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Resenha Blu-Ray - Alien Anthology parte 2

Aliens (1986)

Qual o segredo de uma boa sequência? A história de Hollywood tem mostrado que, para uma continuação garantir, além de público, boas críticas, precisa ser diferente do filme original. Ir por um caminho completamente oposto é uma opção arriscada e corajosa, e quando feito com competência tem tudo para, até mesmo, superar o que já foi feito. Essa foi basicamente a premissa de James Cameron ao aceitar dirigir o segundo filme da franquia Alien.

Depois da bem sucedida passagem de Ridley Scott, que introduziu ao mundo o monstro, a Fox considerava uma continuação inevitável. O maior apoiador disso, no entanto saiu da empresa e quem ficou em seu lugar não tinha como prioridade dar continuidade à franquia. Os anos se passaram, outras pesssoas assumiram e Aliens finalmente recebeu sinal verde. Cameron entrou na equação quando estava se preparando pra rodar o primeiro Exterminador do Futuro. Porém seu astro principal, Arnold Schwarzennegger, tinha um contrato a cumprir com a cinessérie Conan e fez o projeto entrar em uma pausa de 4 meses. Nesse intervalo, o diretor aproveitou para escrever 90 páginas de roteiro que seriam apenas o primeiro ato do filme. A Fox gostou tanto da ideia de Cameron que resolveu esperar ele terminar O Exterminador pra que ele pudesse trabalhar integralmente em Aliens.

O resultado foi um filme com uma abordagem bem mais voltada a ação do que ao terror. Cameron era fã do filme original e não achava que tinha de refazer tudo aquilo. Enquanto Ridley Scott optou por um clima claustrofóbico e lento, Aliens teria cenários maiores e um ritmo mais acelerado, tendo por base uma história que envolve militares lutando contra uma horda de alienígenas. Ripley (Sigourney Weaver) é encontrada 57 anos depois dos eventos do primeiro filme, hibernando em sua câmara criogênica. Na Terra ela descobre ter perdido tudo: sua filha, seu emprego e seu lugar no mundo. Acaba aceitando participar de uma missão de resgate que envolve as criaturas que ela conhece tão bem.

A primeira hora de Aliens serve para introduzir um a um, todos os personagens. E são vários, já que estamos lidando agora com um grupo de fuzileiros. Mas, Cameron faz isso de forma tão natural e crível que o espectador entende como aquilo faz parte da história e dificilmente se incomoda pela ação demorar tanto a acontecer. Um adendo deve ser feito aqui: Aliens tem duas versões. Na que foi exibida nos cinemas, muito desse desenvolvimento de personagens é cortado pra acelerar a história. A edição especial tem quase 30 minutos adicionados à trama e é muito mais completa. Cameron, inclusive, prefere essa versão longa.

Quando a primeira criatura aparece, porém, a ação é desenfreada. O filme para um pouco pra respirar em alguns momentos e quando menos se espera é mais sustos, correria e tiroteio. Uma verdadeira montanha russa em seu ritmo. Weaver interpreta Ripley em um crescendo que fortalece ainda mais a sequência final, uma luta contra a Rainha Alien que provavelmente está entre as mais marcantes da franquia.

Aliás é bom lembrar que Sigourney Weaver recebeu uma indicação ao Oscar como melhor atriz por seu desempenho em Aliens. Ela está muito mais confortável neste filme, tendo interpretado outras personagens, mais dramáticas depois do primeiro Alien. Suas cenas com a garotinha Newt são até tocantes, levando em conta o histórico de Ripley. Seu instinto maternal é mostrado de forma muito convincente e seu propósito aqui passa a ser algo muito maior do que simplesmente sobreviver.

Merece destaque também a habilidade de James Cameron de trabalhar com efeitos especiais. Na época era tudo feito “à mão” e sem imagens geradas por computador. Por isso, graças ao perfeccionismo do diretor, tudo tinha de ficar o mais “real” ´possível. E, mesmo agora, 24 anos depois do filme ser lançado, algumas cenas são impressionantes por não denunciarem a idade da produção.

Por seu ritmo acelerado, sua abordagem criativa e uma interpretação memorável de Sigourney Weaver, Aliens se não supera o original, pode ser considerada uma sequência de altíssimo nível que conseguiu fazer público e crítica muito contentes. E Cameron, que com seu pequeno Exterminador do Futuro, já havia demonstrado grande competência, evolui e mostra o potencial pra blockbusters que o fazem hoje ser primeiro e segundo lugar em bilheteria na história de Hollywood.

Vídeo – Da mesma forma que o primeiro, Aliens é impressionante em alta definição. Exibindo até mesmo mais granulação que Alien em algumas cenas mais escuras, na continuação temos uma fotografia que privilegia mais os cenários por não ser tão escura e claustrofóbica. Mais uma vez, detalhes de textura estão intactos e a única falha mais ou menos visível é a mudança para as cenas adicionais da edição especial. Há uma ligeira diferença entre a qualidade da edição para cinema e a versão mais longa, mas nada que incomode a experiência.

Áudio – Filmes de James Cameron tem um histórico de edição de som pra fazer cair a sala de cinema. Os efeitos sonoros de Aliens estão limpos e cristalinos assim como o grave do motor dos veículos e espaçonaves. Ao contrário do primeiro filme, este é um bom exemplo pra testar a potência do Home Theater.

