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Som: Raphael Saadiq - Stone Rollin

Pode parecer papo de saudosista, mas está virando fato. As mais recentes novidades e promessas da música vêm de artistas que estão retomando um estilo de som característico de décadas atrás. Seja no rock ou no pop, as influências tem ficado cada vez mais evidentes, o que pode revelar a duas coisas: o que é bom nunca morre e sempre será usado como base e que artistas realmente criativos estão cada vez mais escassos. Lógico que depois de anos de revolução musical, é difícil imaginar algo realmente novo surgindo no mercado, o que torna a aceitação de artistas como Raphael Saadiq, mais fácil.

Não há muita novidade no som do guitarrista, cantor e produtor musical, que começou a carreira na metade dos anos 90. Seu mais recente trabalho, e quarto disco solo, Stone Rollin, é uma ode aos primórdios do Rock, e à mais áurea fase do R&B norte-americano. Impossível não se lembrar dos artistas da Motown a cada música do álbum. A começar por Heart Attack, a primeira faixa que parece um misto de The Jackson 5 e Sly and The Family Stone, incluindo até "ecos" de um dos sucessos deste último, Dance To The Music.

Saadiq mostra energia em Go To Hell, a música seguinte, dotada de um baixo marcante e arranjo de metais. Música feita pra ser tocada ao vivo. Seguida por Radio, o primeiro single deste álbum, um rock and roll (tem que ser chamado assim, só "rock" é pouco) pra deixar Chuck Berry sorrindo de uma orelha a outra.

A canção que dá nome ao CD é carregada por uma "vibe" extremamente sensual, meio setentista e meio blues, o que ajuda a abrir espaço para Day Dreams, com sua bem-vinda influência de Bo Didley e Howlin' Wolf.

Outro destaque do álbum é Good Man, não a toa o segundo single a ser lançado. Dueto com Taura Stinson, parece ter saído da trilha sonora de algum filme blaxploitation, gênero que provavelmente inspirou o clipe da música. Aqui Saadiq explora um pouco mais sua capacidade vocal e se sai muito bem, criando a melhor faixa de seu trabalho.

Ao tocar vários instrumentos nas músicas do álbum, incluindo guitarra, baixo, teclado e bateria (uma prática comum a um de seus "padrinhos", Prince, grande influência para o início de sua carreira), mostra domínio de seu som para produzir canções de qualidade e que, se não soarem tão originais, pelo menos lembram os tempos mais produtivos da indústria fonográfica.

Pra conhecer um pouco mais de Raphael Saadiq, dê uma checada na página do artista no Youtube. E abaixo, confira a apresentação conjunta com Mick Jagger, no Grammy deste ano, reconhecimento que qualquer artista que siga esses passos gostaria de ter.



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Rapidinhas

O noir é um estilo cinematográfico que desde os anos 40 acompanha histórias sombrias, cujos personagens são decadentes e de caráter duvidoso, envoltos em situações sujas e típicas do submundo. Intriga, assassinatos e traição são apenas algumas das características presentes nestas produções que, embora já tenham visto seus dias de glória, ainda existem, mesmo denominadas de neo-noir. Este mês resolvi assistir alguns exemplares da safra de filmes que começou com Chinatown e que teve bons frutos nos últimos anos, como Los Angeles – Cidade Proibida, Dália Negra e mesmo Sin City, adaptação de uma HQ cuja maior inspiração foram os clássicos filmes da época de Humpfrey Bogart ou James Cagney.

Conforme eu for assistindo, vou postando aqui os textos. Escolhi fazer os mini-comentários apenas de longas mais desconhecidos, já que dos supra-citados existem aos montes pela internet.

Hammett - Mistério em Chinatown (1982): O primeiro filme americano dirigido por Wim Wenders é uma competente homenagem ao cinema noir e a literatura pulp. Dashiel Hammett foi um dos autores mais influentes desse tipo de livros e inspirou inúmeras adaptações cinematográficas de suas histórias. No longa, Hammett (Frederic Forrest) está terminando de escrever sua mais nova aventura quando recebe a visita de um antigo colega (Peter Boyle) de sua época como policial. Ele pede ajuda ao escritor, cobrando uma dívida antiga. Relutante, aceita e acaba envolvido numa trama digna de seus livros. Wenders entrega um trabalho bem "redondo" que funciona como homenagem e ainda tem bons momentos cinematográficos, como a cena que abre o filme, uma espécie de exercício metalinguístico muito interessante. Apesar disso, o diretor alemão não ficou muito contente com o resultado final, já que precisou acatar muitas decisões do produtor Francis Ford Coppola. Na época do lançamento, os críticos também não foram muito generosos, o que fez Hammett fracassar na bilheteria. Embora não seja nenhum Chinatown, é um longa que cumpre o que promete e não tenta ser pretensioso demais (tendo Wenders e Coppola como realizadores, era até de se esperar algo um pouco mais cerebral). Embora Hammett seja um personagem real, o longa é fictício.

