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Trilhas Marcantes: Dick Tracy (1990)

Um ano depois do Batman de Tim Burton chegar aos cinemas com seu visual sofisticado, Warren Beatty estreou sua versão de Dick Tracy, o detetive infalível das tiras de Chester Gould, que desde a década de 30 ganhou inúmeras adaptações. Porém, essa versão cinematográfica se diferenciava por manter a estética que Gould criara. Os vilões desfigurados, os traços tortos dos edifícios. Mais ou menos o que Sin City, de Robert Rodriguez fez. A diferença é que em Dick Tracy tudo era mais "orgânico". Nada de computação pra recriar o visual dos quadrinhos.

Além de contar com um elenco impressionante (além de Beatty no papel principal, participações de Al Pacino, Dustin Hoffman, James Caan e Madonna), o longa teve trilha composta por Danny Elfman, que já havia criado o tema para o já citado Batman. A música ainda se beneficiaria das canções cantadas por Madonna (uma delas, Sooner or Later chegou a ganhar o Oscar de Melhor Canção original), mas a trilha incidental de Elfman funciona como a alma do filme, que junto com uma impecável Direção de Arte (também premiada com o Oscar) conseguem transpor o clima dos quadrinhos como pouquíssimas obras conseguiram. Abaixo confira uma seleção especial dos temas criados por Danny Elfman.


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Variações do mesmo tema

Você já deve ter se deparado, alguma vez na vida, com um filme lançado em várias versões. Tem Versão do Diretor, Estendida, Sem Censura, Versão Final, e, alguns casos recentes, Versão do Produtor! São tantas variações do mesmo filme que não admira em breve os lançamentos conterem até versão do faxineiro que estava passando pela ilha de edição. Mas afinal, qual a diferença entre todas essas edições?

Talvez o primeiro diretor a se beneficiar de uma reedição tenha sido James Cameron. Lá no começo dos anos 90, três de seus filmes ganharam versões mais longas: Aliens - O Resgate, O Segredo do Abismo e Exterminador do Futuro 2. Em todos os casos, a inclusão de novas cenas trouxe mais à história, dando profundidade e desenvolvimento aos personagens. No caso de Cameron, os estúdios responsáveis tinham, na época, a mentalidade de que filmes longos davam prejuízo. Isso o fez remover cenas que poderiam deixar as produções menos comerciais. Quando do lançamento para Home Video, além da óbvia oportunidade de se ganhar mais dinheiro, Cameron também viu a chance de mostrar ao público as produções que ele tinha intenção de ter lançado. Nada de errado com isso, principalmente quando os longas ficaram melhores com essa decisão.

Na metade dos anos 90, Ridley Scott aderiu à moda e lançou a sua Versão do Diretor para Blade Runner - O Caçador de Andróides. Com a alteração mais significativa sendo a remoção da famigerada narração de Deckard (Harrison Ford), o filme ficou inclusive 1 minuto mais curto. Também é um exemplo de melhora da obra. O problema é que Scott se acostumou com a coisa. Praticamente todos os seus filmes lançados na primeira década dos anos 2000 ganharam reedições e, excluindo Cruzada, nenhuma dessas versões diferentes de seus longas ficaram realmente melhores.

Essa mania de Scott fez os estúdios também adotarem a moda de múltiplos lançamentos do mesmo filme e aí a coisa desandou. São tantos casos que fica mais fácil dizer quais realmente funcionaram. O primeiro exemplo é a trilogia Senhor dos Anéis que ganhou sua Versão Estendida. Reparem no nome, não é versão do diretor. Essa, foi a lançada nos cinemas. A Estendida contém cenas a mais, que realmente ajudam os filmes, mas não refletem exatamente o que Peter Jackson queria ter lançado nos cinemas. É um caça-níqueis que deu certo, porque o que foi adicionado não atrapalhou em nada o ritmo e ainda explicou um monte de coisas que só os fãs sabiam. Em termos de Versão do Diretor, o filme que adapta o herói da Marvel, Demolidor, é também um exemplo válido. A edição que saiu nos cinemas não agradou a crítica que reclamou da falta de história. Como a Fox fez o cineasta Mark Steven Johnson remover um subplot inteiro do filme para o lançamento em tela grande, o estúdio, novamente em um atitude caça-níqueis, deu ao diretor a chance de lançar a sua versão. Resultado: a crítica especializada em grande maioria deu o braço a torcer, elogiando o filme e reclamando do porquê essa edição não ter sido lançada antes. A Fox que não é boba nem nada, acabou decidindo por, sempre que pudesse, lançar o mesmo filme duas vezes. Fez isso com Elektra em um versão sem censura. O nome já é chamativo, dá impressão de conter imagens fortes como violência e sexo. Nada disso. No caso desse filme, simplesmente colocaram alguns minutos a mais e lançaram o DVD sem passar pelo órgão americano que estipula a censura. Achou sacana? Em Quarteto Fantástico, o mesmo estúdio lançou uma versão estendida, com cenas deletadas que já haviam sido mostradas no primeiro lançamento e, o pior, algumas sem os efeitos completados.