Extras – No disco 5, a seção destinada a Aliens contém um documentário, que da mesma forma que o do primeiro filme, é dirigido por Charles de Lauzirika. Mais uma vez, os depoimentos impressionam pela sinceridade. O ponto alto é o momento que os atores e equipe de produção comentam a forma de trabalho de James Cameron, que não se importa se está na hora do almoço, da janta ou, como aconteceu por causa das filmagens na Inglaterra, do chá. Essa postura workaholic de Cameron quase levou a uma paralisação nas filmagens.

Todas as etapas de produção estão muito bem detalhadas pelo documentário, que já havia aparecido na edição dupla do filme em DVD. Vale conferir também os featurettes que cobrem alguns detalhes q não estão no making of.

No disco 6, um vasto material de divulgação da época, além de várias artes conceituais de cenas, cenários, figurino e naves.

Avaliação Final: em termos de imagem e som, Aliens é uma jóia para os fãs. Como cinema funciona tão bem quanto o primeiro e os extras contidos no box garantem horas de uma experiência definitiva quanto a este segundo filme da franquia. Altamente recomendável.

Em breve, a resenha de Alien³ que promete os extras mais interessantes até aqui. Por quê? No próximo post eu conto ;).

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Crítica: A Rede Social

Mark Zuckerberg, o da vida real, nega veementemente que sua contraparte cinematográfica seja mostrada com fidelidade pelo diretor David Fincher em A Rede Social, que estréia nesta sexta em todo o país. O filme conta a história do processo de criação do Facebook, a febre da internet que, como o título sugere, é a definitiva de seu gênero.

Mostrado por Fincher como um gênio de seu tempo, Zuckerberg é também representado como um “babaca” completo pelo ator Jesse Eisenberg. E, como diz um personagem lá pelo fim do filme, o criador do Facebook se esforça muito pra desempenhar esse papel. Ele é aquele típico nerd que, dispensado pela namorada, faz pirraça na internet. Ou que briga com seu sócio/amigo por achar que seu site não precisa de propaganda, uma idéia quase utópica. Em momentos assim e em outros ainda mais inspirados que mostram como Zuckerberg acha o mundo um tédio, Fincher ajuda a criar o Übermensch da Geração Y. O da vida real deveria até ficar lisonjeado por isso. Claro que ao corroborar a idéia de que o Facebook foi um plágio, o direitor acabou fazendo um inimigo.

Dotado de uma edição quase frenética (no ritmo do cérebro do protagonista), o filme se divide em três períodos de tempo. No primeiro temos Zuckerberg em Harvard passando por momentos que ajudaram a definir o que seria seu futuro site. No segundo, que se sobrepõe ao terceiro, temos dois julgamentos, o que diz respeito ao plágio, acusação feita pelos gêmeos Winklevoss (Armie Hammer) e o que julga se o brasileiro Eduardo Saverin tem direito a uma gorda indenização por parte do Facebook, agora uma empresa consolidada. Vale também ressaltar a interpretação de Justin Timberlake, como Sean Parker, o criador do Napster. O personagem surge num momento de transição para o personagem principal. Quando seu amigo brasileiro tenta conseguir anunciantes, Parker surge para confirmar a idéia de Zuckerberg, a de que existe potencial para uma empresa e para o lucro, mas anúncios, naquele momento, só iriam atrapalhar. É o bastante pra fisgar o inepto gênio e afastar Saverin.

Marcando o ritmo do filme com a trilha de Trent Reznor e Atticus Ross, uma mistura de sons minimalistas com barulhos invasivos, Fincher cria um estudo de personagem, pois é isso mesmo que Zuckerberg é. E mesmo o da vida real, que não demonstra vontade em processar nem o cineasta e nem o autor do livro que deu origem ao filme, Ben Mezrich, não deixa de ser. Se existe mais ficção que realidade em A Rede Social, isso não importa. O que importa é a eficiência do filme em mostrar um retrato de uma nova geração que consegue ser genial em novas mídias e infantil em relações, mas que cada vez mais domina uma parcela considerável como formadores de opinião e geradores de conteúdo. O mais triste é que aos usuários de internet, a lição sobre como se relacionar venha de pessoas sem o mínimo apreço por interações humanas. Não é irônico que Zuckerberg tenha criado um site pra se fazer amizades, tendo, ele próprio, um único amigo. É conseqüência, a criação de uma necessidade, coisa que a sociedade atual está mais do que acostumada a fazer.

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Resenha Blu-Ray - Alien Anthology parte 1

A franquia Alien é uma mina de ouro pra Fox. O estúdio já lançou incontáveis vezes os filmes em praticamente todos os formatos que tentaram dominar o mercado de Home Video: VHS, LaserDisc e DVD. Agora, chega a sua edição definitiva com a popularização do Blu-Ray e da alta definição. E vem acompanhada de muitos materiais extras, alguns já lançados nas edições anteriores, outros inéditos, divididos em 2 discos do box que vão tomar muito tempo dos fãs: são 60 horas de entrevistas, bastidores, materiais de divulgação , comentários em áudio e tudo que uma coleção desse porte tem direito.