O Diabo Veste Azul (1994): Baseado no livro de mesmo nome, escrito por Walter Mosley, este é um autêntico thriller noir, cuja história aos poucos evolui numa trama envolvendo segredos sujos de um candidato a prefeitura de Los Angeles. Denzel Washington é Easy Rawlins, veterano da Segunda Guerra que, no final dos anos 40, está desempregado e precisando de dinheiro pra pagar a prestação de sua casa. Eis que surge a chance de um trabalho que pode lhe pagar bem, quando um obscuro detetive vivido por Tom Sizemore o contrata para encontrar uma garota, interpretada pela eternamente jovem Jennifer Beals. O interessante em O Diabo Veste Azul é a forma como o roteiro, fiel à ideia original do livro, escancara o problema de perseguição aos negros que existia nos EUA naquele momento. Conforme a história caminha, Washington se vê acusado de assassinato simplesmente por causa de sua cor. Boa fotografia, reconstituição de época fiel e ainda uma trilha cheia de referências ao jazz completam o pacote. E menção honrosa à participação de Don Cheadle, que aparece na segunda metade do filme e rouba a cena.

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Crítica: Thor

Durante anos, um dos maiores problemas, se não o maior, das adaptações de quadrinhos para o cinema, era o controle criativo dos filmes ficar por conta do estúdio responsável pela produção. De todas as editoras, a que mais sofreu com isso foi a Marvel, que precisou de quase 40 anos de tentativas para finalmente conseguir entender que, como detentora dos direitos, somente ela poderia dar aos fãs aquilo que eles queriam: versões fiéis e respeitosas ao material original e, além disso, bons filmes. Pra alcançar esse objetivo, a Marvel investiu pesado em sua divisão cinematográfica, arriscando contratações ousadas para comandar suas películas. Jon Favreau, inexperiente com o sistema mercadológico Hollywoodiano, se saiu bem com seus dois Homem de Ferro. Louis Leterrier conseguiu agradar gregos e troianos com O Incrível Hulk, com seus momentos de drama, sem deixar de lado a ação que havia faltado na versão do Gigante Esmeralda feita anos antes sob o comando da Universal. Além disso, usou os longas para criar um universo interligado que espelhasse o vasto mundo de heróis dos quadrinhos e ainda pudesse servir como prelúdios de algo muito maior, o vindouro filme dos Vingadores, o supergrupo que conta com Capitão América, Homem de Ferro, Hulk, Gavião Arqueiro e Thor. E é justamente este último que chega agora aos cinemas brasileiros.

Para levar o Deus do Trovão para a tela grande, a editora mais uma vez mostrou ousadia e contratou Kenneth Branagh, diretor famoso por suas adaptações cinematográficas de Shakespeare, mas que nunca havia filmado um longa de tamanhas proporções em termos de ação e efeitos especiais. A experiência funcionou e o resultado é uma surprodução que empolga não apenas os fãs de quadrinhos, mas também o espectador que procura uma boa aventura para fazer valer o preço do ingresso dos multiplexes da vida.

Thor começa em Asgard, mostrando relances da história de Odin (Anthony Hopkins) e de como seus feitos em Midgard, nome da Terra para os asgardianos, fizeram com que fosse confundido com um Deus. Também apresenta seus dois filhos, Thor (Chris Hemsworth) e Loki (Tom Hiddleston) (na mitologia nórdica, deuses do Trovão e da Trapaça, respectivamente) e as diferenças entre ambos. Enquanto um é impulsivo e arrogante, o outro demonstra mais serenidade e obediência. Os dois, porém, compartilham o sonho de um dia governar Asgard. Na proclamação de Thor como sucessor de Odin, um ataque ao Reino, promovido pelos Gigantes de Gelo, coloca em dúvida a segurança do local. Agindo sem o consentimento de seu pai, o Deus do Trovão e seus companheiros, Sif e os Três Guerreiros, além de Loki, decidem agir, quase promovendo uma guerra. Como punição pela desobediência, Odin tira os poderes de seu filho preferido e o bane na Terra. Isso desencadeia o plano de Loki para tomar o trono de seu pai, revelando suas verdadeiras intenções.