A Sony também soube capitalizar em cima dos fãs de quadrinhos. Lançou uma versão estendida do filme do Justiceiro com Thomas Jane e John Travolta. O que já não era tão bom não melhorou e nem piorou, só ficou mais longo em mais um caso de edição porca. As cenas incluídas são visivelmente diferentes por não terem passado pelo mesmo processo de pós-produção. E, como simplesmente jogaram essas cenas no meio da história, existem até erros de continuidade que não existiam na versão anterior. Motoqueiro Fantasma, do mesmo diretor de Demolidor também ganhou da Sony um lançamento estendido. Infelizmente significou mais cenas com o que menos deu certo no filme: a interpretação de Nicolas Cage.

Em 2010, inúmeros filmes foram lançados em edições estendidas e talvez o mais notável seja Salt, o thriller de espionagem com Angelina Jolie. Seu blu-ray contém 3 versões: a de cinema, a sem censura (mesma ladainha da Elektra) e a versão dos produtores! Sim, os produtores, executivos da indústria que geralmente não entendem nada de cinema, agora ganharam a chance de mostrar como o filme teria sido se tivessem dado ouvidos a eles. Entenda isso como quiser. Esquadrão Classe A, Karatê Kid, Corrida Mortal 2, enfim, a lista segue. E quem quer assistir seus filmes preferidos, as vezes acaba gastando dinheiro duas vezes e ainda tem que decidir qual versão é melhor entre várias que por mais cenas que adicionem, não acrescentam nada a um roteiro medíocre.

Dica: confira o site Movie-Censorship.com e conheça as várias versões de um mesmo filme (em inglês).
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Trilhas Marcantes: Ruas de Fogo (1984)

Uma Fábula de Rock and Roll. Só por essa frase, que aparece nos créditos iniciais de Ruas de Fogo, já se tem uma ideia do que virá. Na cola de tentar um visual atemporal, misturando elementos oitentistas com de outras décadas, como fez Ridley Scott com Blade Runner, o diretor Walter Hill, do clássico cult Warriors - Selvagens da Noite, criou um dos filmes de visual mais impactante daquela década. Na história, um caçador de recompensas, vivido por Michael Paré, precisa libertar sua ex-namorada, uma cantora de clubes noturnos interpretada por Diane Lane, das garras de uma gangue de motoqueiros liderada por um jovem Willem Dafoe.

Recheada por uma trilha com grandes influências do Rockabilly dos anos 50, mas com as batidas marcantes do pop/rock dos anos 80, Ruas de Fogo já começa com uma performance videoclíptica da personagem de Lane, na verdade dublando a banda Fire Inc., com a música Nowhere Fast, que tem uma pegada bem parecida com Bonnie Tyler. Confira abaixo.



A introdução do filme foi tão marcante que chegou a ser "homenageada" na abertura do anime Bubblegum Crisis, de 1987. Confira aqui.

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Resenha Blu-Ray - Alien Anthology parte 4

Alien – A Ressurreição (1997)

Se a maior falha de Alien³ foi não trazer nada de novo pra franquia, o que dizer do quarto filme? Dirigido pelo francês Jean-Pierre Jeunet (Amélie Poulain), A Ressurreição do título se refere apenas ao retorno de Ripley (Sigourney Weaver), agora um clone. Não é o renascimento da cinessérie, como deveria ser e na verdade serve como o último prego no caixão que enterrou de vez os monstros alienígenas.

