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Rapidinhas: Algumas séries da Fall Season

Na última semana começou oficialmente a chamada Fall Season, período em que uma enxurrada de seriados invadem a televisão norte-americana. São novas temporadas de programas já consagrados e estreias de séries que podem ainda dar o que falar nos próximos meses. Peguei pra analisar 3 das novidades da última semana, baseadas no que pretendo assistir. Abaixo rápidas análises do que vi. Atenção, se você ainda não viu os episódios analisados, existem alguns spoilers sobre eles nos textos.

Hawaii 5-0 - Segunda Temporada: A série que traz de volta um enorme sucesso dos anos 70 e 80 foi uma surpresa agradável em 2010. Nos últimos anos foram feitas algumas tentativas frustradas de remakes de seriados antigos e quando Hawaii 5-0 foi anunciado, não veio com muita expectativa. Mas, o programa agradou e garantiu uma segunda temporada, merecidamente. O primeiro dos novos episódios vem para dar um desfecho ao enorme gancho deixado pelo final do primeiro ano. O 5-0 está desmanchado, Steve está preso e seus antigos parceiros tentam de alguma forma provar sua inocência. Eis que surge um novo personagem, o Comandante Joe White, o homem que treinou McGarret no exército, interpretado por Terry O'Quinn, famoso pelo John Locke de Lost. Adição mais que bem vinda, pois chama atenção dos fãs da finada série, e proporciona o encontro com seu antigo colega de ilha, Daniel Dae Kim. O episódio não perde o fôlego que os espectadores já acostumaram a ver em Hawaii 5-0, aquela sensação de que se está assistindo a um filme de ação, com cenas muito bem elaboradas e edição frenética. O que incomoda um pouco é a necessidade de uma conclusão rápida da situação da equipe, o que leva o roteiro a usar de uma artimanha nada criativa. Talvez fosse mais interessante que o problema enfrentado pelos protagonistas ainda durassem mais uns dois episódios, sem precisar usar a desculpa de uma câmera com um armazenamento infinito pra inocentar McGarret. Pra encerrar, o capítulo ainda faz uma revelação de última hora, abrindo terreno pra várias mudanças no tom dos futuros episódios.
Avaliação
: se você já acompanhava a série, com certeza deve continuar assistindo. Se você ainda não conhece, pode ser interessante e divertido, mesmo com alguns elementos que necessitem de uma prévia passagem pela primeira temporada.
No Brasil
: não deve demorar pra estrear na TV paga.

Charlie's Angels - As Panteras: já que o assunto é refilmagem de seriados clássicos, a dupla responsável por Smallville, Al Gouh e Miles Millar, resolveu pegar carona no sucesso de Hawaii 5-0 e trazer de volta As Panteras para a TV. Pelo piloto nota-se um agradável respeito pelo original, na forma como a história é contada, mas isso soa antiquado. Assistir as novas Angels é como assistir às antigas. Além do Bosley ser muito mais jovem do que na versão original, não há novidades nessa releitura. Infelizmente isso deve pesar contra o seriado, que tem recebido críticas nada amigáveis, justamente por essa falta de criatividade, o que leva a discussão: se não é pra trazer algo novo, pra quê refazer? O novo Bosley, interpretado por Ramon Rodriguez, ao contrário do que se temia, não é um problema e funciona, protagonizando inclusive uma piada interna muito interessante em sua introdução. Mas é só. E mesmo que o trio de beldades (formado por Annie Ilonzeh, Minka Kelly e Rachael Taylor) possa ser um motivo pra se acompanhar o seriado, não é suficiente pro grande público que se acostumou com boas produções do gênero de ação lançadas recentemente.
Avaliação: talvez seja interessante esperar mais uns dois episódios pra decidir se vale a pena ou não, mas por enquanto, As Panteras não deixa o espectador pedindo por mais.
No Brasil: sem previsão de estreia, por enquanto.

Person of Interest: A união de dois promissores nomes: J.J. Abrams e Jonathan Nolan. O primeiro, criador de Lost, ainda não conseguiu outro sucesso televisivo do mesmo calibre pra colocar no curriculum. O segundo, irmão do cineasta Christopher Nolan, é o roteirista de Batman - O Cavaleiro das Trevas. Person of Interest é criada por Jonathan, que tem o peso do nome de Abrams como produtor. No elenco está Jim Caviezel como um ex-agente norte-americano que depois que perdeu a namorada, abandonou sua antiga vida e se tornou um mendigo. Michael Emerson, o Ben de Lost, é um misterioso homem que contrata o personagem de Caviezel para impedir crimes que um supercomputador foi programado para prever. O melhor do seriado não são suas cenas de ação, mas sim sua abordagem contemporânea da paranóia causada pelo ataque às Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001. Aquele dia foi histórico e trouxe muitas mudanças, e as vidas de ambos os protagonistas foram completamente colocadas de ponta-cabeça pelo evento. Nolan trabalha com uma ideia que já havia aparecido em Cavaleiro das Trevas: a da constante vigilância, que não leva em conta direitos como a privacidade. A série, por enquanto, parece ser baseada na velha fórmula de episódios fechados, mas sendo produzida por Abrams, tudo pode acontecer, e pode ser que tenha uma mitologia maior a ser desvendada.
Avaliação: pelo piloto, muito bem escrito, vale a pena acompanhar por enquanto.
No Brasil: estreia em 18 de outubro, as 21h no Warner Channel.
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Rapidinhas: Vampiros nos anos 2000 - O século 21 esbanja estilo!

Nos anos 80, eles eram divertidos. Na década seguinte, os que não se tornaram melancólicos, viraram astros de ação. Agora, na entrada de um novo século, as produções cinematográficas com vampiros transbordam visual, em tramas que tentam unir elementos dos 20 anos anteriores.

Anjos da Noite (Underworld, 2003) - O filme de estreia do diretor Len Wiseman, que mais tarde faria Duro de Matar 4.0, segue a cartilha estipulada por Blade, no final dos anos 90. Coloca os vampiros dentro de um filme de ação, enfrentando, numa guerra milenar, seus maiores inimigos, os lobisomens, aqui chamados de Lycans. Mas, Anjos da Noite não tem apenas o Caçador da Marvel como referência. O couro preto, as cenas em slow motion e os tiroteios coreografados quase como uma dança, são egressos do sucesso de Matrix, longa de ficção científica que ditou, e ainda dita, regras para cenas de ação. Na trama, em meio a disputa das duas raças, a vampira Selene (Kate Beckinsale) se apaixona pelo recém-transformado em lobo, Michael (Scott Speedman), e juntos tentam combater ambos os lados, já que o amor proibido os transformam em alvos. A abordagem "Romeu e Julieta" funciona e o romance é bem dosado com ótimas sequências movimentadas e que envolvem muitos efeitos especiais (alguns muito bons, outros muito ruins). O roteiro ainda reserva uma interessante virada envolvendo os vampiros, que muda o ponto de vista da história a favor dos lobisomens. Além disso, a pesada fotografia, unida a um design de produção eficiente e inteligente, trazem uma ambientação gótica que pegou em cheio os fãs do vampirismo contemporâneo, influenciado pela popularidade do RPG Vampiro - A Máscara. Ganharia nos anos seguintes mais três continuações, sendo que uma está em período de pós-produção e seu lançamento está previsto para o começo de 2012.

30 Dias de Noite (30 Days of Night, 2007) - Baseado numa Graphic Novel do escritor Steve Niles, este é um bom exemplo de como os vampiros ainda funcionam como antagonistas de um longa de terror. A premissa coloca os chupadores de sangue atacando uma isolada cidade no Alasca no período do fenômeno do inverno em que o lugar passa 30 dias sem ver a luz do sol. Com isso, os monstros tem a vantagem de não precisarem se esconder. E, por monstros, entenda no sentido literal. Os vampiros de 30 Dias de Noite não esboçam muita humanidade, o que prejudica a visão sofisticada que transformou essas criaturas em seres tão fascinantes. Mas, a proposta do longa é justamente mostrá-los como uma ameaça sanguinária e quase irracional. O recurso serve para que a atenção do espectador fique nos personagens humanos, liderados por Josh Hartnett, impedindo qualquer simpatia por seus antagonistas. Com direção de David Slade, o filme é competente em estabelecer a sensação de isolamento em suas 2 horas de projeção. Longos planos gerais mostrando a imensidão da neve, cenas silenciosas, e um senso de perigo constante ajudam o longa a funcionar dentro de sua pretensão no gênero terror, mesmo que a caracterização dos vampiros não seja das mais interessantes. O líder das criaturas, vivido por Danny Houston, poderia ser interpretado até por um dublê. Não faz muito sentido ter um ator do porte de Houston para fazer um personagem que mais remete a um assassino de slasher (como Jason ou Michael Myers) do que a um ser marcado pela tragédia como Drácula ou Louis de Entrevista Com o Vampiro. Mesmo assim, 30 Dias é um exemplar interessante por tentar uma abordagem mais animalesca das criaturas.

