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Cenas Memoráveis - Hudson Hawk - O Falcão Está a Solta

Essa cena é tão memorável que nem dá pra ficar perdendo muito tempo falando sobre ela. Bruce Willis e Danny Aiello roubando um museu e cantando Swinging on a Star. E depois não entendem quando os críticos dizem que não se fazem mais filmes como antigamente (e esse nem é tão antigo assim, "só" tem 20 anos).


Pra quem não sabe, Bruce Willis tem uma banda de blues e já gravou alguns álbuns no final da década de 80. Aqui ele toca gaita com B.B. King. Pois é.
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The Cape - O herói pulp do século 21

Nos anos 30, livros de bolso, impressos em papel vagabundo, com conteúdo não muito bem visto na época, faziam certo sucesso entre jovens e adultos que buscavam histórias recheadas de mistério e aventura. Dessas publicações saíram personagens como Zorro, O Sombra e o Besouro Verde, além de histórias policiais que serviriam de base para os filmes noir da década seguinte. Esses livros eram chamados de Pulp Fiction (agora você sabe de onde veio a inspiração do Tarantino) e ajudaram a formatar alguns estereótipos para os heróis de quadrinhos que surgiriam dali alguns anos. Batman, Fantasma, Mandrake, Spirit, Doc Savage. São inúmeros os personagens de raíz pulp que ao longo do tempo acabaram adquirindo outras características mas ainda se mantém fiéis às suas origens.

Toda essa introdução se faz necessária para que se possa entender a proposta do seriado The Cape, a nova aposta do canal norte-americano NBC. Com o fracasso de Heroes, que tentava mostrar (pelo menos nos primeiros episódios) como seria nosso mundo se pessoas com super-poderes começassem a aparecer, a emissora agora tenta focar em uma ambientação nitidamente voltada para os quadrinhos. O visual, os diálogos e os personagens carregam todos os clichês que se espera de uma HQ. E não há nada de errado nisso, quando feito com competência.

No início da década de 90, a Warner produziu um seriado de apenas uma temporada do Flash. Com uma direção de arte impecável, inspirada pelo primeiro Batman de Tim Burton, a série agregou certo sucesso, mas precisou ser cancelada por causa do altíssimo custo de sua produção. Esse é um bom exemplo de como se posicionar como adaptação de quadrinhos sem se envergonhar disso. Em nenhum momento o seriado do Flash tentava ser realista. E funcionava assim. E aí está o principal problema de The Cape. Quando a série se solta e se permite ter os elementos de uma HQ, ela se sai bem. Mas aí do nada, ela se reprime e tenta ficar em cima do muro, e falha.

A trama é pulp ao extremo. Temos uma cidade dominada por um chefão do crime misterioso. Um policial honesto é injustamente incriminado e em sua fuga é dado como morto. Pra se vingar, tentar provar sua inocência e, com isso, retornar à sua família, adota a identidade de The Cape, um herói de quadrinhos que seu filho idolatra. Os vilões são caricatos como devem ser numa produção com essa proposta, o clima aventuresco aparece quando necessário, mas ainda falta um elemento maior de diversão. Uma característica daquele estilo dos anos 30 era que ao final da história, você se sentia aliviado, pois o bem vencia o mal e mesmo com todo o mistério do decorrer da história, o desfecho era leve pra balancear o suspense. O problema de The Cape é que o personagem é amargurado demais e que é mais fácil terminar o episódio deprimido. Talvez no decorrer dessa temporada, isso mude e o herói passe a entender melhor sua condição e a aceite.

Resta saber se a NBC vai acertar. Com apenas 2 episódios exibidos ainda é cedo pra dizer isso, mas como toda emissora os resultados têm que ser imediatos ou a série pode ter um fim prematuro como teve o Flash. Será que a audiência moderna, acostumada à moda de heróis do mundo real vai aceitar um seriado mais calcado na fantasia? Nem O Sombra sabe!

Veja abaixo o trailer de The Cape, que chega ao Brasil pelo Universal Channel em 11 de fevereiro.

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Trilhas Marcantes: Dick Tracy (1990)

Um ano depois do Batman de Tim Burton chegar aos cinemas com seu visual sofisticado, Warren Beatty estreou sua versão de Dick Tracy, o detetive infalível das tiras de Chester Gould, que desde a década de 30 ganhou inúmeras adaptações. Porém, essa versão cinematográfica se diferenciava por manter a estética que Gould criara. Os vilões desfigurados, os traços tortos dos edifícios. Mais ou menos o que Sin City, de Robert Rodriguez fez. A diferença é que em Dick Tracy tudo era mais "orgânico". Nada de computação pra recriar o visual dos quadrinhos.