Jeunet deve ser a escolha menos óbvia para se fazer um Alien. Quem conhece a filmografia do diretor reconhece seu forte estilo visual, principalmente pelo suspense Ladrão de Sonhos, e sabe o quão europeu ele é em suas escolhas, tanto no casting, quanto no ritmo. Por “sorte” o francês entendeu que a Fox o via como um diretor contratado e nada mais. Segundo ele mesmo, no Making Of, fazer este filme foi como dirigir um longo comercial. Porém, com a vantagem de ter uma certa liberdade, desde que não saísse do orçamento. Com o roteiro já pronto, escrito por Joss Whedon (o criador de Buffy), Jeunet só adicionou um pouco do que ele considerava interessante visualmente. E por fim, a película é isso mesmo: visual. Alien – A Ressurreição é impecável na fotografia, nos cenários, figurinos e efeitos práticos. Mas, na história mesmo, é uma falha enorme.

O elenco de apoio tem nomes até mais interessantes do que os dos filmes anteriores, se feita a comparação. Winona Ryder, Ron Pearlman, Michael Wincott, Dan Hedaya e Dominique Pinon são atores que costumam engrandecer as produções em que atuam. Porém, devido ao fraco desenvolvimento por parte do texto de Whedon, acabam decepcionando. Pearlman faz um dos personagens mais inconstantes de sua carreira, quase um bipolar. Ele desconfia e discute com Ripley o tempo todo para, no último ato, ao ver a personagem voltando do ninho dos alienígenas soltar um sorridente e animado: “Ripley is back, man!”. Isso depois dela quase arrancar a língua dele em uma discussão. Ryder, faz a andróide com consciência e dona das atitudes mais estúpidas possíveis, como entregar uma arma pra alguém que ajudava a equipe a contra-gosto e visivelmente a favor dos monstros. Isso sem mencionar a desculpa esfarrapada para trazer Weaver de volta, transformando Ripley num clone com poderes especiais.

Pra não dizer que a quarta parte da franquia não tem pontos positivos, além dos mencionados anteriormente como o visual, a trilha sonora é envolvente e provavelmente uma das melhores da série. E, se Jeunet trouxe algo realmente novo para Alien foi o humor negro, que até caiu bem num filme que já soa ridículo em sua própria concepção. Não levar aquilo tudo à sério foi uma decisão acertada por parte do francês. Talvez graças ao diretor Alien 4 é também o mais sexual de todos. Se o monstro é um símbolo fálico criado por H.R. Giger, todo o resto nessa produção é extremamente feminino. Do ovo, agora pulsante, até o ferimento da andróide interpretada por Ryder, tudo é mostrado com uma quantidade até exagerada de fluidos. Do mais, A Ressurreição é um erro atrás de outro e de forma alguma faz jus à uma antologia de filmes que começou com Ridley Scott e James Cameron.

Vídeo – A qualidade de vídeo é ótima, enfatizando a fotografia de Darius Khondji, com uma paleta de cores muito interessante. A cena debaixo d’água é, de longe, a mais interessante do filme, devidamente granulada e cheia de detalhes. Infelizmente, por ser o mais recente da série, talvez não tenha tido o mesmo cuidado de remasterização dos dois primeiros, mas ainda assim é um passo gigantesco em relação à sua edição em DVD.

Áudio – Tiros, explosões, grunhidos dos alienígenas. A edição de som de Alien – A Ressurreição é muito bem feita e a faixa em DTS HD tudo fica extremamente claro. Os diálogos são limpos e o áudio-ambiente da nave é muito envolvente. Talvez por ser mais novo, seja o que mais faz bonito do Home Theater.

Extras – Seguindo a tradição, o Making Of é esclarecedor, mas a produção desta vez não foi tão conturbada. A não ser pelo depoimento do produtor David Giler, que praticamente renega esse filme e pelo relato do fim do relacionamento de Jeunet com seu freqüente colaborador Caro. Tudo porque a visão artística deste último não batia com a proposta da Fox. Os dois nunca mais trabalharam juntos. Um destaque do documentário é o longo processo de produção da cena submersa que levou quase 1 mês pra ser completada. Como foi a primeira sequência a ser rodada serviu para pavimentar a relação entre os atores e criar um ambiente, que segundo os envolvidos, foi muito agradável, em contra-partida aos três anteriores.

