Hawaii 5-0 - Segunda Temporada: A série que traz de volta um enorme sucesso dos anos 70 e 80 foi uma surpresa agradável em 2010. Nos últimos anos foram feitas algumas tentativas frustradas de remakes de seriados antigos e quando Hawaii 5-0 foi anunciado, não veio com muita expectativa. Mas, o programa agradou e garantiu uma segunda temporada, merecidamente. O primeiro dos novos episódios vem para dar um desfecho ao enorme gancho deixado pelo final do primeiro ano. O 5-0 está desmanchado, Steve está preso e seus antigos parceiros tentam de alguma forma provar sua inocência. Eis que surge um novo personagem, o Comandante Joe White, o homem que treinou McGarret no exército, interpretado por Terry O'Quinn, famoso pelo John Locke de Lost. Adição mais que bem vinda, pois chama atenção dos fãs da finada série, e proporciona o encontro com seu antigo colega de ilha, Daniel Dae Kim. O episódio não perde o fôlego que os espectadores já acostumaram a ver em Hawaii 5-0, aquela sensação de que se está assistindo a um filme de ação, com cenas muito bem elaboradas e edição frenética. O que incomoda um pouco é a necessidade de uma conclusão rápida da situação da equipe, o que leva o roteiro a usar de uma artimanha nada criativa. Talvez fosse mais interessante que o problema enfrentado pelos protagonistas ainda durassem mais uns dois episódios, sem precisar usar a desculpa de uma câmera com um armazenamento infinito pra inocentar McGarret. Pra encerrar, o capítulo ainda faz uma revelação de última hora, abrindo terreno pra várias mudanças no tom dos futuros episódios.
Avaliação: se você já acompanhava a série, com certeza deve continuar assistindo. Se você ainda não conhece, pode ser interessante e divertido, mesmo com alguns elementos que necessitem de uma prévia passagem pela primeira temporada.
No Brasil: não deve demorar pra estrear na TV paga.
Charlie's Angels - As Panteras: já que o assunto é refilmagem de seriados clássicos, a dupla responsável por Smallville, Al Gouh e Miles Millar, resolveu pegar carona no sucesso de Hawaii 5-0 e trazer de volta As Panteras para a TV. Pelo piloto nota-se um agradável respeito pelo original, na forma como a história é contada, mas isso soa antiquado. Assistir as novas Angels é como assistir às antigas. Além do Bosley ser muito mais jovem do que na versão original, não há novidades nessa releitura. Infelizmente isso deve pesar contra o seriado, que tem recebido críticas nada amigáveis, justamente por essa falta de criatividade, o que leva a discussão: se não é pra trazer algo novo, pra quê refazer? O novo Bosley, interpretado por Ramon Rodriguez, ao contrário do que se temia, não é um problema e funciona, protagonizando inclusive uma piada interna muito interessante em sua introdução. Mas é só. E mesmo que o trio de beldades (formado por Annie Ilonzeh, Minka Kelly e Rachael Taylor) possa ser um motivo pra se acompanhar o seriado, não é suficiente pro grande público que se acostumou com boas produções do gênero de ação lançadas recentemente.
Avaliação: talvez seja interessante esperar mais uns dois episódios pra decidir se vale a pena ou não, mas por enquanto, As Panteras não deixa o espectador pedindo por mais.
No Brasil: sem previsão de estreia, por enquanto.
Person of Interest: A união de dois promissores nomes: J.J. Abrams e Jonathan Nolan. O primeiro, criador de Lost, ainda não conseguiu outro sucesso televisivo do mesmo calibre pra colocar no curriculum. O segundo, irmão do cineasta Christopher Nolan, é o roteirista de Batman - O Cavaleiro das Trevas. Person of Interest é criada por Jonathan, que tem o peso do nome de Abrams como produtor. No elenco está Jim Caviezel como um ex-agente norte-americano que depois que perdeu a namorada, abandonou sua antiga vida e se tornou um mendigo. Michael Emerson, o Ben de Lost, é um misterioso homem que contrata o personagem de Caviezel para impedir crimes que um supercomputador foi programado para prever. O melhor do seriado não são suas cenas de ação, mas sim sua abordagem contemporânea da paranóia causada pelo ataque às Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001. Aquele dia foi histórico e trouxe muitas mudanças, e as vidas de ambos os protagonistas foram completamente colocadas de ponta-cabeça pelo evento. Nolan trabalha com uma ideia que já havia aparecido em Cavaleiro das Trevas: a da constante vigilância, que não leva em conta direitos como a privacidade. A série, por enquanto, parece ser baseada na velha fórmula de episódios fechados, mas sendo produzida por Abrams, tudo pode acontecer, e pode ser que tenha uma mitologia maior a ser desvendada.