No Brasil foram lançadas duas edições de Alien Anthology. Uma, limitadíssima e já esgotada das lojas é a Edição Ovo, em que os filmes vem acomodados em uma réplica do ovo alienígena muito bem feita. Coisa pra colecionador mesmo. Já a outra é um box simples, enluvado porcamente por papelão. Para embalar os filmes, dois estojos simples sem nenhum atrativo pra quem quer deixar a estante mais bonita. Coisa pra quem gosta dos filmes e não liga muito pra itens colecionáveis. O problema, que a Fox e outros estúdios não entendem, é que o formato de alta definição não tem como público alvo o consumidor médio, mas sim quem se importa em dar um destaque pra coleção e além disso, aqueles que adoram cinema e querem conferir uma produção importante como Alien na qualidade mais próxima possível daquela visualizada por seu diretor (ou diretores, estamos falando de uma franquia). O pior de tudo é que esse box mais simples veio para o Brasil a um preço que pode até refletir a importância da série, mas de forma algum reflete o cuidado destinado a sua embalagem. Reclamações a parte, quem quiser algo mais deve importar o box dos EUA ou da Inglaterra. A versão ianque tem uma embalagem belíssima, que imita um livro e cada filme vem acomodado em uma “página” diferente. A luva tem impressão com um efeito metalizado e é muito resistente. A versão da rainha tem também uma proteção semelhante, porém os filmes vêm em um estojo Digipack, mas que não deixa de ser muito bonito. É essa a versão que serviu de base para a análise a seguir, embora o conteúdo seja o mesmo de todas as citadas acima.

Cada filme vem em duas versões, a que passou no cinema e uma edição especial, contendo novas cenas. Nem sempre isso ajuda a história, mas no caso da quadrilogia Alien é até bem interessante. As resenhas foram feitas com as seguintes versões.

Alien – Edição para o cinema. É melhor que a Versão do Diretor lançada em 2003, porque não contém a cena extra da Ripley queimando o Dallas. A sequência não acrescenta nada à história e ainda atrapalha o ritmo.

Aliens – Edição Especial. Com certeza melhor que a versão para o cinema. Desenvolve melhor os personagens e dá mais motivação pra cada um deles.

Alien³ - Edição Especial. É um filme completamente diferente do que foi lançado nos cinemas. Dá mais ênfase a visão quase artística de David Fincher, que foi obrigado a mutilar seu filme para que tivesse mais apelo às massas.

Alien – Ressurreição – Edição para os cinemas. O quarto é o mais fraco da série e a edição especial consegue ser ainda pior.

Essa série de posts vai cobrir cada um dos 4 filmes separadamente. A intenção é comentar sobre as produções, a qualidade de imagem e áudio e um pouco sobre os extras referentes a eles. Pra começar, o primeiro Alien, uma das obras mais comentadas de ficção científica do cinema.

Alien (1979)

O diretor Ridley Scott havia acabado de surgir no cinema. Seu nome já era conhecido no meio publicitário da Inglaterra, mas seu curriculo como cineasta só continha um filme: “Os Duelistas”, uma história de época, com baixo orçamento, mas muito bem sucedida em mostrar que apesar de novato, Scott sabia impor controle em sua obra. Mesmo assim, seu nome era o menos óbvio possível para dirigir um filme de monstro. Sim, Alien, a origem da franquia não passa muito disso. Os produtores sabiam que se quisessem fazer dessa produção de roteiro de filme B, um verdadeiro sucesso classe A teriam de ousar. Scott aceitou a proposta e criou um dos filmes mais assustadores de todos os tempos.

Sua mão certeira, a fotografia dando privilégio às sombras, a edição precisa na hora dos sustos. Tudo na medida certa para fazer de Alien um filme que, mesmo hoje, não parece tão velho.

Apesar de seu ritmo lento, a película consegue fazer o espectador mais sonolento não desgrudar os olhos da tela.

Com um elenco de atores competentes como Ian Holm, Tom Skerrit e John Hurt, o destaque foi para Sigourney Weaver, interpretando aquela que seria a personagem símbolo da força feminina nos filmes pra homem. A tenente Ripley, heroína da série, serviu de exemplo pra toda uma geração de personagens, incluindo até Sarah Connor, da série Exterminador do Futuro. E, aliás, em termos de força, as duas provavelmente empatam. Aqui, Ripley ainda não é a super-humana dos filmes seguintes, e Weaver, por ser seu papel de estréia, até passa um pouco dessa insegurança pra sua personagem, tornando ainda mais crível suas ações, mesmo que o roteiro de Dan O’Bannon não dê muito tempo para o desenvolvimento da protagonista.

Alien não é um filme perfeito. Talvez seus maiores problemas estejam mesmo no roteiro, recheado de clichês. Porém, a competência de Scott e seu olho certeiro para definir um estilo visual próprio e seu apreço aos detalhes, ajudaram a fazer desta, uma produção que acabou dando muito mais do que poderia.

Vídeo – Alien se beneficia da tecnologia pra se tornar um filme atemporal. A qualidade desta transferência em Blu-Ray é assustadora. A impressão é de que Ridley Scott o dirigiu este ano, de tantos detalhes que agora aparecem em alta definição. Os poros de John Hurt? Estão lá, junto com suor e sujeira. A textura metálica dos compartimentos da nave? Visíveis como se estivessem ao alcance do toque do espectador. A umidade, os detalhes mais gosmentos da criatura, tudo com uma qualidade nunca antes vista. E o melhor, sem nenhum tipo de filtro visível para adequação da imagem. A granulação da película, típica da época em que o filme foi feito, aparece exatamente nas cenas em que é esperada. Não há, pelo menos, visivelmente, nenhum edge enhancement pra realçar detalhes. A remasterização foi feita com o maior cuidado pra que o fã, já acostumado a ver esse filme incontáveis vezes, pudesse se surpreender com a qualidade.