Também estão presentes alguns featurettes, inclusive um que tenta prever como seria um quinto filme, com vários envolvidos na série dando suas opiniões. Interessante saber que não é de hoje a vontade dos produtores em criar uma história anterior ao primeiro, mostrando a origem do Space Jockey. Segundo as últimas informações é exatamente isso que Ridley Scott está preparando para seu retorno à franquia. Os já habituais comentários em áudio também estão presentes, assim como material de divulgação original, trailers e comerciais de TV.

Avaliação Final: O que começou em 1979 como um dos melhores filmes de terror do cinema, infelizmente não terminou tão bem com um quarto filme bem abaixo do resto da franquia. Pra quem não se importa muito com história, no entanto, leva um exemplar com bastante ação e violência na medida. Os atores foram desperdiçados, mas Alien – A Ressurreição até contém boas cenas, como a submersa. Em termos de extras, como nos anteriores, a Fox da um show em selecionar tão bem o conteúdo.

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Especial Tron - O novo filme

Tron – O Legado

Há muito tempo fala-se em uma sequência de Tron – Uma Odisseia Eletrônica, o clássico oitentista que chega ser profético com o uso de computação gráfica no cinema. A pergunta, antes mesmo de se saber quando a continuação sairia, sempre foi: o quão relevante um novo Tron pode ser? De cara, para que você, leitor, não crie expectativas muito altas, esta resenha alerta: o novo filme não é revolucionário. Embora muito se tem falado da tecnologia usada para rejuvenescer Jeff Bridges, isso não é novidade. Já foi usado em X-Men 3 e de forma abundante nos últimos volumes da cinessérie Resident Evil para mantar Milla Jovovich jovem. O 3D é bom, usado mais para dar noção de espaço do que gratuitamente com coisa atiradas à tela, mas não é nada que Avatar já não tenha mostrado. Então, porque vale a pena assistir Tron – O Legado?

Um dos grandes trunfos do original era abusar da inocência do espectador para causar surpresa com os efeitos especiais. E nisso, Joseph Kosinski, diretor da sequência, junto com o roteiro de Adam Horowitz e Edward Kitsis, consegue preservar. Os fãs da Odisséia Eletrônica oitentista vão se sentir em casa com as citações, referências e brincadeiras com o original. E com a reverência com que o Kosinski trata a obra. Uma aventura descompromissada, com grandes cenas de ação e que transporta quem quer que esteja assistindo a uma viagem em que o destino é alcançado com um grande sorriso no rosto. A trama começa explicando que Kevin Flynn (Bridges), o protagonista do primeiro filme, recriou a Grade à sua maneira, com a ajuda de Tron (Bruce Boxleitner) e CLU (também Bridges), o programa que no começo do original é capturado pelo MCP. Logo depois Flinn desaparece deixa ao filho Sam (Garret Hedlund) o império construído com a empresa Encom. O problema é que o garoto cresce com os ideais libertários do pai e pratica atos de “ciberterrorismo” dentro de sua própria herança. Depois dessa rápida apresentação, Sam vai parar na Grade e descobre que CLU a dominou e, numa espécie de alusão à Revolução dos Bichos de George Orwell, agora a governa com mão de ferro.

Assim como no filme de 1982, a trama é básica e sem nenhum grande atrativo. O espetáculo fica por conta do visual, que atualiza as criações do quadrinhista francês Moebius, deixando tudo ainda mais parecido com a obra do artista. Como Flynn recriou a Grade, foram tomadas algumas liberdades quanto a apresentação dos personagens, agora mais humanizados e “orgânicos”. Com isso Tron – O Legado tem uma forte semelhança com obras Cyberpunk como os quadrinhos de Enki Bilal ou Blade Runner. Os efeitos são realmente impressionantes e não soam forçados a não ser o já mencionado Jeff Bridges jovem, que não tem vida em seu semblante tornando muito claro que aquilo tudo é digital. Mas não chega a atrapalhar a experiência. Bridges, por sinal, também aparece em sua versão atual, com uma interpretação muito competente, transformando Kevin Flynn em uma figura sábia, que mistura nuances de um mestre Jedi com um velho Hippie. Outro destaque do elenco é Michael Sheen, extremamente à vontade com seu excêntrico Castor, um personagem ambíguo com look de David Bowie e exageros à lá Jim Carey (é sério!). Olivia Wilde como Quorra se esforça mas sua personagem detém um dos clichês mais bobinhos de histórias sobre opressão e liberdade: ela quer conhecer o sol. Por fim, a atuação mais apagada é a de Hedlund. Sam Flynn, embora tenha boas sacadas nos diálogos, não tem o menor carisma e desaparece em meio aos talentos de Bridges e Sheen.