Além de contar com um elenco impressionante (além de Beatty no papel principal, participações de Al Pacino, Dustin Hoffman, James Caan e Madonna), o longa teve trilha composta por Danny Elfman, que já havia criado o tema para o já citado Batman. A música ainda se beneficiaria das canções cantadas por Madonna (uma delas, Sooner or Later chegou a ganhar o Oscar de Melhor Canção original), mas a trilha incidental de Elfman funciona como a alma do filme, que junto com uma impecável Direção de Arte (também premiada com o Oscar) conseguem transpor o clima dos quadrinhos como pouquíssimas obras conseguiram. Abaixo confira uma seleção especial dos temas criados por Danny Elfman.


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Variações do mesmo tema

Você já deve ter se deparado, alguma vez na vida, com um filme lançado em várias versões. Tem Versão do Diretor, Estendida, Sem Censura, Versão Final, e, alguns casos recentes, Versão do Produtor! São tantas variações do mesmo filme que não admira em breve os lançamentos conterem até versão do faxineiro que estava passando pela ilha de edição. Mas afinal, qual a diferença entre todas essas edições?

Talvez o primeiro diretor a se beneficiar de uma reedição tenha sido James Cameron. Lá no começo dos anos 90, três de seus filmes ganharam versões mais longas: Aliens - O Resgate, O Segredo do Abismo e Exterminador do Futuro 2. Em todos os casos, a inclusão de novas cenas trouxe mais à história, dando profundidade e desenvolvimento aos personagens. No caso de Cameron, os estúdios responsáveis tinham, na época, a mentalidade de que filmes longos davam prejuízo. Isso o fez remover cenas que poderiam deixar as produções menos comerciais. Quando do lançamento para Home Video, além da óbvia oportunidade de se ganhar mais dinheiro, Cameron também viu a chance de mostrar ao público as produções que ele tinha intenção de ter lançado. Nada de errado com isso, principalmente quando os longas ficaram melhores com essa decisão.

Na metade dos anos 90, Ridley Scott aderiu à moda e lançou a sua Versão do Diretor para Blade Runner - O Caçador de Andróides. Com a alteração mais significativa sendo a remoção da famigerada narração de Deckard (Harrison Ford), o filme ficou inclusive 1 minuto mais curto. Também é um exemplo de melhora da obra. O problema é que Scott se acostumou com a coisa. Praticamente todos os seus filmes lançados na primeira década dos anos 2000 ganharam reedições e, excluindo Cruzada, nenhuma dessas versões diferentes de seus longas ficaram realmente melhores.

Essa mania de Scott fez os estúdios também adotarem a moda de múltiplos lançamentos do mesmo filme e aí a coisa desandou. São tantos casos que fica mais fácil dizer quais realmente funcionaram. O primeiro exemplo é a trilogia Senhor dos Anéis que ganhou sua Versão Estendida. Reparem no nome, não é versão do diretor. Essa, foi a lançada nos cinemas. A Estendida contém cenas a mais, que realmente ajudam os filmes, mas não refletem exatamente o que Peter Jackson queria ter lançado nos cinemas. É um caça-níqueis que deu certo, porque o que foi adicionado não atrapalhou em nada o ritmo e ainda explicou um monte de coisas que só os fãs sabiam. Em termos de Versão do Diretor, o filme que adapta o herói da Marvel, Demolidor, é também um exemplo válido. A edição que saiu nos cinemas não agradou a crítica que reclamou da falta de história. Como a Fox fez o cineasta Mark Steven Johnson remover um subplot inteiro do filme para o lançamento em tela grande, o estúdio, novamente em um atitude caça-níqueis, deu ao diretor a chance de lançar a sua versão. Resultado: a crítica especializada em grande maioria deu o braço a torcer, elogiando o filme e reclamando do porquê essa edição não ter sido lançada antes. A Fox que não é boba nem nada, acabou decidindo por, sempre que pudesse, lançar o mesmo filme duas vezes. Fez isso com Elektra em um versão sem censura. O nome já é chamativo, dá impressão de conter imagens fortes como violência e sexo. Nada disso. No caso desse filme, simplesmente colocaram alguns minutos a mais e lançaram o DVD sem passar pelo órgão americano que estipula a censura. Achou sacana? Em Quarteto Fantástico, o mesmo estúdio lançou uma versão estendida, com cenas deletadas que já haviam sido mostradas no primeiro lançamento e, o pior, algumas sem os efeitos completados.