Áudio – Com certeza, Alien não será um filme pra você exibir as capacidades de seu home theater. Apesar de ser louvável a remasterização do som, pela época em que foi feito, não há grandes efeitos a serem notados. Porém, a claridade do áudio nos diálogos e em alguns efeitos sonoros cênicos realmente impressiona. A trilha de Jerry Goldsmith, que em momentos chega a ser minimalista a ponto de se confundir com o “som” grave e atmosférico do espaço, é uma grata surpresa, pois agora, talvez pela primeira vez, se faz notar. Enfim, não é ainda no primeiro filme que a faixa de áudio vai fazer bonito e botar sua sala abaixo. Essa tarefa com certeza caberá a seus sucessores.

Extras – O box contém 2 discos recheados de extras, além das faixas de comentário no disco do filme. No disco 5, a seção destinada a Alien contém um documentário completíssimo, dirigido por Charles de Lauzirika, também responsável pelo making of de Blade Runner, que traz informações relevantes para o entendimento do processo de produção do filme. Os depoimentos, que vão desde os mais entusiasmados, até os desabafos da dupla de roteiristas, Dan O’Bannon e Ronald Shusset, ao perceberem que a obra não era mais deles, e sim dos produtores que compraram a história. É comovente a sinceridade de O’Bannon ao relatar o que sentiu ao ver o filme pela primeira vez.

Pra quem se interessa pelo departamento de arte de um filme, esse making of também é um prato cheio ao esmiuçar todos os passos da criação de cenários, da nave e da criatura. Aliás, com entrevistas com H.R. Giger, o artista plástico suíço responsável pelo visual do Alien, até hoje assustador e perturbador.

Além deste documentário, que não é inédito, já constava da edição dupla em DVD do filme, há também vários featurettes, provavelmente sobras da edição do making of que ajudam a aprofundar ainda mais na produção. Há também cenas excluídas e o teste de personagem de Sigourney Weaver, que demonstra a insegurança da atriz, mas também o começo da caracterização de Ripley como o cinema veio a conhecer.

No disco 6, um vasto material de divulgação da época, além de várias artes conceituais de cenas, cenários, figurino e naves.

Enfim, para o fã do filme original, tudo neste box é um prato cheio. A qualidade da imagem, o som, os extras. É um material para colecionadores reunido em sua totalidade, pela primeira vez. Provavelmente não existe mais nada a ser acrescentado a respeito do filme, fazendo dessa a edição definitiva de um filme que fez história e que criou uma legião de seguidores, fiéis até hoje ao seu estilo, direção e, claro, sua capacidade de fazer assustar.

Em breve, a resenha de Aliens, o segundo filme, agora dirigido por James Cameron que trouxe novos ares à franquia. Aguarde!

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Trilhas Marcantes: Três Homens em Conflito (1966)

Sergio Leone mudou a forma de se fazer western com seus "bang bang spaghetti". Revelou Clint Eastwood para o mundo. Foi inspiração para vários diretores, incluindo Quentin Tarantino. Porém, alguem consegue imaginar seus filmes sem a música de Ennio Morricone?

Três Homens em Conflito tem o tema mais marcante do gênero e sempre que se imagina um pistoleiro solitário do velho oeste, o famoso assovio vem imediatamente à cabeça até de quem nunca assistiu ao filme.

Confira.

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Crítica: Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1

Introdução - A jornada

Desde o início da literatura mundial, as gerações são agraciadas com a saga de algum herói. Com o surgimento do cinema, novos meios de se contar histórias surgiram e, assim, novas maneiras de se relatar a trajetória de algum “escolhido”, “salvador”, “messias”. Nos últimos 30 anos, o nome do herói foi Luke Skywalker. Fazendo valer da fórmula de milênios, George Lucas criou a saga Star Wars e movimentou fãs do mundo todo com os ensinamentos do mestre Yoda e as lições que uma história assim pode trazer. Toda essa introdução foi pra dizer que isso pode ter mudado. Os jovens de hoje podem até conhecer a história do Cavaleiro Jedi, porém, o herói da nova geração que irá influenciar (e já influencia) escritores, roteiristas e diretores é Harry Potter.


Começou como uma história de fantasia como outra qualquer. O primeiro livro pode até ser considerado bobinho quando comparado com o que a autora J.K. Rowlig iria lançar nos anos seguintes. Se foi esperteza pra manter os leitores curiosos ou mero desenvolvimento da história, não faz diferença. O que importa é que conforme Potter crescia nos livros, seus fãs o acompanhavam. Fases da vida do pequeno bruxo se “confundem” com o que quem lia os livros estava passando, iria ou simplesmente já passara. A identificação é imediata. E assim, se criou um dos maiores fenômenos literários do começo do século 21.