Além do visual, Tron – O Legado tem em sua lista de acertos a trilha sonora do Duo de DJs Daft Punk. É a primeira vez que eles compõem para um filme e o resultado é incrível. Imersiva, onipresente e talvez, tão relevante quanto os próprios efeitos especiais. Talvez a única trilha incidental que faça tanta parte da trama dessa forma seja a de Vangelis para o clássico Blade Runner. Todo o clima e ritmo da película estão profundamente ligados à música. Será uma grande injustiça a provável não inclusão do Daft Punk na lista do Oscar de melhor trilha sonora, já que a academia não indica duplas.

A resposta para a pergunta se vale a pena assistir Tron – O Legado é muito simples: sim, vale. Por ser um filme sincero e, mesmo com roteiro fraco, unir tantos acertos. Como já era de se esperar, talvez não seja tão relevante pro cinema como foi seu antecessor. Talvez não se torne cult também. Mas cumpre a premissa de entreter. Porque, como diz um personagem lá pelas tantas, “quando se procura a perfeição, se esquece de olhar pro que está bem a sua frente”. E o que estava bem a frente de diretor e roteiristas com a chance de renovar um clássico era justamente isso. Entreter, sem culpa.

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Resenha Blu-Ray - Alien Anthology parte 3

Alien³ (1992)

O segundo filme da franquia do monstro alienígena, dirigido por James Cameron conseguiu trazer novidades, sem descartar o original. Porém, o que mais poderia ser feito de novo em Alien³? Não muito, como ficou provado na estreia em 1992. Apesar de ter sido sucesso de público, a visão do estreante diretor David Fincher não foi muito bem vista pelos críticos. O resultado final não agradou nem o cineasta, que hoje nem considera a película em sua filmografia. Mas o que poderia ter dado tão errado a esse ponto?

O que provou ser um acerto nas duas primeiras produções não funcionou da forma esperada na terceira vez. Enquanto Ridley Scott e James Cameron, embora tivessem tido problemas com a Fox, conseguiram entregar um produto satisfatório mesmo sendo novatos no cinema, David Fincher, que teve em Alien³ seu primeiro longa-metragem, não equilibrou muito bem as intereferências do estúdio com as ideias que ele tinha para o filme. Talvez por falta de tato ou simplesmente porque os produtores realmente exageraram, a versão “ao cubo” de Alien não chega nem perto do que poderia ter sido.

Foi um processo conturbado, o da produção. A começar pela contratação e demissão de dois cineastas antes de Fincher entrar para o projeto. E durante as filmagens, já sob a batuta do diretor que anos depois faria obras-primas como Se7en e Clube da Luta, os produtores alterarem constantemente o roteiro, que por sinal nem havia sido finalizado. Como conseguir dar um filme, personalidade própria se várias pessoas que entendem mais de ganhar dinheiro do que dirigir uma produção dessas, estão a todo momento dispostos a incluir cenas que não condizem com a visão de quem o está dirigindo? Infelizmente Fincher não conseguiu.

Alien³ não tem nada de novo. Simplesmente mistura o que funcionou nos dois primeiros, e quando tenta acrescentar uma novidade acaba caindo no ridículo. O que dizer da ideia do alienígena usar uma vaca (um cachorro, na versão que foi para o cinema) para procriar? A cena acaba soando como uma paródia ao invés de ser eficiente e em nada acrescenta à história. Os únicos bons momentos do filme estão em cenas não muito relacionadas ao que se espera da franquia, como os diálogos da Ripley com o médico da prisão onde a nave em que ela, Newt e Hicks fugiram em Aliens, caiu. Uma ideia interessante é a inclusão de temas mais religiosos à história mas, infelizmente, a má administração do roteiro acaba levando isso a apenas um descarado exercício de semiótica no sacrifício da personagem de Sigourney Weaver. Quando a trama parte para uma abordagem mais intimista, aliada a bela fotografia de Alex Thomson o filme realmente passa a mostrar uma certa originalidade, mas tudo vai por água abaixo quando o alienígena começa a fazer o que o espectador já sabe o que ele faz pelas outras duas produções. E o pior, de uma forma pouco convincente graças aos piores efeitos de toda a saga.