Deixe Ela Entrar (Let The Right One In, 2008) - Produção sueca, que se baseia num livro de John Ajvide Lindqvist, esta é uma das grandes surpresas da primeira década dos anos 2000. Uma história sobre o fim da infância, amor e as características mais sombrias da natureza humana, Deixe Ela Entrar mostra Oskar (Kåre Hedebrant), garoto de 12 anos, que mora com sua mãe e sofre bullying na escola, descobrindo uma bela amizade com sua nova vizinha, Eli (Lina Leandersson), também de sua idade. O problema é que a menina é uma vampira. Ela vive com um protetor, que todos tomam como seu pai, e que na verdade a ajuda a conseguir alimento, ou seja, sangue, matando jovens em locais isolados. O longa faz uma interessante análise do garoto e como suas inclinações psicóticas o levam a adquirir ainda mais afeição por Eli, ao descobrir sua verdadeira natureza. Tudo isso é construído para chegar a um desfecho ainda mais interessante (que não cabe aqui revelar) tornando a trama extremamente coerente com todas as pistas deixadas ao longo da produção. O filme ainda traz um visual de encher os olhos, com a direção de Tomas Alfredson e fotografia de Hoyte van Hoytema, que destaca tanto as cenas externas, com o auxílio da impressionante paisagem coberta por neve, quanto as internas, principalmente as que se passam no isolado quarto de Oskar, ambiente que reflete sua personalidade obscura. Ganhou uma refilmagem norte-americana, Deixe-Me Entrar, que faz jus a obra, mas não supera o original.

Sede de Sangue (Thirst, 2009) - O cineasta coreano Park Chan Wook, de Oldboy, adere ao vampirismo como resultado de uma doença. Na trama, um padre, vivido por Kang-ho Song, é contagiado por uma rara forma de lepra, que mais tarde se revela como uma espécie de vampirismo. O diretor cria um longa repleto de estilo e com subtextos suficientes pra criação de um artigo acadêmico. Sua abordagem cínica misturada a situações de extrema ironia, servem para provocar o espectador com várias discussões religiosas, além de fazer uma escancarada análise da psiquê humana, de forma muito similar a Deixe Ela Entrar, porém com personagens de natureza ainda mais distorcida. A galeria de coadjuvantes é fascinante. Há um velho padre que se entrega ao personagem de Song para servir de alimento, a garota por quem o protagonista acaba se apaixonando e que ao longo da trama revela intenções nada boas, levando a um interessante paralelo com Crime e Castigo de Dostoievski, além de outras personagens que surgem pelo caminho. Interessante também é a forma como o romance é levado às últimas consequências quando os amantes vão pra cama. É paixão carnal no sentido mais literal da palavra. Chan Wook ainda cria uma atmosfera sombria que combina muito com seu senso de humor incrivelmente macabro. Um exercício cinematográfico vindo do oriente para trazer uma, mais que bem-vinda, dose de novidade pra um gênero tipicamente ocidental, que aprendeu a se renovar ao longo de décadas de produções. Deixando o gostinho de que, enquanto o cinema existir, vampiros sempre estarão prontos pra colocar suas presas de fora e sugar o sangue de suas vítimas, seja de forma divertida, melancólica ou visualmente impactante.
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Rapidinhas: Vampiros nos anos 90 - A diversão se torna maldição

Os vampiros da década anterior, representados pelo terrir de A Hora do Espanto e pelo rock and roll de Os Garotos Perdidos, cedem lugar a uma visão muito mais angustiante e que faz jus a condição de "criaturas amaldiçoadas", expressão geralmente usada para se referir a esses seres. Abaixo, algumas das obras cinematográficas que ajudaram a moldar o vampiro contemporâneo.

Drácula de Bram Stoker (Dracula, 1992) - Logo no começo dos anos 90, o cineasta Francis Ford Coppola resolveu aplicar sua visão particular da obra mais influente sobre vampiros já escrita. Com ajuda de um elenco afiado, cujos destaques são Gary Oldman como o personagem título e Anthony Hopkins no papel do caçador de vampiros Van Helsing, Coppola transformou o livro de Bram Stoker em um filme com forte apelo romântico e visual teatral, levando o espectador à impressão de estar acompanhando uma ópera. A trama é a mais próxima do que Stoker escreveu e mostra um Drácula que cede à emoções quando se aproxima de Mina (Winona Ryder) e protagoniza cenas que vão de beleza poética (quando transforma as lágrimas de sua amada em diamantes) à crueldade absoluta, ao assumir sua real natureza. Como fraqueza, o longa tem Keanu Reeves no papel de Jonathan Harker, que mesmo se esforçando, não transmite muito carisma, principalmente quando colocado em cena com Oldman, que entrega um dos personagens mais fascinantes de sua filmografia, mesmo quando desaparece debaixo de pesadas maquiagens. Visualmente, além da óbvia influência teatral, há também uma homenagem ao Expressionismo Alemão, quando usa as sombras como recurso de suspense ou enquadramentos pouco convencionais como elemento de narrativa. Regado à uma sensualidade constante, Drácula de Bram Stoker traz o vampiro como centro da trama e não como mero antagonista, característica que seria ainda mais explorada 2 anos depois no próximo longa a ser comentado.

Entrevista com o Vampiro (Interview With the Vampire, 1994) - Neil Jordan, o diretor responsável por essa adaptação de um dos livros da escritora Anne Rice, já havia feito um trabalho magnífico com o mito do Lobisomem em A Companhia dos Lobos e sua abordagem com os vampiros não foi diferente. Como a obra original é focada na psiquê das Criaturas da Noite, Jordan pôde criar um filme exclusivamente sobre o vampirismo, sem a distração de personagens humanos, que aqui aparecem apenas como o "alimento" dos chupadores de sangue. A trama segue Louis, vivido por Brad Pitt, após ser transformado em vampiro por Lestat, Tom Cruise num papel completamente diferente de tudo que havia feito até então. Sua escolha, inclusive, gerou muita polêmica, principalmente após a autora vir a público condenar a adaptação justamente pela presença do ator. Após a estreia do filme, no entanto, Rice se retratou, chegando a publicar uma carta pedindo desculpas a Cruise. Muito justo, já que seu Lestat figura na lista de seus melhores momentos na tela grande. O elenco de coadjuvantes inclui Antonio Banderas, Stephen Rea e uma jovem Kirsten Dunst como Claudia, uma garota adotada pela dupla de protagonistas, depois de também ser transformada em vampira. Entrevista..., além de todas as interpretações psicológicas do roteiro, também é beneficiado por uma direção de arte impecável, da recriação de época (boa parte da história se passa nos séculos 18 e 19), até cenários de encher os olhos, como o lar de uma sociedade de vampiros que vive nos subterrâneos de Paris. Com essas duas visões mais dramáticas e românticas do seres das trevas, os anos 90 começam com abordagens diferentes, mas ainda havia espaço para filmes que não fugiam da pretensão de divertir, como provam os exemplos a seguir.

Um Drink no Inferno (From Dusk Till Dawn, 1996) - Metade da década e o público via com grande entusiasmo a ascenção de Quentin Tarantino como cineasta e roteirista. Com apenas duas produções, o diretor já era aclamado por suas histórias regadas à violência e crimes. Quem foi assistir Um Drink no Inferno, roteirizado e estrelado por Tarantino, e dirigido por Robert Rodriguez, que no ano anterior surpreendeu a indústria com A Balada do Pistoleiro, sua entrada no cinema norte-americano, se deparou primeiramente com o que poderia ser considerado um típico produto de ambos. O filme começa com os irmãos Seth e Richie Gecko (George Clooney e Tarantino) em fuga, depois de um assalto onde mataram policiais e fizeram uma refém. Ao mesmo tempo, um ex-pastor, vivido por Harvey Keitel viaja com seus dois filhos (Juliette Lewis e Ernest Liu) em busca de auto-conhecimento e se hospeda no mesmo hotel onde está a dupla de criminosos, que veem na família e seu enorme trailer, a chance de conseguirem atravessar a fronteira para o México. E é o que acontece. Os Gecko agora só precisam chegar a um bar de beira de estrada, onde, ao amanhecer, se encontrarão com o homem que encomendou o roubo do qual estão sendo acusados. Ao chegarem lá, no entanto, descobrem que o lugar é um antro de vampiros. Como isso acontece com 1 hora de projeção, o filme se torna uma grande surpresa, pela mudança brusca de gênero. Rodriguez dirige o primeiro ato exatamente como dirigiu Balada...: um filme de ação. Porém, quando as monstruosas criaturas da noite aparecem, a mão do diretor pende para o terror B, com o primeiro ataque dos bichos regado a muito sangue falso com cabeças e pedaços humanos voando pela tela. A troca de estilos funciona e surpreende os desavisados, criando uma obra de pura diversão e muito consciente de toda sua inclinação trash.

