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Os Cinco Erros de Velozes e Furiosos 5

Na estreia de Rio, a revista Época publicou uma matéria apontando equívocos a respeito da anatomia das aves e outras coisas que desmerecem o filme por, na visão de quem escreveu, não representar a Cidade Maravilhosa com tanta perfeição. Agora é a vez do UOL fazer o mesmo apontando os Erros da estreia de amanhã: Velozes E Furiosos 5 - Operação Rio. Só posso dizer uma coisa dessa matéria: eu "rio" muito de gente que ao invés de divertir perde tempo procurando pelo em ovo.

Vamos falar direito?
Os astros do filme vieram ao Rio de Janeiro para gravar algumas cenas, mas personagens que deveriam ser brasileiros claramente são interpretados por atores de outros países. O caso mais claro é o de Zizi (Michael Irby) que fala português com muito sotaque. Aham, e assim foi com Hulk também. Mas o estranho é ninguém achar esquisito que os italianos das novelas brasileiras falam "Portuliano" (neologismo, desculpa) antes de vir pro Brasil. É, pelo visto a passagem brasileira pela Grande Bota é tão grande que aos poucos o português está sendo incorporado ao idioma deles. #NOT!

Que trem é esse?
No Rio, os personagens aceitam participar de um roubo a um trem em movimento. O problema que o trem de turismo que a sequência mostra não existe no Brasil, infelizmente. Nós viajamos por estradas e pelo ar, mas o transporte ferroviário é precário. As paisagens desérticas também não se parece com qualquer vegetação brasileira. Parafraseando a filósofa Chiquinha: "E daí?"

Escambo
O vilão Reyes (Joaquim de Almeida) explica como era a convivência entre os portugueses e os índios quando o Brasil foi descoberto. Ele disse que antes dos lusitanos, os espanhóis tentaram dizimar os indígenas e falharam. Quem já assistiu a pelo menos uma aula de História sabe que isso é mentira. É, vai, é uma falha de História, mas... poxa, durante anos nossa capital foi Buenos Aires pros americanos então, dane-se (vou usar a versão Sessão da Tarde pra essa expressão tão querida) .

Drogas em dólar
Os personagens decidem invadir uma das bases secretas do vilão e lá encontram um monte de mulheres vestidas apenas de lingerie que contam o dinheiro da venda de drogas. Além da bizarrice do vestuário, há um erro: a esmagadora maioria das notas é de dólar. A menos que os usuários de drogas costumem passar em casas de câmbio antes das compras, as notas deveriam ser de reais. O gênio considera bizarro as mulheres de lingerie? Poxa, aí está o maior erro já que elas deveriam estar nuas! Essa prática evita que as moças roubem as drogas. Esse cara nunca viu O Gângster do Ridley Scott ou qualquer filme sobre tráfico? E sobre os dólares... ah deixa pra lá...

O Leblon que não é de Manoel Carlos
A tal base secreta do vilão fica no bairro de Leblon. Quem assiste ás novelas de Manoel Carlos sabe que a região tem muitos prédios de apartamentos de luxo e a trilha sonora é sempre de bossa nova. Em “Velozes e Furiosos 5”, o bairro é bem pobre. Acho que eu não entendi o humor. O autor está mesmo usando novela do Manoel Carlos como base? Ok, ele está certo sobre o Leblon, mas... ah vá, desisto.

Vamos deixar de ser hipócritas, certo? Por anos, os americanos viram "desertos" no Brasil com os filmes de Cangaço e de retirantes. Inúmeras produções vendem a imagem do Rio de Janeiro com favelas, crime e prostituição como se a cidade só tivesse isso. Velozes só é assim por conta de anos de propaganda negativa que nós mesmos aprovamos e exportamos. Além do mais o filme não é nenhuma obra de arte pra ser estudada. É uma diversão escapista. Então, por favor, aprendam a se divertir mais.
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Cenas Memoráveis - O Mágico de Oz (1939)

São vários fatores que tornam um filme relevante em seu tempo e o fazem entrar para a história do cinema. O Mágico de Oz é um desses longas, não apenas por sua bela história, mas por sua importância técnica.

Era 1939 e a sétima arte ainda passava por um período de descoberta. Não fazia muito tempo (historicamente falando), as películas ainda eram mudas. E, embora já existissem filmes coloridos na época, eram caros demais pra ser produzidos em massa. Apenas alguns produtores podiam se dar ao luxo de bancar o alto custo e só o faziam quando o lucro fosse garantido.