Avaliação: pelo piloto, muito bem escrito, vale a pena acompanhar por enquanto.
No Brasil: estreia em 18 de outubro, as 21h no Warner Channel.


















A Lista (The Hit List, 2011) - Filme feito direto pro mercado de home video, A Lista é uma espécie de Colateral de baixo orçamento e com menos profundidade. Cuba Gooding Jr. é um assassino do governo que decide não seguir mais as ordens de seus empregadores. Ao mesmo tempo, Cole Hauser vive um engenheiro em um péssimo dia. A promoção esperada no emprego é dada para outro, ao chegar em casa encontra a mulher na cama com seu melhor amigo e ainda precisa lidar com o agiota a quem deve uma considerável quantia de dinheiro. Quando Hauser decide beber pra afogar as mágoas, se encontra com Gooding, que simpatiza com o sofrimento do rapaz e faz uma proposta: que ele escreva o nome de cinco pessoas que gostaria de ver mortas. Pensando se tratar de alguma brincadeira, ele escreve, mas quando as pessoas da lista começam a ser assassinadas, Hauser se torna suspeito e ainda acaba refém do assassino em crise. A comparação com o genial filme de Michael Mann fica evidente a partir do momento que Gooding rapta o engenheiro. Mas para por aí também. Não que o longa seja ruim, mas é da safra de produções cujo destino é uma exibição na TV num sábado a noite. Não espere muita coisa e as chances de se decepcionar são menores.



Horas de Desespero (Desperate Hours, 1990) - Ainda do diretor Michael Cimino, essa refilmagem do clássico com Humpfrey Bogart tem Mickey Rourke novamente no papel central. O diretor tinha o ator em grande estima e o considerava perfeito para interpretar o personagem outrora vivido por Bogart. Na trama, um criminoso prestes a ser condenado, foge no meio do julgamento auxiliado por sua advogada, que também é sua amante. Ao se reunir com o irmão parceiro de crimes, inicia sua fuga, que os leva até a casa de um advogado e sua esposa, interpretados por Anthony Hopkins e Mimi Rodgers, fazendo ambos e seus filhos de refém. Sem entrar no mérito de qual versão da história é melhor, o filme de Cimino cria uma tensão crescente, graças a Rourke, que começa como um sequestrador gentil para, aos poucos, se revelar um verdadeiro sociopata. O diretor mostra muita competência também na sequência inicial, que apresenta a namorada do criminoso. A trilha, feita para evocar filmes dos anos 40 e 50, ajuda no ritmo e o suspense psicológico que só aumenta durante a projeção ainda divide espaço com uma espécie de estudo de personagens, que passa por Rourke e chega até a estranha relação entre Hopkins e Rodgers. Infelizmente, o longa sofre um pouco no último ato, com um desfecho um tanto mirabolante. Pesa também a agente do FBI designada para o caso. A atriz Lindsay Crouse não consegue imprimir nenhum tipo de empatia com o espectador, o que atrapalha ainda mais os últimos momentos do filme.
O Mafioso (Kill the Irishman, 2011) - Produção pequena, dirigida e escrita por Jonathan Hensleigh, retrata o caminho de ascenção de Danny Greene (Ray Stevenson), chefe da máfia irlandesa de Cleveland nos anos 70. Pontuando a biografia do criminoso com as várias vezes que escapou de atentados promovidos por seus desafetos, o filme faz uma boa recriação do período, apesar do orçamento apertado. O roteiro faz bem em ser "direto ao ponto" sem enrolar muito a trama. Apesar disso, segue a cartilha dos filmes do gênero fazendo o espectador até gostar do personagem principal, mostrando momentos "sensíveis" de Greene e sempre justificando muito bem cada uma das mortes atribuidas à ele. Com Val Kilmer, Christopher Walken, Vinnie Jones e Vincent D'Onofrio, O Mafioso ou Kill The Irishman, no original, passou batido nos cinemas americanos e no Brasil veio direto para DVD, mas nem por isso deve ser descartado.