Sem sua força, Thor encontra na Terra a Dra. Jane Foster (Natalie Portman) e seus companheiros de pesquisa, o Prof. Erik Selvig (Stellan Skarsgard) e a estagiária Darcy Lewis (Kat Dennings). Desorientado, busca uma forma de retornar e de conseguir o martelo Mjolnir (sua maior arma) de volta. A partir daí, o filme faz o espectador viajar entre os dois reinos, mostrando paralelamente a ascenção de Loki ao trono e as aventuras de seu irmão no Novo México. As duas tramas se sustentam o bastante para não deixar o ritmo se perder e é essa a grande força do filme. Os personagens humanos são incorporados ao roteiro de forma orgânica e em nenhum momento a atração da Dra. Foster pelo gigante loiro parece forçada. Isso graças a competente interpretação de Portman e ao roteiro, que coloca ambos em situações divertidas e sensíveis. Além disso, Hemsworth evolui durante o filme, mostrando grande carisma e domínio de cena. Por ser um ator praticamente desconhecido, é um feito admirável.

Já nas sequências em Asgard, a interpretação de Hiddleston impressiona. Seu Loki passa do pacato filho zombado de Odin à vilão perverso e vingativo e ainda convence nas cenas em que discute com Hopkins. E isso não é pouca coisa, já que o eterno Hannibal mostra todo seu talento, como de costume, trazendo veracidade a um personagem que muitos poderiam tratar como unilateral, devido a sua natureza de Todo Poderoso.

Contra todas as desconfianças, Kenneth Branagh mostra muita qualidade em comandar cenas de ação e tem nas mãos um fator que diferencia seus filmes de outras adaptações. Thor não se passa em nenhuma grande metrópole americana, mas no árido cenário do Novo México. Isso traz um ar de novidade ao longa e também mostra que uma batalha pode ser de tirar o fôlego sem a destruição de grandes arranha-céus. E quando o diretor transporta a história para Asgard, consegue colocar toda sua experiência teatral em cenários grandiosos e luxuosos, riquíssimos em detalhes que remetem ao visual dos quadrinhos sem parecer uma transposição literal. Vale destacar também a acertada escolha de não criar os Gigantes de Gelo completamente em computação gráfica. Atualmente esse tipo de detalhe adiciona muito a um filme deste porte, mostrando preocupação não só com ação, mas, no caso de Thor, com o trabalho de Colm Feore, que interpreta o líder dos Gigantes, o Rei Laufey. Seu rosto é expressivo demais para ser recriado no computador, arriscando sua interpretação e o resultado final. Detalhes assim, apenas alguém acostumado a produções cuja composição de personagens é fundamental, pode conceber.

Outro benefício de Branagh para o filme é seu histórico Shakespeariano. Quem conhece as obras do Bardo sabe que tragédias familiares são parte fundamental de suas tramas. E o relacionamento entre Loki e Odin remete imediamentamente a isso. Aliás, toda a história do Deus da Trapaça tem forte influência do criador de Hamlet.

Pra não dizer que Thor é perfeito, o filme até tem algumas falhas, principalmente na passagem do segundo para o terceiro ato. O roteiro se apressa um pouco pra chegar no clímax e causa um certo incômodo, mas não o bastante para gerar desinteresse.

No quesito "Universo Marvel", Thor segue a linha de Homem de Ferro 2, com várias referências e participações especiais. A mais interessante é a de Jeremy Renner como o Agente Barton da SHIELD ou Gavião Arqueiro, para os fãs. Como ele estará em Vingadores, foi uma boa sacada apresentá-lo agora, embora o espectador comum dificilmente se lembrará dessa aparição no ano que vem. O "mimo" vai mais para o fã, ávido por esse tipo de coisa. Quem também volta é o Agente Coulson (Clark Gregg), que serve como ponte entre os filmes da editora.

O longa do Deus do Trovão também traz uma novidade ao mundo concebido por Homem de Ferro e Hulk. Antes com histórias voltadas para a ciência, agora existe o fator magia nas produções, o que abre um leque muito maior de possibilidades para o que virá a seguir, colocando os heróis em um cenário muito mais próximo aos quadrinhos, sem aquele compromisso apenas com o realismo, mas também com a fantasia.