Blade - O Caçador de Vampiros (Blade, 1998) - Este talvez seja o filme que moldou os vampiros para a década que viria. Baseado num personagem de segundo escalão dos quadrinhos da Marvel, Blade traz Wesley Snipes como o caçador, meio humano, meio vampiro, que jurou destruir as Criaturas da Noite. Ele é um Daywalker, já que a luz do sol não o afeta, assim como a prata, alho e água benta. Porém, sofre da sede de sangue, que é saciada com um soro. O longa, dirigido com muito estilo por Stephen Norrington, tira os vampiros do gênero terror e os coloca como protagonistas e antagonistas de um filme de ação. Apesar de todo o sangue na frente das câmeras, Blade não foi feito para assustar, mas para mostrar ao espectador cenas envolvendo artes marciais, explosões e tudo que se espera de uma adaptação de um herói de HQs. Com efeitos inovadores para a época, o longa conquistou status de cult e ainda gerou uma sequência no início dos anos 2000, superior a este, com direção de Guillermo Del Toro. E deu fruto a várias produções de vampiros com foco na ação ao invés do suspense. Como se não bastasse, serviu pra mostrar que filmes de quadrinhos poderiam ser boas apostas, principalmente depois da bomba que havia sido o último exemplar do Batman, lançado no ano anterior, que desanimou muitos estúdios. Graças a Blade, a Marvel se animou a aprovar os filmes de X-Men e Homem-Aranha, com o resultado favorável de bilheteria que hoje gerou um sem número de adaptações e muito dinheiro para vários estúdios. Nada mal pra um personagem de segunda, não?

Semana que vem, os vampiros entram no século 21!
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Rapidinhas: Ser Vampiro nos anos 80 era um barato!

Vou começar o mês falando de filmes de vampiro, numa série de 3 posts, cobrindo 3 décadas do produções sobre essas criaturas tão fascinantes.

O vampirismo no cinema se confunde com a própria história da sétima arte. Filmes sobre os chupadores de sangue existem desde os primórdios: Do Expressionismo Alemão de Nosferatu, passando pelas inúmeras versões de Drácula, além das produções trash dos anos 70, vampiros sempre exerceram grande interesse no público, fazendo com que nunca saíssem de moda.

Porém, nas últimas 3 décadas tivemos versões que mostraram algo mais, influenciando outras inúmeras interpretações do mito dessas criaturas da noite. Pra começar, vamos passar pela década de 80, que produziu, pelo menos, 4 longas indispensáveis pros fãs do vampirismo.

Fome de Viver (The Hunger, 1983) - Um ano após Ridley Scott apresentar sua extravagância visual em Blade Runner - O Caçador de Andróides, seu irmão, Tony, debuta no cinema com um filme que surge quase como uma prova do talento dessa família em produzir longas com grande apelo de estilo. E isso Fome de Viver tem muito. Uma espécie de resposta ao movimento gótico da época, identificada principalmente pela sequência inicial, embalada pelo grande sucesso do grupo Bauhaus, que na voz de Peter Murphy cantava que Bela Lugosi (o mais famoso Drácula do cinema) estava morto. Na trama, um casal vivido por Catherine Deneuve e David Bowie vive há centenas de anos se alimentando do sangue de suas vítimas para manter a juventude eterna. Porém, ele começa a envelhecer rapidamente, o que já aconteceu antes com parceiros dela, fazendo com que Deneuve inicie a busca por uma nova companhia, uma médica que estuda envelhecimento precoce, vivida por Susan Sarandon. É uma interpretação diferenciada do mito dos vampiros (palavra que nunca é dita no filme) que utiliza vários ícones como o caixão, a luz do sol e o as presas para sugar o sangue, de forma inteligente e criativa. Além disso, inova por se tratar de um romance lésbico (incluindo uma controversa cena de sexo entre ambas protagonistas). Apesar de pecar no roteiro, que é bem raso e não chega a uma conclusão muito satisfatória, principalmente levando em conta o livro que inspirou o roteiro. Para que a "vilã" fosse punida por seus crimes, os produtores insistiram em mudar completamente o tom do desfecho, sacrificando um final pessimista e trágico. Porém, por seu visual marcante e sensual e sua edição bastante inspirada, Fome de Viver é uma das produções mais interessantes dos anos 80 quando o assunto é o vampirismo. Apesar de ter sido um fracasso na época do seu lançamento, adquiriu o status de cult tempos depois, graças ao movimento gótico que foi ganhando força ao longo da década.

A Hora do Espanto (Fright Night, 1985) - Este é um dos vários exemplos de Terrir, misto de terror e comédia que foi bastante popular na década de oitenta. A trama, nitidamente inspirada por Janela Indiscreta de Alfred Hitchcock, mostra um garoto (William Ragsdale) que passa a desconfiar que seu vizinho (Chris Sarandon) é um vampiro que tem matado um grande número de garotas em sua cidade. Pra ajudar a enfrentar o chupador de sangue, busca ajuda de Peter Vincent (Roddy McDowall), um antigo ator de filmes de terror que agora apresenta fitas trash num programa de TV. Muito do que o longa acerta está na participação de McDowall, que cria um personagem muito divertido e no vampiro vivido por Sarandon, ator que se entrega totalmente à proposta e está extremamente confortável no papel. Já boa parte dos problemas residem no rápido descarte de personagens como a mãe do jovem protagonista e mesmo seu melhor amigo (Stephen Geoffreys), que apesar de importante para a trama, não consegue alcançar todo seu potencial. Apesar de algumas cenas violentas, no entanto, A Hora do Espanto é uma boa diversão, ficando mais próximo à clássicos da Sessão da Tarde do que a um terror de bons sustos.

Garotos Perdidos (The Lost Boys, 1987) - O mais oitentista dos filmes de vampiro. Com direção de Joel Schumacher, o longa mostra as criaturas da noite com forte inspiração no Rock and Roll. Diane Wiest faz a mãe divorciada que se muda com seus dois filhos para a pequena cidade de Santa Carla, na costa da Califórnia. Michael (Jason Patric), o mais velho, acaba se envolvendo com uma gangue de motoqueiros e é transformado em um vampiro. Seu irmão, vivido por Corey Haim, começa a desconfiar de algo errado e procura ajuda dos caçadores de vampiros locais, os irmãos Frog (Corey Feldman e Jamison Newlander). Além disso, Wiest começa a se envolver com o misterioso Max (Edward Herrmann), que pode ser um poderoso chupador de sangue, líder da gangue que transformou o personagem de Patric. Garotos Perdidos é uma produção bem sucedida em amarrar tantos subplots e ainda divertir sem, em nenhum momento, parecer arrastado. O roteiro também não faz uso de elementos desnecessários e Joel Schumacher cria uma obra que, apesar do forte apelo visual, não falha no desenvolvimento de seus vários personagens. Entretenimento de qualidade que inspirou várias obras do gênero, principalmente por seu tom que flerta com a comédia e com o terror, encontrado em outras produções posteriores, como Buffy, por exemplo.