Não foi surpresa alguma quando as adaptações para o cinema compartilhavam do mesmo sucesso e estrutura. Os dois primeiros filmes, A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta, de Chris Columbus, foram exemplos perfeitos de um filme família. Os personagens principais, Harry, Ron e Hermione sempre triunfavam contra um mal que não se podia tocar, mas todos sabiam estar pronto para o ataque. Lord Voldermort, o temível vilão que deixou Potter órfão e aterrorizou a comunidade bruxa não tinha como se materializar e era como uma sombra do passado que vez ou outra tentava atormentar a paz e o equilíbrio.


Então, tudo começou a mudar. A partir de O Prisioneiro de Azkaban, dirigido com muita competência e criatividade por Alfonso Cuarón, os três protagonistas começaram a crescer. Responsabilidades maiores começaram a surgir e, pela primeira vez, atos começam a ter consequências. O tom sombrio e o início do abandono dos temas musicais criados por John Williams para as produções anteriores marcam agora a evolução da cinessérie. No quarto filme, O Cálice de Fogo, o cineasta Mike Newell cria uma mescla do estilo aventuresco de Columbus com a mão mais européia de Cuarón, valorizando os sentimentos e as descobertas da recém chegada adolescência.


Surge no filme seguinte, A Ordem da Fênix, aquele cuja tarefa seria a mais difícil. David Yates recém-saído da TV, com seus documentários para a BBC, não parecia ser a escolha mais óbvia para dar continuidade à saga de Harry Potter. Sua estréia foi ingrata. Este é o livro que os fãs menos gostam por seu longo número de páginas que não levam à muita coisa a não ser a metáfora para o início das perdas a qual todos passam. Sua continuação mantém a mão de Yates, agora mais confiante em criar uma obra que seja mais cinema e menos literatura. O roteirista Steve Kloves também parece ter adquirido mais liberdade para inserir em O Enigma do Príncipe, cenas que não estão no livro, mas que funcionam dentro de um filme. Um bom exemplo é sua sequência de abertura, mostrando ataques dos Comensais da Morte, servos de Voldemort, agora, finalmente de volta e que não parece ter problemas em anunciar seu poder. No livro, um diálogo entre o primeiro-ministro britânico e o ministro da magia inicia a história, e a tensão entre ambos já ajuda a prever o tom que o sexto volume terá. Apesar de muito bem escrito, não funcionaria plenamente na tela grande. A cena de ação cumpre muito bem o seu papel.


A história agora passa a mostrar Potter lidando com perdas palpáveis. Entes queridos, seu mestre e a vida de outrora, que ele já desconfiava estar com os dias contados, se findam, e Harry finalmente adquire confiança e maturidade para se tornar o que todos esperam que se torne.


A saga finalmente teria um desfecho e, numa jogada de marketing que favorece a obra, a Warner, dona dos direitos do personagem, resolveu dividir o que seria o sétimo e último filme em duas produções. E é aí que David Yates finalmente mostra a que veio.


O começo do fim


As Relíquias da Morte é um filme incompleto. Ele não termina e uma análise agora pode até soar estranha. Porém, é de se comentar como o diretor se sai ao começar a cumprir sua tarefa. A primeira cena deste sétimo Harry Potter marca o tom. Em uma renião na mansão dos Malfoy, Lord Voldemort discute as novidades a respeito do crescimento do seu poder. Enquanto isso, uma bruxa maltrapilha e ensanguentada flutua, vítima do que parece ter sido uma tortura terrível. Logo se revela que a personagem é uma professora de Hogwarts que segundo o vilão, simpatiza e encoraja a união de bruxos com trouxas. Finalmente a história começa a lidar com preconceito, perseguição e com os fantasmas históricos britânicos, criados graças à Dama de Ferro, Margareth Thatcher. Impossível não sentir um nó na garganta, mais a frente no filme, quando no Ministério da Magia, agora controlado por Comensais, são impressos panfletos preconceituosos contra os “sangue-ruins”. É uma clara referência a obra de George Orwell, “1984”, escrita nos anos 40, muito antes de Thatcher, mas que já demonstra no povo do Velho Continente, um medo enorme de que toda aquela sisuda pompa se transformasse em um governo totalitário e alienador.


Voltando ao começo do filme, Potter precisa sair da casa de seus tios pois irá atingir a maioridade e a proteção de sua mãe irá cessar. Na sequência da fuga, a primeira baixa é de uma representatividade enorme. Edwiges, a coruja que acompanhou o bruxo em seus anos de Hogwarts, é morta por um dos seguidores de Voldemort. É Harry, vendo ir embora, a última ligação com sua infância. A vida adulta finalmente chegou e ela não é bonita.


Ao contrário do que se espera, agora a história mostra que tragédias existem, que amizades podem ser colocadas em dúvida e que as coisas dão errado quando você começa a caminhar com as próprias pernas. Mas nada é motivo para desistir. Essa mensagem fica muito clara, do início ao fim da projeção, com Harry sabendo que está seguindo para um missão suicida a cada novo plano, mas que sua posição como “O Escolhido” o impede de simplesmente desistir. Como Rony diz em determinado momento, não é ele que está em jogo, mas a sobrevivência da comunidade bruxa. Se ele falhar, tudo irá desmoronar.