No final, fica a sensação de que o melhor da franquia já foi feito e não importa muito quem seja o diretor ou o roteirista, Alien não tem mais grandes momentos a oferecer.

Vídeo – Alien³ sofre com a versão em Alta Definição. Tudo porque nunca os efeitos especiais ruins ficaram tão evidentes. Quando a criatura era feita à moda antiga nos antecessores, não parecia tão tosca quanto a versão em computação gráfica mostrada aqui. Ao invés de causar espanto, causa estranheza por parecer tão falsa. Pelo menos nem tudo é efeito ruim e nas cenas que mostram os grandiosos cenários, a qualidade da imagem do Blu-Ray finalmente traz à tona algo que realmente funciona neste filme: a fotografia. O responsável inicialmente era Jordan Cronenweth, cinematógrafo de Blade Runner, mas o estado cada vez mais crítico de sua saúde (ele sofria de Mal de Parkinson) o impossibilitou de completar o trabalho, mas serviu de base para o experiente Alex Thomson seguir o visual depressivo e escuro que Fincher queria para seu filme.

Áudio – O subwoofer do seu Home nunca esteve tão ativo. O som de Alien³ faz bonito, principalmente quando envolve a trilha de Elliot Goldenthal, as vezes retumbante, outras, experimental e quase unida aos efeitos sonoros do filme. Uma curiosidade: a versão para DVD desse filme tinha sérios problemas na faixa de áudio, muito inconstantes quando entravam as cenas novas da Edição Especial. Para o lançamento da Antologia em Blu-Ray, esses defeitos foram corrigidos e envolveram até mesmo Sigourney Weaver redublando algumas cenas.

Extras – Os documentários dirigidos por Charles de Lauzirika para a quadrilogia Alien são todos excelentes. E o do terceiro filme merece destaque no Blu-Ray pois é mais completo do que a versão que saiu em DVD em 2003. Na época, a Fox acabou editando certas partes que considerou ofensivas ao estúdio. Agora está tudo no lugar e dá pra perceber o tratamento que David Fincher teve e o stress pelo qual ele passou durante as filmagens. O diretor não aparece dando depoimentos e suas participações são as que o mostram no processo de produção. Nos comentários em áudio, nada de Fincher também, porém elenco e equipe de produção dão suas opiniões sobre o filme. No disco 6 os já habituais trailers e comerciais de TV, além de um making of da época do lançamento.

Avaliação Final: Alien³ não é nem de longe um clássico como os dois primeiros, e apesar de ter bons momentos, falha ao tentar acrescentar algo novo na franquia. Roteiro sendo escrito enquanto o filme é rodado geralmente não traz bons resultados e aqui não é diferente, terminando com uma enorme mágua do diretor pelo estúdio. Os extras, mesmo explicando o porquê do resultado não ter sido o esperado não salvam o filme. Pelo menos a edição especial com 30 minutos a mais consegue estender as cenas boas, intimistas e mais voltadas a diálogos.

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Especial Tron - O Filme original

No final dos anos 70 e começo da década de 80, a informática era chamada de cibernética e seus engenheiros eram caras bem mais esquisitos do que os sujeitos descolados de hoje que criam aplicativos pra iPhone e desenvolvem jogos. Mais estranhos ainda eram os animadores que tentavam, a todo custo, surgir com uma novidade em meio à uma arte que, pelo menos no cinema, havia parado no tempo. São nesses dois cenários, a princípio não muito relacionados, que foi gerado Tron – Uma Odisséia Eletrônica, um audacioso projeto que por sorte caiu nas mãos de um grande estúdio, a Disney.