A Marvel finalmente aprendeu que um bom filme baseado em seus personagens é fruto de um trabalho conjunto que envolve sua aprovação e controle do material, bem como as qualidades técnicas do cineasta que comandará a produção. Thor é um bom exemplo disso. Aliás, bom o suficiente para tirar qualquer dúvida que paira sobre as futuras adaptações de Capitão América e Vingadores. Quem acertou tanto até agora não deve errar tão cedo.

Importante: Quando for assistir Thor não levante da cadeira até o término dos créditos. Há uma cena depois, como já virou rotina nos filmes da Marvel, que é um gancho importantíssimo para Vingadores e até mesmo para o Capitão América. Se o cinema parar a projeção durante os créditos, reclame e peça para que a cena seja exibida. Ela faz parte do filme e da trama e o ingresso que você pagou se refere à duração total do longa. Então, além de ser parte fundamental da obra, reclamar fará valer seu direito de consumidor.
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Baú do RE-ENTER: Bullitt

O contexto histórico:

Do final dos anos 60 até 1977, o cinema norte-americano produziu, em massa, filmes policiais, filmes catástrofe e filmes pós-apocalípticos. Os policiais eram extremamente violentos e mostravam a América suja e decadente que há muito não se via na tela grande. O sentimento de revolta pela Guerra do Vietnã era exposto em Hollywood. Somente com a estréia de Star Wars, filme com o clima otimista de uma fábula, o cinema deixou um pouco de lado a visão pessimista que imprimia da sociedade americana.


O filme:

Desta safra surgiram filmes como Operação França e Bullitt. Este último estrelado pelo consagrado ator e piloto Steve McQueen. A película mostra o Tenete Bullitt, policial durão, mas com boa convivência com a mídia na cidade de San Francisco, escalado para proteger uma importante testemunha da máfia durante um final de semana. O problema é que depois de um atentado, a tal testemunha morre e para a culpa não cair sobre si, Bullitt resolve investigar para saber o que realmente aconteceu. Em meio a isso tudo, um promotor público que pretende seguir carreira política e dependia do depoimento do mafioso para ascender. Com esse jogo de interesses, Bullitt precisa passar por cima de autoridades para seguir sua investigação.

São vários os motivos que fazem de Bullitt um filme memorável. Entre eles, a ambientação realista da produção. McQueen treinou durante semanas com a polícia de San Francisco para fazer de sua atuação, a mais fiel possível. O filme foi todo rodado em locações reais. Não há cenários construídos. Além disso, McQueen, como bom piloto que era, fez toda a cena de perseguição do filme, considerada a melhor da história do cinema (falo mais dela jajá). A edição do filme também não faz feio. Não por acaso, foi agraciada com um Oscar. A direção de Peter Yates é estilosa. A seqüência de abertura do filme é um misto de excelente edição com direção competente. E, há também, o jazz de Lalo Schifrin como trilha incidental. A música ajuda em muito o filme com seu ritmo hora suave, hora frenético.


A perseguição:

Porém a grande atração de Bullitt é, sem dúvida, a cena da perseguição protagonizada por um Mustang GT (dirigido por McQueen) e um Dodge Charger (o carro de dois pistoleiros). Por pelo menos dois fatores, essa cena é considerada a melhor da história. O primeiro fator está, novamente, na edição. Não há música, e toda a emoção é depositada no barulho dos motores. O outro fator... o filme se passa em San Francisco e os carros estão a velocidades de 100 a 150km/h. Aí, você que está lendo essa resenha dá risada e pensa: “a essa velocidade eu também já andei”. Bem, se você pensa assim é porquê nunca viu San Francisco. A configuração das ruas nessa cidade é um desafio a qualquer motorista. Tente imaginar um prédio de vários andares. Agora imagine as escadas que ligam os andares. Pois é, assim são as ruas de San Francisco. Viu a gravidade da situação? Dois carros em alta velocidade “descendo escadas”. Desviando de outros carros e de pedestres. Não dá pra ser mais impressionante que isso. Sério, é de dar pena do coitado que mora nessa cidade e tem que fazer exame prático pra tirar a habilitação.


Steve McQueen além de passar credibilidade ao personagem, ainda prova ser um excelente piloto, e também alguém com parafuso solto ou que dá pouco valor à vida. Duvido que essa cena fosse feita, da forma que foi rodada, num filme atual. Primeiro que empresa de seguro nenhuma iria assumir a responsabilidade pelos estragos. E depois que nenhum ator de hoje é louco a ponto de se arriscar tanto. Nem Jackie Chan e suas cenas sem dublê.