Outra evolução clara representada em As Relíquias da Morte está na atuação do trio. Daniel Radcliffe teve seus dias de teatro e isso ajudou na composição de seu personagem. Emma Watson continua carismática, mas é Rupert Grint que cresce como ator. Embora ainda se faça valer de suas caras e bocas, Rony se vê, em alguns momentos em uma torrente de sentimentos, uma mistura de amor, ódio, inveja e raiva que poucos atores, incluindo mais velhos, conseguem representar. Aliás, falando em elenco, é notável a força dos coadjuvantes, sempre interpretados por grandes nomes, que trazem à série uma certa credibilidade.


A vantagem da divisão do sétimo livro em dois filmes fica evidente no cuidado que se teve ao adaptar a história. Pouquíssimas passagens foram alteradas ou removidas e, talvez, nenhum fã poderia esperar por uma adaptação tão fiel. O nível emocional da trama foi mantido tal qual em sua contraparte literária e só traz mais força ao filme, que graças a direção acertada de David Yates consegue algo que só O Prisioneiro de Azkaban havia alcançado até agora: ser mais do que uma simples transposição e se tornar uma obra cinematográfica de qualidade.


O diretor é muito feliz nos momentos em que não dizer nada, diz tudo. A sequência em que Harry tira Hermione para dançar, apenas para animar a amiga é de uma beleza singular. Talvez seja o melhor exemplo de como um momento imagético pode ser muito mais efetivo que 3 páginas de diálogo. Outras sutilezas na interpretação dos protagonistas são muito bem-vindas e a edição de As Relíquias da Morte é extremamente elegante, sem levar ao espectador mais tensão do que ele precisa para acompanhar os fatos. Intercalando cortes secos com transições em fade, o editor Mark Day consegue dar ao filme um ritmo muito próprio que se completa com a trilha de Alexandre Desplat, pesada, sombria e até minimalista, quando deve ser.


Outro aspecto da produção que merece destaque é a direção de fotografia de Eduardo Serra. Como desta vez a história não se concentra mais apenas em lugares fechados, o filme pedia uma alteração de paleta de cores e uma cinematografia até mais naturalista. As belas paisagens por onde Harry, Ron e Hermione se escondem são filmadas de forma realista, quase documental por Serra, português acostumado a filmes europeus, que já teve seus momentos em Hollywood com Corpo Fechado e Diamante de Sangue. Até por isso, evita as tomadas com câmera na mão, usando-as apenas em momentos de maior tensão. A maioria das sequências são filmadas sem pressa, com a câmera parada, e o melhor, fazendo o filme ter um ritmo diferenciado sem parecer lento. Mais um ponto positivo para a edição.


O maior problema de As Relíquias da Morte, no entanto, é não ter fim. A espera até a metade de 2011 será aterradora. Mas, se Yates acertou a mão até aqui, dificilmente cometerá algum erro na segunda parte, já que tudo foi gravado como se fosse uma obra só. Pelo menos pra uma coisa, não há dúvida. A juventude que passou os últimos 10 anos acompanhando a enorme aventura que foi a cinessérie Harry Potter já definiu o seu herói. E, apesar de ser bruxo e ter poderes mágicos, seja, talvez, o que enfrentou os maiores desafios que alguém pode enfrentar na vida, que não são ligados a derrotar um vilão terrível, mas sim a encarar responsabilidades, e perceber, como Harry, como a infância, às vezes tão apressada em acabar pra dar lugar à maioridade, pode parecer tão boa, quando comparada com as perdas e consequências da vida adulta.

Continua...

Crítica: Blu-Ray - Avatar - Edição Estendida de Colecionador

Avatar estreou no final de 2009 em meio a uma enorme expectativa. Depois de 12 anos sem dirigir um filme, conseguiria James Cameron, com toda sua pesquisa sobre cinema digital e 3D, revolucionar a indústria? É inegável o impacto que a história de Jake Sully e sua luta pra salvar o planeta Pandora teve nas salas de exibição tridimensional por todo o mundo. Um filme de tal importância e impacto merece um tratamento especial no Home Video. O lançamento em DVD e Blu-Ray de Avatar, ainda no primeiro semestre de 2010, movimentou a venda direta e arrecadou mais alguns milhões pros bolsos de Cameron e da Fox. Porém, fãs e colecionadores, embora tivessem o filme em mãos, ficaram um tanto decepcionados, pois não houve o esperado esmero em proporcionar horas de bastidores, cenas excluidas e tudo mais que uma produção assim pede. Lógico que era uma questão de tempo para o lançamento de uma Edição Especial. E, finalmente, neste mês chega as lojas um caprichado lançamento, com 3 versões diferentes do filme (no mesmo disco no caso do Blu-Ray e dividido em dois no DVD), além de incontáveis extras quem exploram todo o processo de produção de Avatar. Mas e ai? Valeu pela espera de quase 1 ano pra ter tudo isso em casa? Vamos conferir a seguir.