Quando Chega a Escuridão (Near Dark, 1987) - Kathryn Bigelow executa aqui um exercício cinematográfico cuja pretensão é unir dois gêneros: terror e western. Lançado nos cinemas com apenas três meses de diferença entre Garotos Perdidos, Quando Chega a Escuridão tem uma trama muito parecida. Ambos protagonistas moram com pais solteiros (aqui é o pai que cuida da família) e tem irmãos menores (neste, uma irmã). Nas duas produções os vampiros são mostrados como um grupo quase familiar, e em ambos os casos há uma criança chupadora de sangue. No filme de Schumacher, o personagem de Jason Patric é atraído por uma garota e, de forma muito similar, o protagonista, aqui vivido por Adrian Pasdar (o Nathan Petrelli, de Heroes), também. Mas enquanto Garotos Perdidos busca uma abordagem pop/rock dos vampiros, Quando Chega a Escuridão é muito mais sombrio, psicológico e romântico. Sim, romântico, porque no fim, o longa da agora oscarizada Bigelow, fala do romance entre o confuso personagem de Pasdar e Mae (Jenny Wright), a garota que o transformou. O ator encarna Caleb Colton como alguém que, ao perceber sua natureza, entende que perdeu o lugar em sua família e tenta abraçar o clã a qual sua nova namorada pertence. O problema são as questões morais: matar pra se alimentar, deixar uma vida inteira pra trás, etc. Com o cenário do oeste norte-americano, com suas paisagens melancólicas quando a noite cai, o longa evolui, com coerência, o protagonista e sua experiência ao lado do grupo liderado por Jesse (Lance Henriksen). Bigelow constrói gradualmente as intenções destes violentos vampiros, principalmente o imprevisível Severen (Bill Paxton), que vê em Caleb uma ameaça à sua vice-liderança. Paxton começa o filme como um clichê ambulante, mas depois se revela, na tensa cena do bar, um vilão ameaçador, com uma interpretação surpreendente. A diretora chega ao fim da década entregando um obra de identidade própria, usando elementos de roteiro típicos de terror com signos inerentes ao western, cuja maior realização está no clímax, que envolve Pasdar cavalgando pela rua principal de sua cidade e se preparando para um duelo à luz da lua (subvertendo, assim, uma das mais icônicas imagens do faroeste: o duelo ao sol). O filme ainda conta com momentos inspiradíssimos (destaque para o ataque ao bangalô onde o clã se hospeda por uma noite), e uma trama que precede o que iria acontecer na década seguinte: o vampirismo como centro e não como o antagonismo clássico a que o cinema estava acostumado.


Não perca, semana que vem a segunda parte deste post, com os vampiros no cinema nos anos 90.
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Rapinhas: Piratas do Caribe - No Fim do Mundo

Esta crítica foi originalmente publicada na primeira versão do RE-ENTER que ainda está no ar!


Se o atrativo do primeiro filme da série era ser uma aventura descompromissada e divertida, Piratas do Caribe – No Fim do Mundo fecha a saga remando contra a maré (trocadilho infame, mas indispensável). Talvez pelo orçamento exagerado, o terceiro e, esperança é a última que morre, último filme da franquia é uma soma de seqüências megalomaníacas. É também a prova (mais uma) de que não adianta tentar, num filme fantástico, amarrar pontas que nunca foram soltas. Há uma estranha necessidade no roteiro de Piratas 3 em explicar o que ninguém queria saber. Isso porque há tantas reviravoltas na história, que em determinado momento a ação do espectador é pensar “ah, que se dane, estou aqui só pelos efeitos mesmo”. Então, o principal defeito do filme é tentar ser sério demais. As piadas que sobraram para Jack Sparrow (Johnny Depp) são poucas, e delas, se salvam umas três. As outras gags, ou são reciclagens dos dois primeiros filmes ou são típicas de algum besteirol do nível “Apertem os Cintos...O Piloto Sumiu”.

Na tentativa de ser sério, o filme já começa errado. Várias pessoas consideradas criminosas, enfileiradas, sendo enforcadas. No meio, um garoto de uns 12 anos. Cena completamente desnecessária feita, sabe-se lá porquê, para chocar ou comover. Como se todo o dramalhão envolvendo Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley) não fosse suficiente. São quase três horas de encontros e desencontros, cada um mais sem pé nem cabeça. Por falar em cenas desnecessárias, o filme usa e abusa dos recursos “violência” e “nojeiras”. Funciona em filme de terror, mas aqui temos um filme baseado num parque de diversões e que deveria ser uma atração família.

Mas, Piratas 3 tem seus bons momentos. O primeiro é a participação de Keith Richards como o pai de Jack. A aparição é pequena, mas vale a espera (é lá por volta de 1h50 de filme...). Outra boa sacada (essa só os cinéfilos percebem) foi uma homenagem ao cineasta italiano Sergio Leone. Com direito a trilha sonora plágio de Ennio Morricone e closes nos rostos dos personagens. Destaque também para a interpretação impecável de Geoffrey Rush como Barbossa. Ele só não é o melhor do filme porque Johnny Depp está lá, dando o ar de sua graça. Mas, com certeza, o grande momento é a batalha final. Quase 45 minutos de tiros, explosões, navios se enfrentando no meio de um redemoinho e muita esgrima.

No geral, o desfecho poderia ter sido melhor, se não fosse a mania de grandeza em buscar ser uma trilogia do nível Star Wars ou Senhor dos Anéis. Se o diretor Gore Verbinski tivesse mantido o ritmo do primeiro filme, o terceiro teria encerrado a franquia de forma muito mais agradável.

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A resenha do quarto filme você encontra aqui.

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Rapidinhas: Largo Winch e A Informante

O Invencível - Largo Winch (2008) - Adaptações de quadrinhos se tornaram um gênero tão mainstream que fica difícil imaginar alguma que não seja produzida nos EUA, baseada em algum herói da Marvel ou DC. As vezes parece que a Europa não tem tradição em HQs ou cinema. Ambos os pensamentos são terrivelmente equivocados, e este Largo Winch é uma boa prova disso. Com direção de Jérôme Salle, realizador de Anthony Zimmer, que depois foi refilmado naquela atrocidade chamada O Turista, o longa mostra o personagem-título (Tomer Sisley), único herdeiro de um império milionário deixado por seu pai adotivo. O problema é que ninguém sabia de sua existência e a diretoria da empresa que deveria ser sua não está disposta a entregar seu futuro nas mãos de um jovem aventureiro. Boas cenas de ação, trama envolvente e que leva o espectador a belas paisagens ao redor do mundo (no melhor estilo James Bond), O Invencível (nome em português que denota previsibilidade, erroneamente), é um longa francês, baseado em quadrinhos belgas (do autor Jean Van Hamme), sem a maior parte dos vícios que o cinema de ação norte-americano adquiriu ao longo dos tempos. O elenco ainda tem Kristin Scott Thomas, Miki Manojlovic e Karel Roden. O filme ganhou uma segunda parte, que estreou no começo de 2011 nos cinemas franceses.

A Informante (The Whistleblower, 2011) - Rachel Weisz está acostumada a entregar belíssimas e poderosas interpretações e aqui não foge à regra. No longa, a atriz é uma policial que se voluntaria para prestar serviços à ONU durante o período de transição que se deu ao final da Guerra da Bósnia em 1999. Quando chega no país, descobre uma rede de tráfico sexual que envolve seus colegas "pacificadores" e a policia local. Embora suas intenções sejam nobres, no entanto, passa a ser desacreditada pelo próprio alto escalão das Nações Unidas e se vê numa trama que a leva à constante paranóia. A diretora estreante Larysa Kondracki também está cheia de boas intenções ao tornar ainda mais pública essa terrível história real porém, apesar de alguma criatividade (principalmente nas cenas em que a personagem se sente perseguida e nos momentos mais fortes, como a tortura das meninas nos bordéis), não oferece muito em narrativa. Vale mais por sua mensagem e pelo sentimento de repulsa que causa ao espectador quando os crimes passam a atingir uma proporção maior do que o imaginado inicialmente pela protagonista. Impossível também não relacionar a atitude da personagem central a do filósofo Diógenes e sua hercúlea missão de perambular pelas ruas com uma lamparina procurando um homem honesto. Weisz passa exatamente pela mesma situação ao perceber que não pode confiar em ninguém naquele ambiente machista e apático, onde mesmo quem não está envolvido em corrupção é relutante em ajudar a mudar a situação. Além da atriz, estão no filme Vanessa Redgrave, Monica Bellucci, David Strathairn e Benedict Cumberbatch, muito mal aproveitado, desaparecendo sem mais nem menos do longa, justo quando sua participação começa a se tornar interessante. No mais é muito eficiente em sua proposta, um tanto pessimista, uma vez que não transmite o sentimento de mudança, mesmo após a enorme luta da protagonista.
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Rapidinha: Arthur - O Milionário Irresistível (2011)

Não adianta reclamar das inúmeras refilmagens que nos últimos anos têm invadido os cinemas. Está fora do alcance de meros mortais, o fato de que os estúdios vêem numa marca que já rendeu bons números, a chance de lucrar novamente. Porém, o caso de Arthur - O Milionário Irresistível merece ser levado em consideração. Primeiro porque a refilmagem da comédia romântica estrelada por Dudley Moore e Liza Minelli em 1981 foi um fracasso de bilheteria tão grande que a Warner sequer perdeu tempo em lançá-lo nos cinemas brasileiros, levando o longa direto pras prateleiras das locadoras. Segundo, porque o filme não falha apenas como produto da indústria cinematográfica e sim como um filme cujas melhores piadas já estavam prontas do original.

