantadas por Madonna (uma delas, Sooner or Later chegou a ganhar o Oscar de Melhor Canção original), mas a trilha incidental de Elfman funciona como a alma do filme, que junto com uma impecável Direção de Arte (também premiada com o Oscar) conseguem transpor o clima dos quadrinhos como pouquíssimas obras conseguiram. Abaixo confira uma seleção especial dos temas criados por Danny Elfman.


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Variações do mesmo tema

Você já deve ter se deparado, alguma vez na vida, com um filme lançado em várias versões. Tem Versão do Diretor, Estendida, Sem Censura, Versão Final, e, alguns casos recentes, Versão do Produtor! São tantas variações do mesmo filme que não admira em breve os lançamentos conterem até versão do faxineiro que estava passando pela ilha de edição. Mas afinal, qual a diferença entre todas essas edições?

Talvez o primeiro diretor a se beneficiar de uma reedição tenha sido James Cameron. Lá no começo dos anos 90, três de seus filmes ganharam versões mais longas: Aliens - O Resgate, O Segredo do Abismo e Exterminador do Futuro 2. Em todos os casos, a inclusão de novas cenas trouxe mais à história, dando profundidade e desenvolvimento aos personagens. No caso de Cameron, os estúdios responsáveis tinham, na época, a mentalidade de que filmes longos davam prejuízo. Isso o fez remover cenas que poderiam deixar as produções menos comerciais. Quando do lançamento para Home Video, além da óbvia oportunidade de se ganhar mais dinheiro, Cameron também viu a chance de mostrar ao público as produções que ele tinha intenção de ter lançado. Nada de errado com isso, principalmente quando os longas ficaram melhores com essa decisão.

Na metade dos anos 90, Ridley Scott aderiu à moda e lançou a sua Versão do Diretor para Blade Runner - O Caçador de Andróides. Com a alteração mais significativa sendo a remoção da famigerada narração de Deckard (Harrison Ford), o filme ficou inclusive 1 minuto mais curto. Também é um exemplo de melhora da obra. O problema é que Scott se acostumou com a coisa. Praticamente todos os seus filmes lançados na primeira década dos anos 2000 ganharam reedições e, excluindo Cruzada, nenhuma dessas versões diferentes de seus longas ficaram realmente melhores.

Essa mania de Scott fez os estúdios também adotarem a moda de múltiplos lançamentos do mesmo filme e aí a coisa desandou. São tantos casos que fica mais fácil dizer quais realmente funcionaram. O primeiro exemplo é a trilogia Senhor dos Anéis que ganhou sua Versão Estendida. Reparem no nome, não é versão do diretor. Essa, foi a lançada nos cinemas. A Estendida contém cenas a mais, que realmente ajudam os filmes, mas não refletem exatamente o que Peter Jackson queria ter lançado nos cinemas. É um caça-níqueis que deu certo, porque o que foi adicionado não atrapalhou em nada o ritmo e ainda explicou um monte de coisas que só os fãs sabiam. Em termos de Versão do Diretor, o filme que adapta o herói da Marvel, Demolidor, é também um exemplo válido. A edição que saiu nos cinemas não agradou a crítica que reclamou da falta de história. Como a Fox fez o cineasta Mark Steven Johnson remover um subplot inteiro do filme para o lançamento em tela grande, o estúdio, novamente em um atitude caça-níqueis, deu ao diretor a chance de lançar a sua versão. Resultado: a crítica especializada em grande maioria deu o braço a torcer, elogiando o filme e reclamando do porquê essa edição não ter sido lançada antes. A Fox que não é boba nem nada, acabou decidindo por, sempre que pudesse, lançar o mesmo filme duas vezes. Fez isso com Elektra em um versão sem censura. O nome já é chamativo, dá impressão de conter imagens fortes como violência e sexo. Nada disso. No caso desse filme, simplesmente colocaram alguns minutos a mais e lançaram o DVD sem passar pelo órgão americano que estipula a censura. Achou sacana? Em Quarteto Fantástico, o mesmo estúdio lançou uma versão estendida, com cenas deletadas que já haviam sido mostradas no primeiro lançamento e, o pior, algumas sem os efeitos completados.

A Sony também soube capitalizar em cima dos fãs de quadrinhos. Lançou uma versão estendida do filme do Justiceiro com Thomas Jane e John Travolta. O que já não era tão bom não melhorou e nem piorou, só ficou mais longo em mais um caso de edição porca. As cenas incluídas são visivelmente diferentes por não terem passado pelo mesmo processo de pós-produção. E, como simplesmente jogaram essas cenas no meio da história, existem até erros de continuidade que não existiam na versão anterior. Motoqueiro Fantasma, do mesmo diretor de Demolidor também ganhou da Sony um lançamento estendido. Infelizmente significou mais cenas com o que menos deu certo no filme: a interpretação de Nicolas Cage.

Em 2010, inúmeros filmes foram lançados em edições estendidas e talvez o mais notável seja Salt, o thriller de espionagem com Angelina Jolie. Seu blu-ray contém 3 versões: a de cinema, a sem censura (mesma ladainha da Elektra) e a versão dos produtores! Sim, os produtores, executivos da indústria que geralmente não entendem nada de cinema, agora ganharam a chance de mostrar como o filme teria sido se tivessem dado ouvidos a eles. Entenda isso como quiser. Esquadrão Classe A, Karatê Kid, Corrida Mortal 2, enfim, a lista segue. E quem quer assistir seus filmes preferidos, as vezes acaba gastando dinheiro duas vezes e ainda tem que decidir qual versão é melhor entre várias que por mais cenas que adicionem, não acrescentam nada a um roteiro medíocre.

Dica: confira o site Movie-Censorship.com e conheça as várias versões de um mesmo filme (em inglês).
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Trilhas Marcantes: Ruas de Fogo (1984)

Uma Fábula de Rock and Roll. Só por essa frase, que aparece nos créditos iniciais de Ruas de Fogo, já se tem uma ideia do que virá. Na cola de tentar um visual atemporal, misturando elementos oitentistas com de outras décadas, como fez Ridley Scott com Blade Runner, o diretor Walter Hill, do clássico cult Warriors - Selvagens da Noite, criou um dos filmes de visual mais impactante daquela década. Na história, um caçador de recompensas, vivido por Michael Paré, precisa libertar sua ex-namorada, uma cantora de clubes noturnos interpretada por Diane Lane, das garras de uma gangue de motoqueiros liderada por um jovem Willem Dafoe.

Recheada por uma trilha com grandes influências do Rockabilly dos anos 50, mas com as batidas marcantes do pop/rock dos anos 80, Ruas de Fogo já começa com uma performance videoclíptica da personagem de Lane, na verdade dublando a banda Fire Inc., com a música Nowhere Fast, que tem uma pegada bem parecida com Bonnie Tyler. Confira abaixo.



A introdução do filme foi tão marcante que chegou a ser "homenageada" na abertura do anime Bubblegum Crisis, de 1987. Confira aqui.

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