Embalagem

Quando se lança uma Edição de Colecionador, o mínimo que se espera da embalagem é que tenha um atrativo a mais para garantir seu lugar na estante. No caso de Avatar, a Fox no Brasil achou que uma mera luva de efeito metalizado solucionasse esse quesito. Enquanto a edição americana tem um tratamento diferenciado, por aqui, os três discos vem acomodados em uma embalagem Amaray sem nada demais. Se viesse num Digipak pelo menos teria algum diferencial. A luva que protege a embalagem é até bonita, mas de forma alguma está a altura do lançamento. Já é a segunda vez que a Raposa decepciona em menos de 1 mês. O primeiro caso foi com a Antologia Alien, também lançada em Blu-Ray. Apesar da Fox ter trazido a embalagem do Ovo, que já se esgotou de todas as lojas, a versão normal da coleção não trazia nem uma impressão diferente na luva. E o preço fez muitos fãs (incluindo este que vos escreve) preferirem importar os discos, que mesmo se fossem taxados saíriam mais baratos. Pra terminar, dentro do estojo, um panfleto indicando que Avatar estreia no Telecine no final do mês. Muito útil pra quem acabou de adquirir a versão estendida em alta definição, não é?

O Filme com mais 16 minutos

James Cameron é famoso por desenvolver tanto os personagens que extrapola a duração de suas produções. Foi assim com Aliens, O Segredo do Abismo e Exterminados do Futuro 2, todos relançados posteriormente com versões estendidas. Com Avatar não foi diferente e agora temos uma edição com 16 minutos a mais. Mas faz diferença? O bom é que sim, faz. Realmente, a maior parte das cenas cortadas e que agora foram inseridas serve para mostrar ao público certos detalhes sobre a história que ajudam a compreender as motivações de cada um. A nova abertura do filme, mostrando Jake Sully na Terra, talvez seja o melhor exemplo de como uma sequência pode contribuir na compreensão de todo o universo criado por Cameron. Porém sua ausência na versão que todos assistiram nos cinemas em nada interfere no entendimento da história. Acrescenta, mas sem fazer falta.

Estendido ou não, Avatar vale a pena ser redescoberto agora, sem a trucagem do 3D. Aliás, é assim que o filme se mantém. Se a história é boa, o espectador fica atento mesmo se o que está sendo projetado for uma animação em ASCII. E Avatar se sustenta sem precisar das três dimensões. A história tem uma profundidade enorme e a mensagem ecológica que o roteiro passa é mais do que pertinente. Então, sim, o mundo de Pandora é tão interessante agora quanto foi há um ano atrás, em que o público se sentiu compelido a colocar aqueles desconfortáveis óculos pra embarcar numa experiência cinematográfica vendida como única e que agora já não surpreende muita gente, pela extensa divulgação da tecnologia.

A Imagem

Ver Avatar em alta definição é a confirmação do porquê o Blu-Ray tem causado tanto estardalhaço. Cada detalhe da floresta, os póros e nuances de pele dos Na’Vi, as texturas impressionantes criadas por computação gráfica. Está tudo lá, da forma como James Cameron conceitualizou e, com a ajuda da Weta (a mesma empresa de efeitos especiais da trilogia Senhor dos Anéis), conseguiu criar. A imagem é cristalina e os que se incomodam com granulação de película não terão do que reclamar, já que todo o processo de captação do filme foi digital.

As sequências de voo são, de longe, as mais impressionantes pois mostram toda a profundidade que o diretor conseguiu dar ao mundo de Pandora . É indescritível reconhecer plantas e detalhes que estão lá no fundo da tela, com tanta nitidez. O nível de realismo empregado é tanto que a impressão é de que tudo aquilo é um documentário do Discovery Channel mostrando algum mundo recém-descoberto.

Tudo isso em único disco que, como contém 3 versões do filme, ainda sofre com a encodificação que ainda divide espaço com as faixas de áudio. Imagine Avatar sem compactação como deve ser. A imagem mantém a proporção mais próxima ao cinema IMAX, o que deve agradar quem gosta do filme preenchendo toda a tela da TV.

Som

A experiência cinematográfica de Avatar se completa com uma vibrante faixa de áudio em DTS HD, que segundo o menú, foi desenvolvida para dar ao espectador o mesmo nível de experiência de uma sala de cinema. Para quem depende de um sistema surround o disco também vem com uma faixa estéreo criada especialmente para lançamento.

Os detalhes do áudio são tão claros como os da imagem. Repare nas cenas mais movimentadas como cada barulho é perfeitamente audível e ajuda a transformar todo aquele mundo em algo muito próximo da realidade.

A trilha de James Horner, embora sofra com pouca criatividade (em vários momentos a música evoca trabalhos anteriores do compositor como Aliens, Star Trek II e até Titanic), se equilibra muito bem com os efeitos sonoros dos ambientes.

Extras

Se na embalagem o Blu-Ray de Avatar não é assim tão especial, pelo menos no conteúdo a Fox caprichou. Quem esperou para adquirir o filme com certeza vai se sentir recompensado.

Dos 3 discos da Edição Especial, dois são para os extras. Em um deles há 45 minutos de Cenas Excluídas, sem efeitos completados, mas servem para introduzi alguns elementos que ficaram de fora do corte final do filme, incluindo ai um relacionamento entre os personagens Trudy e Norm, e uma certa culpa de Parker, o executivo da mega-corporação de extração mineral que não se sente mais a vontade com o massacre dos Na’Vi. No mesmo disco ainda se encontra um making of de 90 minutos explorando desde o desenvolvimento do roteiro, há 12 anos, até a finalização dos efeitos. Vale a pena pra quem gosta de conhecer segredos de produção e bastidores. Os fãs de Lost vão gostar de ver o teste de personagens com Yunjin Kim, a Sun, fazendo a Neytiri. Ainda no Disco 2, uma seleção de arquivos de produção com o teste de elenco de Sam Worthington e de Zoe Saldana, o curta Brother Termite, que serviu de base para a evolução da captura de movimento, e testes de efeitos visuais.