Russell Brand, o novo Arthur, até consegue ser engraçado, mas na maior parte do tempo tenta emular os trejeitos e mesmo a voz de Moore, o que chega a ser um tanto irritante. Mas o que realmente incomoda no remake é como as alterações do roteiro chegam a ser ofensivas com o material original. Modificações são necessárias, pra pelo menos justificar uma refilmagem, mas quando mudam atitudes chave dos protagonistas, alterando, assim, a essência da trama, a linha entre desrespeito e criatividade fica muito fina, e com certeza foi quebrada neste caso.

Uma prova de como as mudanças não fizeram bem ao filme está justamente quando a película recria cenas do Arthur oitentista. A maior parte parece totalmente fora de contexto, exatamente porque os personagens já não são mais os mesmos que disseram essa ou aquela fala quando eram interpretados por Moore ou Minelli.

Pra não parecer que o longa é uma completa decepção, a maior parte das piadas envolvendo símbolos da Cultura Pop são engraçadinhas, embora clichê. Helen Mirren como a "babá" de Arthur está ótima, mas isso porquê a atriz é talentosa e consegue usar o texto a seu favor, mesmo quando o roteirista Peter Baynham tira toda a elegância dos momentos finais de sua personagem, como mostrados no original, pra cair na cilada do melodrama desnecessário.

Por falar em momentos que não deveriam estar ali, é impossível não se sentir ofendido pelo roteiro quando o filme precisa ser didático pra explicar que Arthur, embora seja milionário, leva uma vida vazia. Isso com quase 80 minutos de projeção. O original faz isso nos 5 minutos iniciais, de forma natural e quem assiste entende o recado sem a necessidade de um discurso arrependido do protagonista.

Pra quem for assistir o filme, um recado: aprecie a bela animação usada nos créditos finais. Mesmo que a esta altura seja meio tarde pra tentar remediar, pelo menos não terá sido uma total perda de tempo.

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Rapidinha Especial – Crítica: Transformers 2 – A Vingança dos Derrotados

Quando da estréia do segundo filme da franquia, fiquei devendo uma crítica. Aproveitando que nesta semana os cinemas novamente recebem um longa com os robozões, nada mais justo que expor meus comentários sobre Transformers 2. Para as críticas do primeiro filme, clique aqui para a minha e aqui para a do Mauro Barreto.


Existem algumas regras para sequências funcionarem. Uma delas (que geralmente é a mais aceita pelos grandes estúdios) é ampliar o que deu certo e melhorar o que não havia agradado. De certa forma foi isso que Michael Bay fez ao dirigir Transformers 2 – A Vingança dos Derrotados. O problema é que com o diretor, “ampliar” significa “exagerar de forma megalomaníaca“. Já havia acontecido em Bad Boys 2 e acontece de novo no segundo filme da franquia baseada nas Action Figures da Hasbro. Bay culpa a greve dos roteiristas pela bagunça que se tornou Transformers 2, mas só quem não conhece os vícios e o senso de humor distorcido do cineasta cai nessa conversa.


O filme traz de volta praticamente todo o elenco da primeira parte numa trama que mistura inúmeros subplots e se torna confusa logo no início. É artefato pra cá, pedaço de AllSpark pra lá. Bay exagera até no MacGuffin, que geralmente é um elemento de roteiro, e cria pelo menos três. Isso sem contar na falta de tato do diretor pra criar uma cena que deveria ser alívio cômico. Perde-se tempo demais com alguma gag que quando ela deveria se tornar engraçada, o espectador já cansou. Perder o timing da piada não é culpa de roteiro.


Como diversão escapista, o primeiro exemplar é mais indicado, já que o segundo acaba cansando com sua duração de 2 horas e meia (como dito acima, exagero megalomaníaco). Bay infelizmente erra a mão com decisões fracas e nem um pouco inspiradas. O traseiro de John Turturro, a região escrotal do Devastator, a câmera quase fazendo um exame ginecológico em Megan Fox e as cenas bregas com coloração saturada demais são apenas alguns exemplos de típicos momentos de um diretor que não sabe quando parar.


Mas Transformers 2 não é um total desastre. Como descrito no primeiro parágrafo, Bay também corrigiu alguns problemas em relação ao longa original. As cenas de ação envolvendo os Autobots e os Decepticons ficaram mais interessantes, ainda que não sejam totalmente perfeitas. Ainda existe o problema de identificar os robôs, principalmente os vilões, já que suas características são semelhantes. Mas pelo menos desta vez, os Transformers ocupam a tela de forma mais satisfatória.


Mesmo com alguns pontos positivos, os negativos se sobressaem e transformam uma obra que deveria ser, pelo menos, divertida, num filme que tanto Bay, quanto seu elenco, tentam apagar da memória.

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Fúria Sobre Rodas (Drive Angry, 2011) - Trama de vingança com Nicolas Cage em que os vilões querem fazer um sacrifício satânico para trazer o inferno sobre a Terra. Motoqueiro Fantasma? Não, mas Fúria Sobre Rodas bem que poderia ser o filme que o Espírito da Vingança da Marvel merecia. O longa, dirigido por Patrick Lussier é daquelas bobagens divertidas ou guilty pleasures, como é moda chamar hoje em dia. Dotado uma atmosfera digna das produções Grindhouse, o filme não esconde em momento algum a vontade de atingir em cheio o público-alvo, já que se posiciona como um autêntico produto pra macho. Seja nos primeiros minutos, com a apresentação da garçonete interpretada por Amber Heard, com a câmera teimando em seguir o traseiro nem um pouco tímido da moça, ou com a fixação do personagem principal por muscle cars, não fica dúvidas quanto a sinceridade do diretor com sua obra. Só por isso já vale ser assistido. Mas se você precisa de outro motivo fique com as cenas absurdas de ação, que só ficam um pouco comprometidas graças a um CGI mal produzido. Feito para as salas de cinema 3D, alguns efeitos poderiam passar sem ser notados graças aos óculos especiais, mas em 2D chegam a distrair a atenção do espectador de tão ruins. Agora, o destaque mesmo vai para o ator William Fichtner, geralmente limitado a personagens sem graça, que surge aqui como um misterioso engravatado que passa o filme caçando o protagonista. Provavelmente Fichtner nunca se divertiu tanto interpretando e suas participações roubam a cena.

A Lista (The Hit List, 2011) - Filme feito direto pro mercado de home video, A Lista é uma espécie de Colateral de baixo orçamento e com menos profundidade. Cuba Gooding Jr. é um assassino do governo que decide não seguir mais as ordens de seus empregadores. Ao mesmo tempo, Cole Hauser vive um engenheiro em um péssimo dia. A promoção esperada no emprego é dada para outro, ao chegar em casa encontra a mulher na cama com seu melhor amigo e ainda precisa lidar com o agiota a quem deve uma considerável quantia de dinheiro. Quando Hauser decide beber pra afogar as mágoas, se encontra com Gooding, que simpatiza com o sofrimento do rapaz e faz uma proposta: que ele escreva o nome de cinco pessoas que gostaria de ver mortas. Pensando se tratar de alguma brincadeira, ele escreve, mas quando as pessoas da lista começam a ser assassinadas, Hauser se torna suspeito e ainda acaba refém do assassino em crise. A comparação com o genial filme de Michael Mann fica evidente a partir do momento que Gooding rapta o engenheiro. Mas para por aí também. Não que o longa seja ruim, mas é da safra de produções cujo destino é uma exibição na TV num sábado a noite. Não espere muita coisa e as chances de se decepcionar são menores.
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A Garota da Capa Vermelha (Red Riding Hood, 2011)- Com o sucesso de Crepúsculo com o público jovem, não é de se estranhar o aparecimento de produções genéricas. Realizado pela diretora Catherine Hardwicke, do primeiro filme da Saga vampiresca, A Garota da Capa Vermelha não escapa do destino de toda cópia: ser pior que o original, que convenhamos não é nenhuma obra-prima. O longa é uma versão reimaginada do conto da Chapeuzinho Vermelho, que até poderia ser interessante, não fossem os diálogos risíveis (existem explicações melhores para a motivação do "Lobo" em episódios do Scooby-Doo) e a direção infantil de Hardwicke. A produção também não ajuda e os cenários são tão falsos que não escondem o fato do filme todo ter sido rodado em estúdio, mesmo tendo 80% de cenas que deveriam ser externas. A direção de fotografia chega a ser irritante, com uma câmera subjetiva vez ou outra que se revela como a perspectiva de vários personagens. Sério, pra passar a ideia de que todos podem ser suspeitos dos crimes cometidos pelo lobisomem, bastava um texto inteligente. O uso de recursos assim, de forma exagerada e sem a menor coerência só comprovam a ineficiência de seus realizadores.