Steven Lisberger era o dono de uma empresa especializada em animações e crescia no ramo ao produzir comerciais para TV. Mas suas ambições estavam no cinema, um sonho que parecia impossível para quem, na época, não estivesse sediado em Los Angeles. Quando percebeu isso, ele e seu sócio, Donald Kushner resolveram tentar a sorte na cidade dos anjos. Desde essa época, uma imagem era recorrente na imaginação de Lisberger: um guerreiro de neon. Lembre-se, estamos falando do final da década de 70 e qualquer coisa de visual futurista era carregada desse tipo de iluminação. Chegando na terra do cinema, resolveu desenvolver melhor essa ideia mesmo sem dar muita atenção ao fato de que ele não tinha noção de como dar vida a essa história e, mesmo que tivesse, não havia dinheiro pra isso.

Foi então que sua empresa, ao criar um curta indicado ao Oscar de melhor curta animado, começou a chamar atenção. Lisberger e sua equipe desenvolveram então uma outra animação, Animalympics, com o intuito de vendê-la para TV e conseguir verba pra dar andamento ao projeto que agora já tinha o nome de Tron.

Depois de muitos esboços feitos, roteiros reescritos e cálculos provando que seria impossível produzir Tron como um filme independente, Lisberger e Kushner decidem bater às portas dos estúdios. Embora amparados por desenhos de produção mostrando o visual proposto, quase ninguém entendeu o que seria aquilo e, mesmo a Disney, que se interessou pelo projeto, não conseguia visualizar direito o que aqueles dois tinham em mente. Mesmo assim, resolveu dar a eles uma chance e comprou a ideia. Foi então que Lisberger e Kushner caíram na realidade: agora teriam mesmo que fazer o filme.

Para ajudar o processo visual foram contratados dois ícones: Syd Mead e Jean Giraud, o Moebius. O primeiro, um engenheiro industrial que ficou famoso por seus designs futuristas e práticos em Blade Runner. O segundo, o quadrinhista francês que despontava nas páginas da HQ Heavy Metal. Coube aos dois a responsabilidade de dar a Tron um visual que pudesse ser criado a partir de técnicas cinematográficas que misturavam animação convencional, CGI e um complicado processo manual de manipulação da película. Peraí. CGI? Em 1980? Sim, é aqui que o filme se destaca por seu pioneirismo. Era a primeira vez que uma produção para cinema usaria animação gerada por computador.

A história de Tron não é tão criativa: um desenvolvedor de softwares é mandado embora da empresa onde trabalha depois de ter seus projetos roubados pelo seu chefe. Com a ajuda de mais dois engenheiros, consegue entrar na empresa pra procurar provas e incriminar seu “algoz”, mas é transportado para o mundo virtual onde vive Tron e vários outros programas, que são dominados por um software do mal chamado MCP. Nada demais até aí, é quase uma versão digital de Nárnia ou Alice. O que realmente começou a chamar atenção dos executivos da Disney eram os efeitos e até onde poderiam ir com todo aquele visual que estava sendo criado. No roteiro, o único ponto alto era o cenário quase profético de computadores ligados em uma rede mundial. Tudo feito de uma forma muito amadora e sem muita relação com a linguagem de softwares que se utilizava. Mas mesmo assim, com um pé na realidade.

Tron ainda contou a trilha sonora de Wendy Carlos e seus sintetizadores, na época outro clichê do futurismo. Mas quando foi lançado não obteve o resultado esperado. A Disney tinha esperança de voltar a produzir filmes live-action, mas Tron não foi exatamente o ânimo que o estúdio precisava. Talvez por causa de uma direção inexperiente, o filme tem um ritmo lento e o roteiro não empolga. Os destaques eram mesmo o visual e a atuação de Jeff Bridges. O filme, porém, cresceu ao longo dos anos. Quando Hollywood percebeu que a computação gráfica poderia ser utilizada para criar efeitos especiais, Tron começou a ser lembrado por seu espírito inovador. E, graças ao home vídeo, o público também passou a apreciá-lo melhor, fazendo com que se tornasse um clássico cult.

Talvez seja essa a justificativa para criar uma continuação quase 30 anos depois do original. Ou também a tentativa de se ganhar dinheiro baseando-se numa nostalgia crescente à decada de 80. Seja qual for a razão, um novo Tron pode não ter o mesmo impacto criativo ou nem virar cult como seu antecessor. Porém, ao se tornar um dos filmes mais esperados do ano, deve encher do orgulho quem um dia pensou que os computadores poderiam servir pra algo além de cálculos complexos e ajudou a transformar a “cibernética” em uma coisa cool e não muito diferente da informática de hoje.

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