No Disco 3, algumas cenas do filme foram desconstruídas, ou seja, há a opção de assiti-las na fase de captura de movimentos, na fase de visualização temporária dos personagens e na fase finalizada. É interessante pra entender os processos de produção de um filme dessa escala. Alguns featurettes complementam o making of do Disco 2, detalhando ainda mais certos aspectos de bastidores.

Por último, mas não menos importante, estão os arquivos de Avatar contendo a primeira versão do roteiro escrito por James Cameron e o texto final, ambos em inglês, além de várias imagens da equipe de Direção de Arte, com conceitos para o visual de personagens, veículos, cenários, vestuário e tudo que envolve esse departamento. É como se fosse um ArtBook de Avatar, a disposição do controle remoto.

A única coisa que realmente ficou faltando foi um comentário em áudio no disco do filme, mas, talvez, tudo que Cameron e sua equipe tinham pra comentar já esteja muito bem dividido em todos os vídeos dos Discos 2 e 3.

Avaliação final – Avatar – Edição Especial de Colecionador em Blu-Ray é um item que não pode faltar na sua estante. Seja você fanático pelo mundo de Pandora, ou simplesmente fã de cinema, essa é uma obra que vale a pena ter em casa, especialmente levando em conta a quantidade de extras. Apesar de uma embalagem que não faz jus ao nome “Edição de Colecionador”, a Fox caprichou no conteúdo, que no fim é muito mais importante para a maioria do público.

Obs.: Ainda que exista uma edição correspondente em DVD, procure fazer opção pela versão em Blu-Ray, mesmo sem ter o player. O preço sugerido para ambas é o mesmo, mas o DVD tem desvantagens como o filme estar dividido em dois discos e o número de extras ser menor. Além do mais, Avatar nasceu pra ser assistido em Alta Definição, então optar, como colecionador, pela edição em DVD é optar por um item “mutilado” que não corresponde a concepção original do filme, como obra cinematográfica.

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Crítica: RED - Aposentados e Perigosos

Filmes que contam com um elenco de peso sempre são interessantes. Geralmente esse tipo de produção reúne astros já consagrados em determinado gênero cinematográfico e os coloca em situações para que cada um se exiba no que sabe fazer melhor. O último exemplo desse tipo de empreitada foi Os Mercenários, de Sylvester Stallone. Em RED – Aposentados e Perigosos, a estrutura é um pouco diferente. No geral é um filme de Bruce Willis. Ação, uma trama não muito original (na verdade baseada em uma Graphic Novel de mesmo nome) e o ator, eterno Duro de Matar, fazendo suas caras de canastrão e soltando frases de efeito. Porém, o diretor Robert Schwentke conseguiu reunir pro elenco de apoio, nomes que trazem ao filme uma certa identidade.

Na história, Willis é um agente aposentado da CIA que de uma hora pra outra tem sua morte encomendada. Pra descobrir o que está acontecendo e conseguir se safar, recorre a antigos colegas de profissão e é aí que a diversão realmente começa. Morgan Freeman faz um agente bem mais velho, e que serve como uma espécie de mentor de Willis. John Malkovich está impagável como o alucinado Marvin Boggs, paranoico ex-espião que carrega consigo um porquinho rosa de pelúcia. Helen Mirren, foge de seu habitual papel de Rainha da Inglaterra pra encarnar uma ex-assassina, com direito a rifle e sub-metralhadoras. Brian Cox é um ex-agente russo que agora está designado a um cargo burocrático na embaixada e sente falta de seus dias de ação. E há ainda a agradável presença de Ernest Borgnine, no auge dos seus 93 anos, fazendo uma ponta divertidíssima. Como vilão temos o, infelizmente sumido das telas, Richard Dreyfuss.

Com tantos nomes, fica realmente difícil avaliar RED por sua história. Cada um dos personagens tem seu momento e são por essas participações que o filme realmente vale a pena. A trama é bem batida e mesmo as situações não são novas. Por exemplo, na invasão ao prédio da CIA a fuga é feita exatamente da mesma forma que na invasão ao mesmo lugar no primeiro Missão:Impossível, de Brian De Palma. A inverossimilhança também pode gerar estranheza. Por mais que seja baseado em uma história em quadrinhos, o filme exagera na dose, principalmente por não saber equilibrar a fantasia da realidade. Em Kick-Ass, outra adaptação de quadrinhos que estreou em 2010, não questiona-se quando um personagem faz algo impossível, pois desde o começo do filme, a fantasia fica muito bem marcada. No caso de RED, enquanto no começo o personagem de Willis é apenas um bem treinado agente, no decorrer da história ele se transforma em um Super-Homem, ao sair de um carro em movimento, andando, sem ao menos levar um tropeço.

No fim, este é só mais um filme de ação, uma boa ideia que só não foi totalmente desperdiçada pela capacidade do elenco de segurar uma história, por mais fraca que seja, apenas pelo seu carisma.

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Nota: A Graphic Novel RED estará disponível neste mês de novembro em bancas e lojas especializadas de todo o país. A Panini Comics resolveu lançar e aproveitar um pouco o barulho deixado pelo filme. O preço é de 7,90.

Continua...
 
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