Sem Limites (Limitless, 2011) - Um filme não precisa ser "cabeça" pra ser bom. E pode ser inteligente sem se tornar intragável para as massas. Partindo dessa ideia, Sem Limites agrada por ser um filme direcionado ao grande público, sem subestimá-los. O thriller mostra Eddie Morra (Bradley Cooper), um escritor vivendo um momento de bloqueio criativo. Surge então seu ex-cunhado, um traficante de luxo, que lhe oferece uma nova droga, com a promessa de poder ampliar a capacidade do cérebro humano. Morra aceita tomá-la e, com apenas um comprimido, escreve praticamente metade de seu livro. Procurando sair do momento de fracassos em que se encontra, começa a tomar mais doses, passando por transformações radicais em sua vida, o que inclui ser perseguido por um misterioso grupo. Sem Limites tem vários elementos típicos de Philip Dick, como a própria droga, e algumas sutilezas irônicas do texto. Um bom exemplo é o agiota a quem Morra recorre para iniciar seus empreendimentos. Quando ele toma a droga e se descobre inteligente, cita descobertas que fez no Google. A direção de Neil Burger também é acertada, usando recursos visuais sofisticados e uma montagem ágil para contar a história. E há também Robert De Niro, que embora não apareça muito, foge da interpretação caricata a que tem se dedicado nos últimos anos.


Desconhecido (Unknown, 2011) - Liam Neeson parece ter gostado de ser um herói de ação em Busca Implacável e se arrisca novamente com Desconhecido, um thriller bastante eficiente em prender a atenção do espectador (não é pra isso que são feitos, afinal?). Jaume Collet-Serra dirige o longa que mostra Neeson como o Dr. Martin Harris, chegando com sua esposa em Berlin para uma conferência científica. Mas, ao pegar um táxi, sofre um acidente, e quando acorda descobre que sua mulher não o reconhece e há outra pessoa se fazendo passar por ele. É a típica trama de colocar um personagem comum em situações extraordinárias, o que torna Desconhecido um pouco menos interessante pra quem já está acostumado com thrillers dessa linha. Fica a impressão de que o filme seria muito melhor num mundo onde Busca Frenética, de Roman Polanski ou Cortina Rasgada, de Alfred Hitchcock nunca tivessem sido feitos. No mais, existem boas cenas como a perseguição pelas ruas da cidade alemã ou o clímax, apesar dessa última não conter muitas novidades.

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O Ano do Dragão (Year of the Dragon, 1985) - Michael Cimino, roteirista do segundo filme de Dirty Harry e diretor de O Franco Atirador, não teve muita sorte nos anos 80. Começou a década dirigindo o filme que praticamente levou a United Artists à falência, O Portal do Paraíso, e em 85, para a MGM, realizou este O Ano do Dragão, com Mickey Rourke como protagonista. A trama mostra o policial interpretado por Rourke, encarregado de cuidar da Chinatown de Nova York. Arrogante, decide iniciar uma guerra com a máfia chinesa e acaba atingindo mais do que gostaria. Apesar do ritmo lento, o filme vale por quesitos técnicos como fotografia e direção de arte, que dão ao longa uma atmosfera típica do cinema policial dos anos 50 (com destaque para o figurino do personagem principal). Outro ponto positivo é a caracterização de Rourke, um verdadeiro anti-herói, que toma atitudes às vezes detestáveis para atingir seus objetivos, que, como deixa transparecer, existem por mero orgulho de ser o policial mais condecorado da cidade.

Horas de Desespero (Desperate Hours, 1990) - Ainda do diretor Michael Cimino, essa refilmagem do clássico com Humpfrey Bogart tem Mickey Rourke novamente no papel central. O diretor tinha o ator em grande estima e o considerava perfeito para interpretar o personagem outrora vivido por Bogart. Na trama, um criminoso prestes a ser condenado, foge no meio do julgamento auxiliado por sua advogada, que também é sua amante. Ao se reunir com o irmão parceiro de crimes, inicia sua fuga, que os leva até a casa de um advogado e sua esposa, interpretados por Anthony Hopkins e Mimi Rodgers, fazendo ambos e seus filhos de refém. Sem entrar no mérito de qual versão da história é melhor, o filme de Cimino cria uma tensão crescente, graças a Rourke, que começa como um sequestrador gentil para, aos poucos, se revelar um verdadeiro sociopata. O diretor mostra muita competência também na sequência inicial, que apresenta a namorada do criminoso. A trilha, feita para evocar filmes dos anos 40 e 50, ajuda no ritmo e o suspense psicológico que só aumenta durante a projeção ainda divide espaço com uma espécie de estudo de personagens, que passa por Rourke e chega até a estranha relação entre Hopkins e Rodgers. Infelizmente, o longa sofre um pouco no último ato, com um desfecho um tanto mirabolante. Pesa também a agente do FBI designada para o caso. A atriz Lindsay Crouse não consegue imprimir nenhum tipo de empatia com o espectador, o que atrapalha ainda mais os últimos momentos do filme.

O Mafioso (Kill the Irishman, 2011) - Produção pequena, dirigida e escrita por Jonathan Hensleigh, retrata o caminho de ascenção de Danny Greene (Ray Stevenson), chefe da máfia irlandesa de Cleveland nos anos 70. Pontuando a biografia do criminoso com as várias vezes que escapou de atentados promovidos por seus desafetos, o filme faz uma boa recriação do período, apesar do orçamento apertado. O roteiro faz bem em ser "direto ao ponto" sem enrolar muito a trama. Apesar disso, segue a cartilha dos filmes do gênero fazendo o espectador até gostar do personagem principal, mostrando momentos "sensíveis" de Greene e sempre justificando muito bem cada uma das mortes atribuidas à ele. Com Val Kilmer, Christopher Walken, Vinnie Jones e Vincent D'Onofrio, O Mafioso ou Kill The Irishman, no original, passou batido nos cinemas americanos e no Brasil veio direto para DVD, mas nem por isso deve ser descartado.
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Corpos Ardentes (Body Heat, 1981)- Parte da retomada da estética noir que aconteceu nos anos 80 e 90, este filme de Lawrence Kasdan é uma competente refilmagem do clássico Pacto de Sangue, de Billy Wilder. Durante uma onda de calor na Flórida, um advogado sem escrúpulos (William Hurt) se envolve com a mulher de um rico investidor, vivida por Kathleen Turner, atriz que nasceu para o papel de Femme Fatales. Extremamente sensual, com Turner se benficiando da fotografia de Richard H. Kline e da trilha de John Barry, Corpos Ardentes não chega a ser nenhuma obra-prima, mas desempenha bem sua função, com o inevitável ponto de virada no terceiro ato e mantém o espectador atento aos acontecimentos. A tensão sexual entre os personagens no início do longa remete aos melhores momentos do gênero, como À Beira do Abismo e, claro, sua maior inspiração, a já citada obra de Wilder. Outro destaque é o uso do noir não apenas como estética, mas como parte fundamental da trama. Infelizmente, Copos Ardentes é um filme obscuro e dificil de achar. Foi lançado em Blu-Ray nos EUA, mas no Brasil é uma raridade até em VHS.

Homens em Fúria (Stone, 2010) - Já ouviu dizer de boas ideias desperdiçadas? Pois bem, este é um ótimo exemplo. Robert De Niro é um agente de condicional que, há poucas semanas de sua aposentadoria, aceita pegar um último caso. Edward Norton é o preso, que depois de cumprir 8 anos de um pena de 15, luta para conseguir sua liberdade. Milla Jovovich é a mulher do detento, que resolve, através da sedução, convencer o agente vivido por De Niro a dar um jeito de seu marido sair da prisão. Contando assim, um diretor com maior noção de ritmo e estética teria feito um excelente filme noir. Já um cineasta preocupado em estudos de personagens e disposto a fazer uma parábola sobre alienação (com discussões sobre os efeitos da religião, a vida apática e o direito de se julgar uma pessoa), poderia ter nas mãos um longa para disputar o Oscar. Infelizmente, o projeto foi comandado por John Curran, realizador que não consegue trazer nada para história, a não ser a excelente atuação de De Niro e Norton. Ambos carregam o longa todo nas costas, mas mesmo assim, não conseguem torná-lo interessante pelo que deveria ser: sua trama.