Como acontece com toda tecnologia, algum produto deveria surgir dessa novidade que pudesse ser responsável por popularizá-la. E esse fardo, ou feito, coube, em parte, a O Mágico de Oz.

Para realizar a clássica história, a MGM optou por rodá-la da forma mais cara. Usando câmeras Technicolor de três negativos (em RGB, uma pra cada cor), para que o colorido visto na sala de projeção fosse o mais vívido possível. A película foi feita inteiramente a cores e, às cenas no Kansas, foi adicionado o tom de sépia. Por conta disso, O Mágico de Oz tem uma das cenas mais emblemáticas do cinema. Quando Dorothy, interpretada por Judy Garland, chega à Oz, abre a porta de sua velha casa rural e se depara com uma explosão de cores que, nem ela, nem o espectador, jamais havia visto.

Infelizmente, O Mágico de Oz foi um fracasso de bilheteria, quase levando o estúdio à falência, pois essa era a produção mais cara já vista em um filme. Como o longa ganhou três Oscar no ano seguinte, a MGM, para recuperar o dinheiro investido, começou a incentivar projeções do filme nos cinemas por vários anos. No fim, até que funcionou. Porém, foi a partir da década de 50 que Oz ganhou sua legião de fãs. Com o advento da TV, a exibição do filme se transformou numa tradição anual (em época de festas de fim de ano), levando milhões de crianças pra frente da telinha e transformando a produção na mais assistida de todos os tempos, de acordo com a Library of Congress norte-americana.

Claro que na época, os espectadores não puderam desfrutar de seu magnífico colorido. Foi apenas com o surgimento da TV a cores que o impacto visual pretendido pelos realizadores pôde ser desfrutado pela quantidade de gente idealizada quando do lançamento original. Porém, mesmo o fracasso de bilheteria não pôde deixar de transformar O Mágico de Oz num dos marcos que deram início ao cinema como conhecemos hoje.

Veja a cena da chegada de Dorothy à Oz, clicando aqui. (O autor do vídeo no youtube não permite sua distribuição fora do site). Pro post não ficar sem vídeo, outra cena memorável de O Mágico de Oz, Judy Garland interpretando Over the Rainbow, o inesquecível tema do longa.


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Star Wars em Blu-Ray tem anúncio oficial divulgado

Depois de muita especulação sobre o que seria incluído na coleção Star Wars em Blu-Ray, a Fox e a Lucasfilm finalmente revelaram tudo hoje, para marcar o aniversário de 34 anos da cinessérie.



Repleto de extras, o box que trará os seis filmes é uma adição indispensável para qualquer colecionador e tem lançamento marcado para setembro. Infelizmente não serão incluídas as versões originais, sem as melhorias de efeitos e outras frescuras de George Lucas.

Além do coleção completa, a Fox também irá lançar as duas trilogias em box separados. Porém a lista de extras abaixo se refere ao que inclui todos os filmes. Confira.

Extras Especiais:

STAR WARS: A SAGA COMPLETA EM BLU-RAY é apresentada em widescreen com 6.1 DTS Surround Sound. Extras incluem:

  • DISCO UM – STAR WARS: EPISÓDIO I A AMEAÇA FANTASMA
    • Comentários de Áudio com George Lucas, Rick McCallum, Ben Burtt, Rob Coleman, John Knoll, Dennis Muren e Scott Squires
    • Comentários de Áudio do arquivo de entrevistas com elenco e equipe
  • DISCO DOIS – STAR WARS: EPISÓDIO II ATAQUE DOS CLONES
    • Comentários de Áudio com George Lucas, Rick McCallum, Ben Burtt, Rob Coleman, Pablo Helman, John Knoll e Ben Snow
    • Comentários de Áudio do arquivo de entrevistas com elenco e equipe
  • DISCO TRÊS – STAR WARS: EPISÓDIO III A VINGANÇA DOS
    • Comentários de Áudio com George Lucas, Rick McCallum, Rob Coleman, John Knoll e Roger Guyett
    • Comentários de Áudio do arquivo de entrevistas com elenco e equipe
  • DISCO QUATRO – STAR WARS: EPISÓDIO IV UMA NOVA ESPERANÇA
    • Comentários de Áudio com George Lucas, Carrie Fisher, Ben Burtt e Dennis Muren
    • Comentários de Áudio do arquivo de entrevistas com elenco e equipe
  • DISCO CINCO – STAR WARS: EPISÓDIO V O IMPÉRIO CONTRA-ATACA
    • Comentários de Áudio com George Lucas, Irvin Kershner, Carrie Fisher, Ben Burtt e Dennis Muren
    • Comentários de Áudio do arquivo de entrevistas com elenco e equipe
  • DISCO SEIS – STAR WARS: EPISÓDIO VI O RETORNO DE JEDI
    • Comentários de Áudio com George Lucas, Carrie Fisher, Ben Burtt e Dennis Muren
    • Comentários de Áudio do arquivo de entrevistas com elenco e equipe
  • DISCO SETE – NOVO! STAR WARS ARQUIVOS: EPISÓDIOS I-III
    • Incluindo: cenas deletadas, estendidas e alternativas; objetos de cena, maquete e desenvolvimento de figurino; desenhos dos cenários e ilustrações conceituais; entrevistas complementares com elenco e equipe; uma passagem pelos arquivos da Lucasfilm e mais
  • DISCO OITO – NOVO! STAR WARS ARQUIVOS: EPISÓDIOS IV-VI
    • Incluindo: cenas deletadas, estendidas e alternativas; objetos de cena, maquete e desenvolvimento de figurino; desenhos dos cenários e ilustrações conceituais; entrevistas complementares com elenco e equipe e mais
  • DISCO NOVE – THE STAR WARS DOCUMENTÁRIOS
    • NOVO! Guerreiros Estrelares (2007, Cor, Apx. 84 Minutos) – Alguns fãs de Star Wars querem colecionar os personagens… estes fãs querem ser os personagens! Um tributo ao 501st Legion, uma organização global de entusiastas do figurino de Star Wars, este perspicaz documentário mostra como o super fã-clube promove interesse nos filmes por meio de caridade e trabalho voluntário para levantar fundos em eventos especiais ao redor do mundo.
    • NOVO! Uma Conversa com os Mestres: O Império Contra-Ataca 30 Anos Depois (2010, Cor, Apx. 25 Minutos) – George Lucas, Irvin Kershner, Lawrence Kasdan e John Williams revêem o Making Of de O Império Contra-Ataca em uma profunda retrospectiva da Lucasfilm criada para ajudar a comemorar o 30º aniversário do filme. Os mestres discutem e relembram sobre um dos mais amados filmes de todos os tempos.
    • NOVO! Sátiras de Star Wars (2011, Cor, Apx. 91 Minutos) – A farsa é forte com este produto! Divirta-se com a hilária coleção de sátiras e paródias de Star Wars que foram criadas durante os anos, incluindo clips chocantes de Uma Família da Pesada, Os Simpsons, How I Met Your Mother e mais — e não esqueça “Weird Al” Yankovic’s um tipo de vídeo musical que homenageia A Ameaça Fantasma!
    • O Making Of de Star Wars (1977, Cor, Apx. 49 Minutos) – Conheça as incríveis histórias de bastidores de como o filme original Star Wars foi levado às telas de cinema neste fascinante documentário apresentado por C-3PO e R2-D2. Inclui entrevistas com George Lucas e participações de Mark Hamill, Harrison Ford e Carrie Fisher.
    • O Império Contra-Ataca: Efeitos Especiais (1980, Cor, Apx. 48 Minutos) – Conheça os segredos de fazer um filme em uma galáxia muito, muito distante. Apresentado por Mark Hamill, este documentário revelador oferece vislumbres dos bastidores dos incríveis efeitos especiais que transformaram a visão de George Lucas para Star Wars e O Império Contra-Ataca em realidade!
    • Criaturas Clássicas: O Retorno de Jedi (1983, Cor, Apx. 48 Minutos) – Visite os bastidores – e figurinos - como a sequência da produção de O Retorno de Jedi é intercalada com clips de monstros clássicos dos filmes em profunda exploração de técnicas meticulosas utilizadas por George Lucas para criar as clássicas criaturas e personagens vistos no filme. Apresentado por Carrie Fisher e Billie Dee Williams.
    • Anatomia de um Dewback (1997, Cor, Apx. 26 Minutos) – Veja como alguns dos efeitos especiais de Star Wars se tornaram mais especiais duas décadas depois! George Lucas explica e demonstra como este time transformou as criaturas originais dewback de bonecos de borracha imóveis (do original lançado em 1977) para criaturas aparentemente vivas que respiram em Star Wars 1997 para a atual Edição Especial.
    • A Tecnologia de Star Wars (2007, Cor, Apx. 46 Minutos) – Explorando os aspectos técnicos dos veículos de Star Wars, armas e instrumentos, Star Wars Tech consulta cientistas líderes no campo da física, próteses, lasers, engenharia e astronomia para examinar a plausibilidade da tecnologia de Star Wars baseada na ciência que conhecemos hoje em dia.
A saga completa tem o preço sugerido de R$ 299,90 e cada trilogia sai por R$149,90. É bom começar a juntar dinheiro.
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Trilhas Marcantes: Star Wars - Episódio V - O Império Contra-Ataca (1980)

