Saindo do Forno: Novidades do Dia
Telinha: Um Borrão de Esperança
Em 11 de setembro de 2001, um golpe foi desferido contra a maior potência do mundo contemporâneo. Os atos terroristas que fizeram desmoronar as Torres Gêmeas do World Trade Center pegaram os americanos, e o planeta todo, de surpresa. As marcas do trauma foram sentidas imediatamente. Mudanças nos hábitos, medo de tocar no assunto e até mesmo um cuidado com a produção cultural, tentavam fazer a população dos EUA não lembrar de sua fragilidade naquele momento tão difícil. Era neste cenário complicado que a Warner tinha marcado a estréia de Smallville, o seriado que deveria contar a juventude do maior herói da Terra: Superman. O ataque levou a emissora a adiar a exibição do piloto para outubro, ainda relutante sobre se aquele era mesmo o momento para uma série do Homem de Aço. Quando a audiência quebrou recordes, não restava dúvida: era justamente o herói que o povo americano precisava.Maio de 2011. Osama Bin Laden, o grande vilão que orquestrou o ataque em solo estadunidense é finalmente morto pelo exército do Tio Sam. A sensação de alívio, junto a uma mistura distorcida de justiça e vingança, toma conta da população, levando à comemorações e mensagens de apoio ao presidente Obama. Chega ao fim a caçada que começara 10 anos antes, assim como se encerra a jornada que fará Clark Kent (Tom Welling) se tornar o Superman. Apenas uma coincidência, mas com grandes significados. Seria mesmo essa a mensagem que o Homem de Aço passa para a humanidade? E o mundo agora, precisa tanto de um herói como precisava no começo da década passada?
Ao longo de 10 temporadas, Smallville trouxe temas da mitologia do Último Filho de Krypton nunca abordados fora dos quadrinhos. E, principalmente nas duas últimas, tem mostrado grande preocupação em moldar um Superman muito diferente daquele dos filmes , desenhos e derivados. Adaptar o herói para outras mídias sempre significou mostrá-lo da forma mais bidimensional possível. A prática gerou uma percepção de que o Azulão é infalível e que sua única fraqueza é a Kryptonita. Nunca houve a ousadia de colocar Clark Kent dizendo que precisa selecionar as prioridades quando escuta alguém em perigo e como isso é um fardo que poucos conseguiriam carregar. A todo o momento, alguém grita por socorro, mas, se ele resolver salvar a todos, a humanidade poderia se tornar dependente demais de seu maior herói. Sim, no filme dos anos 70, Marlon Brando, no papel de Jor-el, diz isso, mas a idéia nunca é bem aproveitada (muito pelo contrário, a atitude final do herói em mudar o curso da história vai totalmente contra esse princípio). O Homem de Aço é mostrado em Smallvile como um símbolo de esperança e não como um escoteiro superpoderoso que passa o dia tirando gatinhos de cima das árvores.
Embora tenha tomado inúmeras liberdades com a cronologia dos personagens, a série tem como maior atrativo aos fãs justamente o cuidado com o mito do Super, mostrando-o em sua complexidade, cometendo erros e disposto a se sacrificar para salvar não só a mulher que ama, mas o mundo todo. Longe de ser o representante máximo dos ideais norte-americanos, o Azulão de Smallville, assim como sua contraparte nas HQs demonstrou recentemente, está muito mais para um cidadão do mundo do que de um instrumento de propaganda do Tio Sam.
Diversas vezes ao longo das temporadas mais recentes, viajantes do tempo e mesmo os companheiros de Clark em sua jornada, tentam mostrá-lo o significado de sua existência na Terra. O jovem herói em treinamento é relutante, escolhendo inclusive o anonimato, partindo para seus atos heróicos sem o devido reconhecimento. No começo, Clark não entende que suas atitudes precisam de algo mais: um rosto para servir de espelho para a humanidade. Ninguém se sente seguro por causa de um Borrão colorido. Por isso, mais importante do que saber se Tom Welling vestirá a cueca vermelha por cima da calça, é entender a força de suas atitudes como um símbolo a ser seguido.
Dentro deste contexto, fica mais fácil responder as perguntas acima. A interferência norte-americana, feita por motivos políticos nunca interessaria ao Superman. Porém, não haveria hesitação de sua parte ao defender qualquer que seja a região do mundo, de injustiças, intolerâncias ou desastres naturais. No entanto, saber se ele é o herói que a humanidade precisa agora é um pouco mais complicado. Smallville chegará ao fim na época mais promissora da espécie humana, mas também da mais cínica. Valores, ideais e muito do que move um herói em sua jornada, foram deixados de lado. Prefere-se hoje, acreditar no anti-herói, aquele que está à margem da lei e disposto a quebrá-la, que invade a privacidade dos cidadãos e derrota o vilão a qualquer preço. Não foi esse o desfecho do maior filme de HQs dos últimos anos? Superman passou a ser interpretado de forma errada e considerado ultrapassado. Por isso, quando Clark vestir seu uniforme e voar rumo ao sol pela primeira vez, sua missão será muito mais difícil do que enfrentar Lex Luthor ou Darkseid. Ser aceito como a inspiração para atitudes melhores sem parecer piegas, será sua batalha mais árdua.