A Sony também soube capitalizar em cima dos fãs de quadrinhos. Lançou uma versão estendida do filme do Justiceiro com Thomas Jane e John Travolta. O que já não era tão bom não melhorou e nem piorou, só ficou mais longo em mais um caso de edição porca. As cenas incluídas são visivelmente diferentes por não terem passado pelo mesmo processo de pós-produção. E, como simplesmente jogaram essas cenas no meio da história, existem até erros de continuidade que não existiam na versão anterior. Motoqueiro Fantasma, do mesmo diretor de Demolidor também ganhou da Sony um lançamento estendido. Infelizmente significou mais cenas com o que menos deu certo no filme: a interpretação de Nicolas Cage.

Em 2010, inúmeros filmes foram lançados em edições estendidas e talvez o mais notável seja Salt, o thriller de espionagem com Angelina Jolie. Seu blu-ray contém 3 versões: a de cinema, a sem censura (mesma ladainha da Elektra) e a versão dos produtores! Sim, os produtores, executivos da indústria que geralmente não entendem nada de cinema, agora ganharam a chance de mostrar como o filme teria sido se tivessem dado ouvidos a eles. Entenda isso como quiser. Esquadrão Classe A, Karatê Kid, Corrida Mortal 2, enfim, a lista segue. E quem quer assistir seus filmes preferidos, as vezes acaba gastando dinheiro duas vezes e ainda tem que decidir qual versão é melhor entre várias que por mais cenas que adicionem, não acrescentam nada a um roteiro medíocre.

Dica: confira o site Movie-Censorship.com e conheça as várias versões de um mesmo filme (em inglês).
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Trilhas Marcantes: Ruas de Fogo (1984)

Uma Fábula de Rock and Roll. Só por essa frase, que aparece nos créditos iniciais de Ruas de Fogo, já se tem uma ideia do que virá. Na cola de tentar um visual atemporal, misturando elementos oitentistas com de outras décadas, como fez Ridley Scott com Blade Runner, o diretor Walter Hill, do clássico cult Warriors - Selvagens da Noite, criou um dos filmes de visual mais impactante daquela década. Na história, um caçador de recompensas, vivido por Michael Paré, precisa libertar sua ex-namorada, uma cantora de clubes noturnos interpretada por Diane Lane, das garras de uma gangue de motoqueiros liderada por um jovem Willem Dafoe.

Recheada por uma trilha com grandes influências do Rockabilly dos anos 50, mas com as batidas marcantes do pop/rock dos anos 80, Ruas de Fogo já começa com uma performance videoclíptica da personagem de Lane, na verdade dublando a banda Fire Inc., com a música Nowhere Fast, que tem uma pegada bem parecida com Bonnie Tyler. Confira abaixo.



A introdução do filme foi tão marcante que chegou a ser "homenageada" na abertura do anime Bubblegum Crisis, de 1987. Confira aqui.

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Resenha Blu-Ray - Alien Anthology parte 4

Alien – A Ressurreição (1997)

Se a maior falha de Alien³ foi não trazer nada de novo pra franquia, o que dizer do quarto filme? Dirigido pelo francês Jean-Pierre Jeunet (Amélie Poulain), A Ressurreição do título se refere apenas ao retorno de Ripley (Sigourney Weaver), agora um clone. Não é o renascimento da cinessérie, como deveria ser e na verdade serve como o último prego no caixão que enterrou de vez os monstros alienígenas.

Jeunet deve ser a escolha menos óbvia para se fazer um Alien. Quem conhece a filmografia do diretor reconhece seu forte estilo visual, principalmente pelo suspense Ladrão de Sonhos, e sabe o quão europeu ele é em suas escolhas, tanto no casting, quanto no ritmo. Por “sorte” o francês entendeu que a Fox o via como um diretor contratado e nada mais. Segundo ele mesmo, no Making Of, fazer este filme foi como dirigir um longo comercial. Porém, com a vantagem de ter uma certa liberdade, desde que não saísse do orçamento. Com o roteiro já pronto, escrito por Joss Whedon (o criador de Buffy), Jeunet só adicionou um pouco do que ele considerava interessante visualmente. E por fim, a película é isso mesmo: visual. Alien – A Ressurreição é impecável na fotografia, nos cenários, figurinos e efeitos práticos. Mas, na história mesmo, é uma falha enorme.