Isso torna Bullitt um clássico. O compromisso de McQueen com o realismo. Gerou até um documentário, extra no DVD que comprova tudo que foi escrito aqui e mostra como um filme, com mais de 30 anos, pode sobreviver ao tempo, sem parecer ultrapassado e ainda deixar muita gente impressionada.

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Queima-Filme: Thor

Essa é a continuação de uma série de posts que remete aos primórdios deste blog. Sei lá porque parei de colocar situações constrangedoras, mas acho que agora é um bom momento pra voltar a fazer isso!

Pra retomar a série nada melhor que rir um pouco às custas do herói da vez, o Poderoso Thor!

Às vésperas de estrear uma megaprodução nos cinemas, é bom lembrar que nem sempre as coisas foram tão pomposas para o Deus do Trovão da Marvel. Em 1988, Thor uniu forças com Hulk, no longa feito para TV O Retorno do Incrível Hulk, que continuava as aventuras da série televisiva do Gigante Esmeralda.

Por causa do baixo orçamento da produção, é bom nem comentar a armadura mais pra WWF de pobre do que qualquer outra coisa usada pelo Thor, interpretado por Eric Alan Kramer (quem?). O telefilme também traz o alter-ego do personagem nos quadrinhos, Donald Blake, vivido por Steve Levitt, porém em uma adaptação inusitada. Blake, ao invés de se transformar em Thor, chama o personagem ao segurar o martelo Mjolnir e gritar "Odin!!!".

A Marvel tinha a pretensão de usar O Retorno do Incrível Hulk como um piloto para um seriado do Thor. Graças a Odin, isso não aconteceu, poupando o herói de continuar a pagar esse mico enorme.

Confira abaixo uma "luta" entre o Hulk e Thor, e reparem no efeitinho de raio que sai do Mjolnir quando acerta o Verdão.

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Trilhas Marcantes: Máquina Mortífera (1987)

Provavelmente o trabalho mais famoso de Mel Gibson no cinema, a série Máquina Mortífera começou em 1987 e não foi apenas um filme policial. Reuniu talentos como poucas obras populares conseguiram. Na direção, o competente Richard Donner, que trabalhou em cima do roteiro de Shane Black. No elenco, além de Gibson, está Danny Glover, num papel que lhe coube como uma luva. Além disso, a trilha sonora, que funciona como alma do filme, foi composta por três gênios de diferentes estilos. Michael Kamen, grande compositor de trilhas que já havia flertado com o rock alguns anos antes em Highlander, Eric Clapton, que nos anos 80 estava no auge de sua popularidade e David Sanbourn, saxofonista de grande talento que usa o som de seu instrumento para definir a atmosfera de cada tema do longa.

A parceria se repetiu em todos os quatro filmes da franquia e o tema de Martin Riggs, o personagem de Mel Gibson, é o destaque deste post. Imperdível!



Curiosidade: Michael Kamen e Eric Clapton já haviam trabalhado antes na trilha da minissérie inglesa Edge of Darkness, recentemente transformada em filme com Mel Gibson no papel principal.

Ah, e não deixe de conferir uma Cena Memorável de Máquina Mortífera aqui.
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Cenas Memoráveis - Amor à Flor da Pele

Um dos filmes mais conhecidos do diretor chinês Wong Kar Wai, Amor à Flor da Pele mostra um jornalista vivido por Tony Leung, nos anos 60, se envolvendo com sua vizinha Maggie Cheung. O problema é que ambos são casados e a relação proibida acaba revelando mais sobre ambos do que quando estão com seus respectivos cônjuges.

Kar Wai evoluiu a cada filme que dirigiu do final dos anos 80 até o começo dos anos 2000, melhorando sua técnica e adquirindo uma qualidade que o fez se destacar no cinema asiático. Em Amor à Flor da Pele, o diretor chega ao seu melhor momento, unindo edição, fotografia, música e montagem para criar cenas e momentos deslumbrantes. De visual e ritmo, Kar Wai entende muito bem e consegue passar isso a cada cena, economizando em diálogos para mostrar que sentimentos como atração, amor e cumplicidade são universais e não precisam de palavras para representá-los. Uma das cenas que melhor exemplifica isso, você confere abaixo, embalada pela belíssima fotografia de Christopher Doyle e pela música de Shigeru Umebayashi, ambos colaboradores frequentes do cineasta.

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