Saindo do Forno: Novidades do dia
Rapidinhas
Corpos Ardentes (Body Heat, 1981)- Parte da retomada da estética noir que aconteceu nos anos 80 e 90, este filme de Lawrence Kasdan é uma competente refilmagem do clássico Pacto de Sangue, de Billy Wilder. Durante uma onda de calor na Flórida, um advogado sem escrúpulos (William Hurt) se envolve com a mulher de um rico investidor, vivida por Kathleen Turner, atriz que nasceu para o papel de Femme Fatales. Extremamente sensual, com Turner se benficiando da fotografia de Richard H. Kline e da trilha de John Barry, Corpos Ardentes não chega a ser nenhuma obra-prima, mas desempenha bem sua função, com o inevitável ponto de virada no terceiro ato e mantém o espectador atento aos acontecimentos. A tensão sexual entre os personagens no início do longa remete aos melhores momentos do gênero, como À Beira do Abismo e, claro, sua maior inspiração, a já citada obra de Wilder. Outro destaque é o uso do noir não apenas como estética, mas como parte fundamental da trama. Infelizmente, Copos Ardentes é um filme obscuro e dificil de achar. Foi lançado em Blu-Ray nos EUA, mas no Brasil é uma raridade até em VHS. 
Homens em Fúria (Stone, 2010) - Já ouviu dizer de boas ideias desperdiçadas? Pois bem, este é um ótimo exemplo. Robert De Niro é um agente de condicional que, há poucas semanas de sua aposentadoria, aceita pegar um último caso. Edward Norton é o preso, que depois de cumprir 8 anos de um pena de 15, luta para conseguir sua liberdade. Milla Jovovich é a mulher do detento, que resolve, através da sedução, convencer o agente vivido por De Niro a dar um jeito de seu marido sair da prisão. Contando assim, um diretor com maior noção de ritmo e estética teria feito um excelente filme noir. Já um cineasta preocupado em estudos de personagens e disposto a fazer uma parábola sobre alienação (com discussões sobre os efeitos da religião, a vida apática e o direito de se julgar uma pessoa), poderia ter nas mãos um longa para disputar o Oscar. Infelizmente, o projeto foi comandado por John Curran, realizador que não consegue trazer nada para história, a não ser a excelente atuação de De Niro e Norton. Ambos carregam o longa todo nas costas, mas mesmo assim, não conseguem torná-lo interessante pelo que deveria ser: sua trama.
Crítica: Velozes e Furiosos 5: Operação Rio
O que faz uma franquia conseguir manter o seu sucesso é a capacidade de se renovar. Várias afundaram quando não encontraram o tom correto para agradar aos fãs e novos espectadores. Aliás, a chave é essa. Uma série que chega ao quinto filme, 10 anos depois do primeiro, precisa entender que seu público é outro e assimilar as mudanças ocorridas no cinema de ação desde então.É mais ou menos por isso que Velozes e Furiosos 5 surpreendeu ao arrecadar 85 milhões apenas em seu primeiro final de semana nos EUA e deixou a crítica especializada à sua mercê. Lógico que existem aqueles que não conseguem entender, ou aceitar, a existência do cinema pipoca e não medem esforços para recomendar a seu público, que não percam tempo com produções desse nível (função que crítico nenhum deveria desempenhar). Boa parte, no entanto, se rendeu à diversão de excelente nível que o diretor Justin Lin entrega em Velozes 5.
Depois de ajudar seu amigo Dominic Toretto (Vin Diesel, gigante) a escapar da prisão, o ex-agente do FBI Brian O'Connel (Paul Walker) e sua namorada Mia (Jordana Brewster), começam uma fuga que termina no Rio de Janeiro, quando encontram o antigo membro da gangue de Dom, Vince (Matt Schulze). No Brasil, resolvem roubar uns carros, apenas para serem traídos e acabarem na mira do "Rei do Crime" local, Reyes (o ator português Joaquim de Almeida). Além disso, precisam fugir do agente designado à captura do trio, interpretado por Dwayne "The Rock" Johnson. A forma encontrada pelo grupo de se livrar do criminoso é executar um arriscado roubo. Pra isso, chamam "especialistas" em cada área necessária para desempenhar o golpe. Ou seja, praticamente todos os personagens coadjuvantes dos quatro filmes anteriores. À partir deste ponto, Velozes 5 muda seu foco e se transforma num longa de assalto à moda antiga, com elementos familiares à outra franquia: Onze Homens e um Segredo.