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O noir é um estilo cinematográfico que desde os anos 40 acompanha histórias sombrias, cujos personagens são decadentes e de caráter duvidoso, envoltos em situações sujas e típicas do submundo. Intriga, assassinatos e traição são apenas algumas das características presentes nestas produções que, embora já tenham visto seus dias de glória, ainda existem, mesmo denominadas de neo-noir. Este mês resolvi assistir alguns exemplares da safra de filmes que começou com Chinatown e que teve bons frutos nos últimos anos, como Los Angeles – Cidade Proibida, Dália Negra e mesmo Sin City, adaptação de uma HQ cuja maior inspiração foram os clássicos filmes da época de Humpfrey Bogart ou James Cagney.

Conforme eu for assistindo, vou postando aqui os textos. Escolhi fazer os mini-comentários apenas de longas mais desconhecidos, já que dos supra-citados existem aos montes pela internet.

Hammett - Mistério em Chinatown (1982): O primeiro filme americano dirigido por Wim Wenders é uma competente homenagem ao cinema noir e a literatura pulp. Dashiel Hammett foi um dos autores mais influentes desse tipo de livros e inspirou inúmeras adaptações cinematográficas de suas histórias. No longa, Hammett (Frederic Forrest) está terminando de escrever sua mais nova aventura quando recebe a visita de um antigo colega (Peter Boyle) de sua época como policial. Ele pede ajuda ao escritor, cobrando uma dívida antiga. Relutante, aceita e acaba envolvido numa trama digna de seus livros. Wenders entrega um trabalho bem "redondo" que funciona como homenagem e ainda tem bons momentos cinematográficos, como a cena que abre o filme, uma espécie de exercício metalinguístico muito interessante. Apesar disso, o diretor alemão não ficou muito contente com o resultado final, já que precisou acatar muitas decisões do produtor Francis Ford Coppola. Na época do lançamento, os críticos também não foram muito generosos, o que fez Hammett fracassar na bilheteria. Embora não seja nenhum Chinatown, é um longa que cumpre o que promete e não tenta ser pretensioso demais (tendo Wenders e Coppola como realizadores, era até de se esperar algo um pouco mais cerebral). Embora Hammett seja um personagem real, o longa é fictício.

O Diabo Veste Azul (1994): Baseado no livro de mesmo nome, escrito por Walter Mosley, este é um autêntico thriller noir, cuja história aos poucos evolui numa trama envolvendo segredos sujos de um candidato a prefeitura de Los Angeles. Denzel Washington é Easy Rawlins, veterano da Segunda Guerra que, no final dos anos 40, está desempregado e precisando de dinheiro pra pagar a prestação de sua casa. Eis que surge a chance de um trabalho que pode lhe pagar bem, quando um obscuro detetive vivido por Tom Sizemore o contrata para encontrar uma garota, interpretada pela eternamente jovem Jennifer Beals. O interessante em O Diabo Veste Azul é a forma como o roteiro, fiel à ideia original do livro, escancara o problema de perseguição aos negros que existia nos EUA naquele momento. Conforme a história caminha, Washington se vê acusado de assassinato simplesmente por causa de sua cor. Boa fotografia, reconstituição de época fiel e ainda uma trilha cheia de referências ao jazz completam o pacote. E menção honrosa à participação de Don Cheadle, que aparece na segunda metade do filme e rouba a cena.

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De volta com essa coluna, alguns filmes que vi recentemente.

O Turista - Engraçado como uma boa ideia pode acabar arruinada por uma direção ruim. Pior ainda quando o elenco é desperdiçado da forma como acontece nesse filme. Além dos protagonistas Johnny Depp e Angelina Jolie, O Turista conta com Paul Bettany, Timothy Dalton e Rufus Sewell como coadjuvantes, mas que em momento algum mostram a que veio. O roteiro, com sua reviravolta no fim, lembra os bons tempos de filmes como Charada, por exemplo. Mas, em nenhum momento o diretor Florian Henckel von Donnersmarck (desafio do dia: fale esse nome 5 vezes seguidas, bem rápido) consegue dar a sua refilmagem da produção francesa Anthony Zimmer, o charme que o citado clássico com Cary Grant e Audrey Hepburn tinha. E olha que o filme se passa em Veneza. Pura incompetência mesmo.

Incontrolável - Tony Scott não é tão bom quanto seu irmão Ridley, mas tem feito filmes bem mais interessantes, pelo menos comercialmente. Incontrolável é um dos melhores filmes pipoca de 2010 e provavelmente o melhor de Scott desde Jogo de Espiões (2003). Denzel Washington e Chris Pine são dois maquinistas que decidem arriscar a vida ao tentar parar um trem desgovernado. A tensão é do início ao fim, marcada pela ótima edição. Os protagonistas também ajudam com uma ótima química. Diversão garantida.

Atração Perigosa - A primeira experiência de Ben Affleck como diretor é uma grata surpresa. Filme de assalto, na linha de Fogo Contra Fogo, tem Affleck também como protagonista e ele não faz feio em nenhuma função. Dirige uma produção que, pode não ser a obra-prima que Michael Mann criou na década de 90, mas que se fecha de forma muito satisfatória. Destaque para a interpretação de Jeremy Renner como o assaltante de banco parceiro de Affleck. Merecida indicação ao Oscar de Ator Coadjuvante.

Por hoje é isso!
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Rapidinhas - Especial Adaptação de Games

Com a estreia, neste fim de semana, de Resident Evil – Recomeço torna-se propícia a análise do já citado filme, assim como outros que foram lançados neste ano. Então vamos lá.

Resident Evil – Recomeço: A série de filmes baseada num dos jogos mais influentes dos últimos 15 anos nunca agradou muito os fãs, mas isso não significa que as produções são de todo ruins. Tudo bem que pouco do estilo do jogo está nessas adaptações, mas convenhamos que são linguagens diferentes e o diretor e produtor Paul W.S. Anderson precisava fazer uma obra que agradasse também aos não iniciados no mundo de Resident Evil. O novo filme, que continua de onde parou o terceiro, tem um atrativo a mais por ser em 3D, mas segue a mesma linha de ação sem cérebro e história praticamente inexistente dos anteriores. Quem conhece os jogos sabe da complexidade da trama envolvendo a Umbrella Corp. e toda infestação de zumbis. Mas nos filmes é tudo muito preto-no-branco. Umbrella=vilão, zumbis=obstáculo pra se chegar ao vilão, Alice=heroína invencível. E é isso. O 3D porém, é incrível. Esse novo filme se vnagloria nos trailers de ter sido rodado com as câmeras desenvolvidas para Avatar de James Cameron. E com razão. Os estúdios que pensam em conversão pra 3D vão ficar morrendo de vergonha ao ver que um filme de entretenimento vazio como Resident se empenhou em criar uma experiência imersiva (a sequência final, com trilha da banda A Perfect Circle é de cair o queixo) que nenhuma dessas produções que as três dimensões são criadas de última hora podem proporcionar. Mas ao mesmo tempo que esse é o maior trunfo do filme, é também seu maior defeito, pois se tirar o 3D não sobra muito motivo pra assisti-lo no cinema. No fim, a impressão é que Resident Evil – Recomeço é um daqueles videos demo de lojas especializadas em TVs de última geração. Só serve pra mostrar como o 3D, quando pensado e filmado de forma correta, pode ser usado pra criar uma experiência única pro espectador.

Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo: Produzido pelo mago dos blockbusters Jerry Bruckheimer e pela Disney, a promessa de Príncipe da Pérsia era a de preencher o espaço ocupado pelos verões passados por Piratas do Caribe. Diversão, ação e efeitos de tirar o fôlego num filme voltado pra família toda. Mas não é bem isso. A ação está lá, os efeitos também, mas o filme não emplaca. A trama é simples demais e há uma necessidade incompreensível de torná-la truncada, o que faz o filme perder o ritmo consideravelmente em momentos que poderiam ser muito melhor aproveitados. Talvez tenha sido por falta de tato do diretor Mike Newell, mas As Areias do Tempo sofre do mesmo mal de sua contraparte dos games: depois de um tempo, as piruetas se tornam cansativas e repetitivas e a promessa de um “algo mais” em diversão nunca se concretiza.