O elenco de apoio tem nomes até mais interessantes do que os dos filmes anteriores, se feita a comparação. Winona Ryder, Ron Pearlman, Michael Wincott, Dan Hedaya e Dominique Pinon são atores que costumam engrandecer as produções em que atuam. Porém, devido ao fraco desenvolvimento por parte do texto de Whedon, acabam decepcionando. Pearlman faz um dos personagens mais inconstantes de sua carreira, quase um bipolar. Ele desconfia e discute com Ripley o tempo todo para, no último ato, ao ver a personagem voltando do ninho dos alienígenas soltar um sorridente e animado: “Ripley is back, man!”. Isso depois dela quase arrancar a língua dele em uma discussão. Ryder, faz a andróide com consciência e dona das atitudes mais estúpidas possíveis, como entregar uma arma pra alguém que ajudava a equipe a contra-gosto e visivelmente a favor dos monstros. Isso sem mencionar a desculpa esfarrapada para trazer Weaver de volta, transformando Ripley num clone com poderes especiais.

Pra não dizer que a quarta parte da franquia não tem pontos positivos, além dos mencionados anteriormente como o visual, a trilha sonora é envolvente e provavelmente uma das melhores da série. E, se Jeunet trouxe algo realmente novo para Alien foi o humor negro, que até caiu bem num filme que já soa ridículo em sua própria concepção. Não levar aquilo tudo à sério foi uma decisão acertada por parte do francês. Talvez graças ao diretor Alien 4 é também o mais sexual de todos. Se o monstro é um símbolo fálico criado por H.R. Giger, todo o resto nessa produção é extremamente feminino. Do ovo, agora pulsante, até o ferimento da andróide interpretada por Ryder, tudo é mostrado com uma quantidade até exagerada de fluidos. Do mais, A Ressurreição é um erro atrás de outro e de forma alguma faz jus à uma antologia de filmes que começou com Ridley Scott e James Cameron.

Vídeo – A qualidade de vídeo é ótima, enfatizando a fotografia de Darius Khondji, com uma paleta de cores muito interessante. A cena debaixo d’água é, de longe, a mais interessante do filme, devidamente granulada e cheia de detalhes. Infelizmente, por ser o mais recente da série, talvez não tenha tido o mesmo cuidado de remasterização dos dois primeiros, mas ainda assim é um passo gigantesco em relação à sua edição em DVD.

Áudio – Tiros, explosões, grunhidos dos alienígenas. A edição de som de Alien – A Ressurreição é muito bem feita e a faixa em DTS HD tudo fica extremamente claro. Os diálogos são limpos e o áudio-ambiente da nave é muito envolvente. Talvez por ser mais novo, seja o que mais faz bonito do Home Theater.

Extras – Seguindo a tradição, o Making Of é esclarecedor, mas a produção desta vez não foi tão conturbada. A não ser pelo depoimento do produtor David Giler, que praticamente renega esse filme e pelo relato do fim do relacionamento de Jeunet com seu freqüente colaborador Caro. Tudo porque a visão artística deste último não batia com a proposta da Fox. Os dois nunca mais trabalharam juntos. Um destaque do documentário é o longo processo de produção da cena submersa que levou quase 1 mês pra ser completada. Como foi a primeira sequência a ser rodada serviu para pavimentar a relação entre os atores e criar um ambiente, que segundo os envolvidos, foi muito agradável, em contra-partida aos três anteriores.

Também estão presentes alguns featurettes, inclusive um que tenta prever como seria um quinto filme, com vários envolvidos na série dando suas opiniões. Interessante saber que não é de hoje a vontade dos produtores em criar uma história anterior ao primeiro, mostrando a origem do Space Jockey. Segundo as últimas informações é exatamente isso que Ridley Scott está preparando para seu retorno à franquia. Os já habituais comentários em áudio também estão presentes, assim como material de divulgação original, trailers e comerciais de TV.

Avaliação Final: O que começou em 1979 como um dos melhores filmes de terror do cinema, infelizmente não terminou tão bem com um quarto filme bem abaixo do resto da franquia. Pra quem não se importa muito com história, no entanto, leva um exemplar com bastante ação e violência na medida. Os atores foram desperdiçados, mas Alien – A Ressurreição até contém boas cenas, como a submersa. Em termos de extras, como nos anteriores, a Fox da um show em selecionar tão bem o conteúdo.