Sem perder o timing e deixando cada um dos inúmeros personagens ter seu tempo de tela, Justin Lin não erra a mão nas cenas mais descontraídas do grupo. Porém, são nas cenas de ação que o diretor mostra porque voltou para seu terceiro filme na série. A sequência de perseguição no final é adrenalina pura projetada na tela grande. E, apesar de todas as forçadas de barra, as cenas são bem feitas o sufuciente para que a computação gráfica envolvida não se revele demais, problema que o segundo filme sofreu a exaustão.
Para se livrar do estigma de "filme de rachas", Lin chega a fazer graça com os anteriores. Em determinado momento, o personagem de The Rock critica as modificações feitas à carros clássicos. E, quando o roteiro finalmente leva o espectador para o mundo das corridas clandestinas, a disputa não é mostrada, revelando apenas o resultado.
No quesito elenco, Velozes não compromete. O humor está muito presente por parte dos coadjuvantes, deixando espaço para o relacionamento entre o trio principal. Paul Walker é o mais fraco e não convence muito com sua preocupação em ser um bom pai. Brewster tem uma participação mais ativa do que na quarta parte e Vin Diesel, carismático como sempre, mostra todo seu talento pra herói de ação e o porquê de sua falta ter sido tão sentida nos filmes aos quais não participa. E sua luta com The Rock só não é mais empolgante porque fica pequena perto do que a produção guarda para o final.
E, claro há o fator Brasil. Talvez incomode a audiência tupiniquim, ver o país ser representado daquela forma tão estereotipada, com cara de republiqueta caribenha. Vale lembrar que, há anos, o cinema nacional exporta produções que enaltecem a pobreza, miséria e a criminalidade. Infelizmente, aos olhos de quem não conhece, o Brasil é exatamente daquele jeito. Assim como o cinema Hollywoodiano mostra todo chinês, mestre em artes marciais, todo africano egresso de minas de diamantes e todo inglês com cara de mordomo. A diferença é que a maioria entende e não encana com essas interpretações que podem ser erradas, mas não interferem no andamento e no ritmo do filme (e que são até mesmo necessárias, para o desenrolar da trama). Não dá pra negar uma produção descompromissada por simples melindre.
Ao se renovar, Velozes 5 se torna um longa divertido, feito pra um público que paga por duas horas de escapismo, não quer saber de realismo e não se importa com as leis da física sendo quebradas a todo momento. E, como a cena no meio dos créditos revela, ainda encontra fôlego para mais diversão. Pelo visto, se depender do público, vai ser só uma questão de combustível e da parte dos produtores, diretor e elenco, Velozes 6 virá com o tanque cheio.
Baú do RE-ENTER: O Falcão Maltês - Relíquia Macabra

Quando se fala em cinema noir, a imagem de Humphrey Bogart em preto-e-branco, sugurando uma estatueta de um falcão deve vir à cabeça de muita gente. Não é pra menos. O Falcão Maltês, filme de 1941, dirigido por John Houston, é considerado o pioneiro do gênero. E não só isso, um dos filmes mais influentes da história do cinema.
Uma prova é que, mesmo quem não viu o filme, o conhece, pela imagem descrita acima. Uma produção duradoura como essa, não tem sua fama à toa.
Diversas características do cinema noir são tão marcantes no filme, que provavelmente seu status de pioneirismo não seja em vão, embora anos antes, Scarface, de Howard Hawks, já ter inúmeros elementos que fariam dos filmes policiais dos anos seguintes, famosos. Porém, até então, nenhuma produção havia se definido de forma tão forte. O detetive falastrão, interpretado por Bogart, a Femme Fatale vivida por Mary Astor, a trama envolvendo corrupção da moral, ganância e outros temas recorrentes estão todos lá. E, de uma forma nunca antes vista e copiada pelos anos seguintes (incluindo atualmente).
A interpretação de Bogart se tornou famosa e graças a ela o ator retornou várias vezes ao noir se tornando um símbolo dessa forma, na época, diferente de se fazer um filme policial. Em Falcão Maltês, ele vive o detetive particular Sam Spade, que depois de ter seu parceiro assassinado numa investigação de rotina, decide ir fundo até descobrir a farsa criada para que algumas pessoas coloquem as mãos no tal falcão do título, uma lendária estatueta de valor inestimável que a História julgava perdida.
