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Saindo do Forno: Novidades do dia
Rapidinhas
A Garota da Capa Vermelha (Red Riding Hood, 2011)- Com o sucesso de Crepúsculo com o público jovem, não é de se estranhar o aparecimento de produções genéricas. Realizado pela diretora Catherine Hardwicke, do primeiro filme da Saga vampiresca, A Garota da Capa Vermelha não escapa do destino de toda cópia: ser pior que o original, que convenhamos não é nenhuma obra-prima. O longa é uma versão reimaginada do conto da Chapeuzinho Vermelho, que até poderia ser interessante, não fossem os diálogos risíveis (existem explicações melhores para a motivação do "Lobo" em episódios do Scooby-Doo) e a direção infantil de Hardwicke. A produção também não ajuda e os cenários são tão falsos que não escondem o fato do filme todo ter sido rodado em estúdio, mesmo tendo 80% de cenas que deveriam ser externas. A direção de fotografia chega a ser irritante, com uma câmera subjetiva vez ou outra que se revela como a perspectiva de vários personagens. Sério, pra passar a ideia de que todos podem ser suspeitos dos crimes cometidos pelo lobisomem, bastava um texto inteligente. O uso de recursos assim, de forma exagerada e sem a menor coerência só comprovam a ineficiência de seus realizadores.
Sem Limites (Limitless, 2011) - Um filme não precisa ser "cabeça" pra ser bom. E pode ser inteligente sem se tornar intragável para as massas. Partindo dessa ideia, Sem Limites agrada por ser um filme direcionado ao grande público, sem subestimá-los. O thriller mostra Eddie Morra (Bradley Cooper), um escritor vivendo um momento de bloqueio criativo. Surge então seu ex-cunhado, um traficante de luxo, que lhe oferece uma nova droga, com a promessa de poder ampliar a capacidade do cérebro humano. Morra aceita tomá-la e, com apenas um comprimido, escreve praticamente metade de seu livro. Procurando sair do momento de fracassos em que se encontra, começa a tomar mais doses, passando por transformações radicais em sua vida, o que inclui ser perseguido por um misterioso grupo. Sem Limites tem vários elementos típicos de Philip Dick, como a própria droga, e algumas sutilezas irônicas do texto. Um bom exemplo é o agiota a quem Morra recorre para iniciar seus empreendimentos. Quando ele toma a droga e se descobre inteligente, cita descobertas que fez no Google. A direção de Neil Burger também é acertada, usando recursos visuais sofisticados e uma montagem ágil para contar a história. E há também Robert De Niro, que embora não apareça muito, foge da interpretação caricata a que tem se dedicado nos últimos anos.

Desconhecido (Unknown, 2011) - Liam Neeson parece ter gostado de ser um herói de ação em Busca Implacável e se arrisca novamente com Desconhecido, um thriller bastante eficiente em prender a atenção do espectador (não é pra isso que são feitos, afinal?). Jaume Collet-Serra dirige o longa que mostra Neeson como o Dr. Martin Harris, chegando com sua esposa em Berlin para uma conferência científica. Mas, ao pegar um táxi, sofre um acidente, e quando acorda descobre que sua mulher não o reconhece e há outra pessoa se fazendo passar por ele. É a típica trama de colocar um personagem comum em situações extraordinárias, o que torna Desconhecido um pouco menos interessante pra quem já está acostumado com thrillers dessa linha. Fica a impressão de que o filme seria muito melhor num mundo onde Busca Frenética, de Roman Polanski ou Cortina Rasgada, de Alfred Hitchcock nunca tivessem sido feitos. No mais, existem boas cenas como a perseguição pelas ruas da cidade alemã ou o clímax, apesar dessa última não conter muitas novidades.
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Com estreia marcada para 17 de junho nos EUA e 19 de agosto no Brasil, Lanterna Verde tem seu marketing intensificado com três novas prévias para TV. A primeira vale a pena, tem umas imagens novas, as outras é meio que mais do mesmo. Confiram.
Veja o novo clipe do Jane's Addiction
End of The Lies é o primeiro single do próximo álbum da banda, que sai em agosto. O Clipe abaixo não é recomendado para menores (sei que não adianta avisar, mas minha parte tá feita :P).
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Crítica: O Poder e a Lei

A introdução de O Poder e a Lei consegue dizer muito sobre o background do personagem central, Mick Haller (Matthew McConaughey). Passeando pelas ruas de Los Angeles com seu Lincoln da linha Town Car, ele é a essência do advogado com complexo de yuppie do final dos anos 80 e começo dos anos 90. Aquele que faz seu trabalho com a única intenção de ganhar dinheiro.
A escolha do carro, um símbolo americano de poder (O Lincoln é um autêntico modelo de luxo), aliada a canção Ain't No Love in The Heart of The City (cujo título também é "revelador") constroem bem a personalidade do "advogado de porta de cadeia" que McConaughey interpreta. Aliás, não à toa, esse é o nome nacional do livro que o longa se baseia, de Michael Connelly. As rugas do ator, marcadas pela direção de fotografia, surgem para mostrar o quão ultrapassada é essa postura. Só faltou um anel de formatura proeminente, saltando à tela a cada gesto do personagem.
Haller está sempre em busca de casos dos mais baixos níveis, mas que sejam fáceis de ser defendidos, ou seja, dinheiro garantido e pouco trabalho. Eis que cai em seu colo uma acusação de tentativa de estupro. Como o futuro cliente vem de uma rica família local, não pensa duas vezes e aceita defender o playboy vivido por Ryan Phillippe. O que ele não espera, no entanto, é que o caso é mais complicado que parece, e ao mesmo tempo que traz ecos de um antigo erro do advogado, pode também trazer uma chance de redenção com a consciência.
Com uma passagem tímida pelos cinemas norte-americanos, O Poder e a Lei surpreendeu por sua aceitação de público e crítica, graças ao competente roteiro de John Romano e a direção correta de Brad Furman. A fórmula de filmes de tribunal pode acabar caindo no mais do mesmo sem o direcionamento correto. Aqui é diferente por misturar as habituais cenas de advogado de defesa contra acusação e os discursos para o júri com um suspense bem marcado por uma câmera inquieta e uma edição ágil.
Para que o personagem de McConaughey não fosse uma figura detestável, o filme foca nas ramificações de seus atos, quando percebe que pode ter cometido um erro e mandado alguém inocente pra cadeia. Também mostra o advogado como um pai atencioso, frisando que por baixo daquela postura arrogante existe alguém cuja consciência finalmente foi ferida. E a busca pela reparação o faz encarar seu pior medo, o de não conseguir reconhecer a inocência.
O ator já interpretou inúmeros advogados em sua carreira, geralmente com bastante competência, sem muito esforço pra transparecer a canastrice necessária para convencer um júri ou o próprio cliente. Mas em O Poder e a Lei, McConaughey se supera por sair do lugar comum e mostrar ao espectador um personagem que comete mais erros do que se poderia permitir.
Por mais antiquada que seja a atitude de Mick Haller, é ela que o faz repensar suas estratégias e torna sua jornada à redenção um ato quase heroico. Quase, porque no fim, o personagem prefere recorrer à meios menos ortodoxos. Afinal, nem sempre ostentar um Lincoln na garagem é demonstração suficiente de poder.