Tekken: Jogos de luta foram a fascinação da garotada nos anos 90. E, praticamente todos ganharam versões de carne e osso, de Street Fighter a Double Dragon (putz!). Faltava mesmo uma versão americanizada de Tekken. Feito direto pro mercado de DVDs, um filme de baixo orçamento, com elenco desconhecido (a não ser por Cary Hiroyuki Tagawa, o eterno Shang Tsung da versão cinematográfica de Mortal Kombat e Gary Daniels, mas as participações são pequenas), acaba se saindo melhor do que as superproduções supracitadas. Os personagens estão lá e o filme não se sente acanhado em mostrá-los nas roupas ridiculas que os acompanha no jogo (com direito ao cofrinho sacana da Christie Monteiro). Ao contrário da última versão de Street Fighter, que inexplicavelmente tenta ser realista (?), Tekken se comporta como deve e apesar dos fracos efeitos, não faz feio nas coreografias e deve agradar os saudosistas que ainda se lembram dos gráficos 2D do jogo. Ah, a história? Fraquinha, fraquinha. Mas pelo menos parece ter sido rodada com honestidade.

King of Fighters: Mais um clássico dos anos 90. Esse sofre do mesmo pecado de Street Fighter – Legend of Chun Li. Se envergonha um pouco das origens do jogo e tenta criar um cenário em que as lutas só existem em outra realidade, pra servir de desculpa pros figurinos ridículos. Tem um elenco mais “conhecido” do que Tekken. Maggie Q e Ray Park. É, só eles. As lutas são bem coreografadas, afinal tem Park dando as piruetas que o tornaram famoso em Star Wars – Episódio I como Darth Maul, mas os efeitos são sofríveis. E o clímax do filme ocupa tempo demais numa luta que envolve quase todos os personagens contra o vilão, fugindo um pouco do clima de game de luta que Tekken conseguiu recriar tão bem.

Na resenha de Max Payne, há alguns anos, contestei a existência de filmes baseados em games. É que a maior parte dos jogos são “adaptações” de histórias que todo mundo já viu no cinema. A única coisa que faz compensar esse tipo de produção é a chance dos fãs verem seus personagens preferidos em carne e osso com alguns efeitos bacanas. As produções citadas nesse post parecem apenas confirmar o que eu já havia escrito. Não há nada de novo no reino dos games e seus filmes. E, pelo visto, nunca haverá.

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Mais algumas minirresenhas pra vocês:

Repo Men - Os Coletores (2010) - Eu não esperava grande coisa desse filme, que tem Jude Law e Alice Braga no elenco. Na história, Law é um Repo, coletor de órgãos artificiais da megacorporação Union. Se quem adquiriu um pulmão, por exemplo, fica sem pagar a parcela, Law é um dos caras que vai entrar na casa da pessoa, dopá-la e tirar o órgão sem se importar se o coitado inadimplente precisa daquilo pra continuar vivo. O que me surpreendeu foi a maneira irônica que o diretor Miguel Sapochnik trata o tema, fazendo lembrar os bons dias de Paul Verhoeven em Robocop e Total Recall. Repo Men por sinal poderia muito bem ser a história de algum conto de Philip Dick. Além de toda a crítica a sociedade de consumo, o filme conta com momentos inspirados como uma "homenagem" a Old Boy e uma sequência muito bem filmada que deveria ser nojenta e acaba sendo até poética no final.

O Escritor Fantasma (2010) - Roman Polanski é um diretor que não precisa provar mais nada (como profissional e não pra justiça norte-americana). E mesmo assim, segue fazendo bons filmes. Esse último, um thriller que faria Hitchcock ficar orgulhoso. Ewan McGregor é o jovem escritor contratado para ser o "fantasma" do ex-primeiro ministro britânico Adam Lang, vivido por Pierce Brosnan. Essa é a designição de escritores anônimos que redigem as "autobiografias" que inundam livrarias mundo afora. Como o típico sujeito errado na situação errada, o personagem de McGregor acaba descobrindo o que não devia e se vê no meio do que pode ser uma conspiração política constrangedora pra Inglaterra. Esse filme é uma das melhores obras de 2010, com uma excelente trilha, um roteiro envolvente e uma sequência final que é uma aula de direção. Uma pena produções assim passarem quase desapercebidas pelos cinemas.

Ipcress - Arquivo Confidencial (1965) - No auge da fama de James Bond, um dos produtores da série, Harry Saltzman decidiu investir em outro agente secreto pra ser levado às telas: Harry Palmer, criação do escritor Len Deighton. O diferencial é que Palmer é praticamente um anti-Bond. Sem as pirotecnias da série 007, Ipcress mostra o agente interpretado por Michael Caine investigando o sequestro de um cientista britânico. No meio da investigação, uma possível conspiração envolvendo lavagem cerebral. Está em 59º lugar na lista dos 100 melhores filmes britânicos de todos os tempos, organizada pela BFI. Ganhou mais duas continuações igualmente interessantes: Funeral em Berlin e o Cérebro de Um Bilhão de Dólares.
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Mais uma sessão nova no blog. Aqui farei breves comentarios sobre filmes que assisti no final de semana. Seja no cinema (quando não merecer uma resenha completa) ou em casa.

- O Vingador do Futuro (Paul Verhoeven, 1990)– Resolvi revisitar adaptações de Philip K. Dick para o cinema. Começando por um dos mais emblemáticos trabalhos de Schwarzenegger. È um típico filme de ação, num background de ficção científica. Arnold está lá, fazendo o que ele realmente sabe fazer. Mas tem algo mais nesse filme. A sátira que Verhoeven adora e praticou muito bem em Robocop continua aqui. Sua visão do futuro é uma brincadeira de humor negro com o presente. Além disso, a mensagem do conto original de Dick continua lá. Lógico que não é nem metade do que se espera da profundidade da historia original, mas, de novo, é um filme de ação.

- Blade Runner (Ridley Scott, 1982) - Ok, já falei tudo sobre o filme aqui. Mas Blade Runner sempre me surpreende. É daqueles filmes que você sempre descobre algo novo. Recomendo assistir o documentário Dangerous Days. É uma prova de como Scott foi firme em suas escolhas, independente do que os donos do filme (os produtores) poderiam imaginar.

- Minority Report (Steven Spielberg, 2002) - Se suas histórias nunca foram adaptadas à risca, é outro problema, mas ninguém pode negar que Philip Dick teve diretores muito competentes a frente de seus contos. Aqui Spielberg faz uma ficção científica que merece respeito pela pesquisa feita sobre o que poderia ser real daqui a 50 anos. Por isso muitas tecnologias que estão surgindo acabam aparecendo nas manchetes como “Aquele troço de Minority Report”. Não é Blade Runner mas também não é tão pras massas quanto Vingador do Futuro. Tom Cruise não faz feio num papel que até exigiria um ator menos limitado. Mas ele sabe até onde pode ir na sua interpretação, por isso não decepciona. Esse filme sofre um pouco com o politicamente correto na hora de tratar do vício do personagem de Cruise. Talvez se caísse nas mãos de um diretor mais underground poderia ter tido uma abordagem mais crua e realista.

O Homem Duplo (Richard Linklater, 2006) – Visualmente é impecável, mas como experiência é uma das mais estranhas que você pode ter. Isso porque onde Minority Report falhou, o Homem Duplo acerta. Temos aqui um diretor que entendeu a abordagem sobre as drogas. Philip Dick passou a maior parte de sua carreira como escritor completamente chapado. Daí as viagens de seus contos. Pois Linklater transformou a história em uma ode a psicodelia. Não é nem um pouco comercial, e demora pra ser digerido corretamente.

O Impostor (Gary Fleder, 2002) – Uma história parecida com O Vingador do Futuro, mas numa abordagem mais próxima a Blade Runner. Se tivesse uma orçamento melhor, um diretor visionário e um ator principal mais carismático (Gary Sinise não consegue fazer cara de sujeito normal...) poderia ser bem melhor. A trama tem todas aquelas viradas que marcam O Vingador do Futuro, mas nenhuma delas realmente decola, a não ser a da cena final. Tudo é muito frio e sem emoção. Mas ainda assim, os elementos típicos de Dick estão lá. Vale conferir se você for realmente fã de ficção científica ou muito curioso. Ou os dois.

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