A direção do filme é competente, e muito bem marcada, como era de se esperar de John Houston. Não há espaço para improvisos por parte dos atores, mas os diálogos são ácidos como limão, dando a interpretação uma autenticidade única. No que se diz respeito à técnica, o filme não é uma superprodução, porém seus cenários e figurinos não fazem feio. São rústicos e escuros por conta da cinematografia, proposital para dar o filme o tom desejado e que se tornaria também uma característica visual do cinema noir.
A ganância é um forte tema presente, expondo toda sujeira que o ser humano é capaz de fazer por dinheiro. Mentir, roubar, matar. São atos comuns em um filme noir, e nesse caso não seria diferente. Não há limites para se conseguir um bom punhado de dinheiro no mundo sombrio de Falcão Maltês.
Humphrey Bogart – Ícone do noir
São raros, os casos de atores que fazem papéis recorrentes a um mesmo gênero e que se firmam por tanto tempo como verdadeiros ícones. Humphrey Bogart é um desses casos.
O ator, nascido em Nova York, começou no teatro em 1921, sem nunca cursar aulas de interpretação. Descoberto pelo produtor Arthur Hopkins, Bogart fez seu nome na peça The Petrified Forest. Após 196 apresentações, em 1936 a Warner Bros. comprou os direitos de filmagem e junto, Bogart, que reprisaria o papel de Duke Mantee, o protagonista da história, no cinema. Começava aí, a carreira cinematográfica do ator.
Mesmo fazendo o personagem que lhe rendeu fama nos palcos, a Warner não deu, entre 1936 e 38, papéis importantes para Humphrey. Foi apenas em 1941 que ele voltaria a protagonizar filmes. Com duas produções de John Houston, Seu Último Refúgio e O Falcão Maltês, o ator conseguiu se firmar com papéis significativos.
No ano seguinte, viria, talvez, o maior de todos, quando Casablanca foi lançado. No filme, Bogart fazia par com Ingrid Bergman, na história de um campo de refugiados da Primeira Guerra em Marrocos. A produção é considerada um dos maiores clássicos da sétima arte.
O ator ganhou um Oscar por sua interpretação no filme Uma Aventura na África, de 1951. Morreu 6 anos depois, vítima de câncer e é considerado um dos maiores mitos da história do cinema norte-americano.
Os Cinco Erros de Velozes e Furiosos 5
Os astros do filme vieram ao Rio de Janeiro para gravar algumas cenas, mas personagens que deveriam ser brasileiros claramente são interpretados por atores de outros países. O caso mais claro é o de Zizi (Michael Irby) que fala português com muito sotaque. Aham, e assim foi com Hulk também. Mas o estranho é ninguém achar esquisito que os italianos das novelas brasileiras falam "Portuliano" (neologismo, desculpa) antes de vir pro Brasil. É, pelo visto a passagem brasileira pela Grande Bota é tão grande que aos poucos o português está sendo incorporado ao idioma deles. #NOT!
No Rio, os personagens aceitam participar de um roubo a um trem em movimento. O problema que o trem de turismo que a sequência mostra não existe no Brasil, infelizmente. Nós viajamos por estradas e pelo ar, mas o transporte ferroviário é precário. As paisagens desérticas também não se parece com qualquer vegetação brasileira. Parafraseando a filósofa Chiquinha: "E daí?"
O vilão Reyes (Joaquim de Almeida) explica como era a convivência entre os portugueses e os índios quando o Brasil foi descoberto. Ele disse que antes dos lusitanos, os espanhóis tentaram dizimar os indígenas e falharam. Quem já assistiu a pelo menos uma aula de História sabe que isso é mentira. É, vai, é uma falha de História, mas... poxa, durante anos nossa capital foi Buenos Aires pros americanos então, dane-se (vou usar a versão Sessão da Tarde pra essa expressão tão querida) .
Os personagens decidem invadir uma das bases secretas do vilão e lá encontram um monte de mulheres vestidas apenas de lingerie que contam o dinheiro da venda de drogas. Além da bizarrice do vestuário, há um erro: a esmagadora maioria das notas é de dólar. A menos que os usuários de drogas costumem passar em casas de câmbio antes das compras, as notas deveriam ser de reais. O gênio considera bizarro as mulheres de lingerie? Poxa, aí está o maior erro já que elas deveriam estar nuas! Essa prática evita que as moças roubem as drogas. Esse cara nunca viu O Gângster do Ridley Scott ou qualquer filme sobre tráfico? E sobre os dólares... ah deixa pra lá...
A tal base secreta do vilão fica no bairro de Leblon. Quem assiste ás novelas de Manoel Carlos sabe que a região tem muitos prédios de apartamentos de luxo e a trilha sonora é sempre de bossa nova. Em “Velozes e Furiosos 5”, o bairro é bem pobre. Acho que eu não entendi o humor. O autor está mesmo usando novela do Manoel Carlos como base? Ok, ele está certo sobre o Leblon, mas... ah vá, desisto.