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Especial Tron - O novo filme

Tron – O Legado

Há muito tempo fala-se em uma sequência de Tron – Uma Odisseia Eletrônica, o clássico oitentista que chega ser profético com o uso de computação gráfica no cinema. A pergunta, antes mesmo de se saber quando a continuação sairia, sempre foi: o quão relevante um novo Tron pode ser? De cara, para que você, leitor, não crie expectativas muito altas, esta resenha alerta: o novo filme não é revolucionário. Embora muito se tem falado da tecnologia usada para rejuvenescer Jeff Bridges, isso não é novidade. Já foi usado em X-Men 3 e de forma abundante nos últimos volumes da cinessérie Resident Evil para mantar Milla Jovovich jovem. O 3D é bom, usado mais para dar noção de espaço do que gratuitamente com coisa atiradas à tela, mas não é nada que Avatar já não tenha mostrado. Então, porque vale a pena assistir Tron – O Legado?

Um dos grandes trunfos do original era abusar da inocência do espectador para causar surpresa com os efeitos especiais. E nisso, Joseph Kosinski, diretor da sequência, junto com o roteiro de Adam Horowitz e Edward Kitsis, consegue preservar. Os fãs da Odisséia Eletrônica oitentista vão se sentir em casa com as citações, referências e brincadeiras com o original. E com a reverência com que o Kosinski trata a obra. Uma aventura descompromissada, com grandes cenas de ação e que transporta quem quer que esteja assistindo a uma viagem em que o destino é alcançado com um grande sorriso no rosto. A trama começa explicando que Kevin Flynn (Bridges), o protagonista do primeiro filme, recriou a Grade à sua maneira, com a ajuda de Tron (Bruce Boxleitner) e CLU (também Bridges), o programa que no começo do original é capturado pelo MCP. Logo depois Flinn desaparece deixa ao filho Sam (Garret Hedlund) o império construído com a empresa Encom. O problema é que o garoto cresce com os ideais libertários do pai e pratica atos de “ciberterrorismo” dentro de sua própria herança. Depois dessa rápida apresentação, Sam vai parar na Grade e descobre que CLU a dominou e, numa espécie de alusão à Revolução dos Bichos de George Orwell, agora a governa com mão de ferro.

Assim como no filme de 1982, a trama é básica e sem nenhum grande atrativo. O espetáculo fica por conta do visual, que atualiza as criações do quadrinhista francês Moebius, deixando tudo ainda mais parecido com a obra do artista. Como Flynn recriou a Grade, foram tomadas algumas liberdades quanto a apresentação dos personagens, agora mais humanizados e “orgânicos”. Com isso Tron – O Legado tem uma forte semelhança com obras Cyberpunk como os quadrinhos de Enki Bilal ou Blade Runner. Os efeitos são realmente impressionantes e não soam forçados a não ser o já mencionado Jeff Bridges jovem, que não tem vida em seu semblante tornando muito claro que aquilo tudo é digital. Mas não chega a atrapalhar a experiência. Bridges, por sinal, também aparece em sua versão atual, com uma interpretação muito competente, transformando Kevin Flynn em uma figura sábia, que mistura nuances de um mestre Jedi com um velho Hippie. Outro destaque do elenco é Michael Sheen, extremamente à vontade com seu excêntrico Castor, um personagem ambíguo com look de David Bowie e exageros à lá Jim Carey (é sério!). Olivia Wilde como Quorra se esforça mas sua personagem detém um dos clichês mais bobinhos de histórias sobre opressão e liberdade: ela quer conhecer o sol. Por fim, a atuação mais apagada é a de Hedlund. Sam Flynn, embora tenha boas sacadas nos diálogos, não tem o menor carisma e desaparece em meio aos talentos de Bridges e Sheen.

Além do visual, Tron – O Legado tem em sua lista de acertos a trilha sonora do Duo de DJs Daft Punk. É a primeira vez que eles compõem para um filme e o resultado é incrível. Imersiva, onipresente e talvez, tão relevante quanto os próprios efeitos especiais. Talvez a única trilha incidental que faça tanta parte da trama dessa forma seja a de Vangelis para o clássico Blade Runner. Todo o clima e ritmo da película estão profundamente ligados à música. Será uma grande injustiça a provável não inclusão do Daft Punk na lista do Oscar de melhor trilha sonora, já que a academia não indica duplas.

A resposta para a pergunta se vale a pena assistir Tron – O Legado é muito simples: sim, vale. Por ser um filme sincero e, mesmo com roteiro fraco, unir tantos acertos. Como já era de se esperar, talvez não seja tão relevante pro cinema como foi seu antecessor. Talvez não se torne cult também. Mas cumpre a premissa de entreter. Porque, como diz um personagem lá pelas tantas, “quando se procura a perfeição, se esquece de olhar pro que está bem a sua frente”. E o que estava bem a frente de diretor e roteiristas com a chance de renovar um clássico era justamente isso. Entreter, sem culpa.

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