Em maio de 1977, o mundo viu nascer um fenômeno sem precedentes na cultura pop. Estreava nos cinemas Star Wars, a obra máxima idealizada pelo jovem cineasta George Lucas. Criada na forma de uma trilogia, a saga de Luke Skywalker teria um capítulo ainda melhor, três anos depois.

Com O Império Contra-Ataca, a história ganhava ares de um grande épico de fantasia espacial, coisa que o primeiro filme, embora seja inesquecível, não conseguia ser, pela falta do ritmo adequado. Império é mais sombrio, tem pontos de virada no roteiro muito mais interessantes e trabalha melhor cada um dos personagens.

Além disso, coube ao segundo capítulo da história (na verdade, o quinto se levarmos em conta a nova cronologia) apresentar aquele que seria o mestre de Luke, Yoda. Partindo do princípio de que a sabedoria é muito mais importante do que a força bruta, Yoda nunca seria considerado um mestre por quem não o conhecesse. O jovem aprendiz de Jedi vai até Dagobah procurando um "Grande Guerreiro" e encontra um alienígena pequeno e idoso. Parte do aprendizado de um Jedi é não julgar pela aparência e nisso Luke já começa falhando. Yoda é importantíssimo por ensiná-lo conceitos de humildade e fazê-lo entender que enquanto for arrogante, sua batalha nunca poderá ser vencida.

Para dar a Yoda a aura de sabedoria e serenidade que merece, o mestre John Williams criou um tema sensível, e ao memo tempo forte, para o personagem. A cena em que Yoda tira o X-Wing de Luke do pântano apenas com os poderes da Força é de arrepiar. Conforme o tema cresce, o espectador consegue entender, junto com o futuro Jedi, como aquele pequeno ser é poderoso e nobre. E ao mesmo tempo, ilustra a fragilidade de sua idade, quando treme e demonstra o grande esforço que está fazendo para ajudar seu jovem amigo.

Ouça abaixo mais esse belíssimo tema de Williams, dentre tantos que criou nas últimas três décadas.


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Som: Raphael Saadiq - Stone Rollin

Pode parecer papo de saudosista, mas está virando fato. As mais recentes novidades e promessas da música vêm de artistas que estão retomando um estilo de som característico de décadas atrás. Seja no rock ou no pop, as influências tem ficado cada vez mais evidentes, o que pode revelar a duas coisas: o que é bom nunca morre e sempre será usado como base e que artistas realmente criativos estão cada vez mais escassos. Lógico que depois de anos de revolução musical, é difícil imaginar algo realmente novo surgindo no mercado, o que torna a aceitação de artistas como Raphael Saadiq, mais fácil.

Não há muita novidade no som do guitarrista, cantor e produtor musical, que começou a carreira na metade dos anos 90. Seu mais recente trabalho, e quarto disco solo, Stone Rollin, é uma ode aos primórdios do Rock, e à mais áurea fase do R&B norte-americano. Impossível não se lembrar dos artistas da Motown a cada música do álbum. A começar por Heart Attack, a primeira faixa que parece um misto de The Jackson 5 e Sly and The Family Stone, incluindo até "ecos" de um dos sucessos deste último, Dance To The Music.

Saadiq mostra energia em Go To Hell, a música seguinte, dotada de um baixo marcante e arranjo de metais. Música feita pra ser tocada ao vivo. Seguida por Radio, o primeiro single deste álbum, um rock and roll (tem que ser chamado assim, só "rock" é pouco) pra deixar Chuck Berry sorrindo de uma orelha a outra.

A canção que dá nome ao CD é carregada por uma "vibe" extremamente sensual, meio setentista e meio blues, o que ajuda a abrir espaço para Day Dreams, com sua bem-vinda influência de Bo Didley e Howlin' Wolf.

Outro destaque do álbum é Good Man, não a toa o segundo single a ser lançado. Dueto com Taura Stinson, parece ter saído da trilha sonora de algum filme blaxploitation, gênero que provavelmente inspirou o clipe da música. Aqui Saadiq explora um pouco mais sua capacidade vocal e se sai muito bem, criando a melhor faixa de seu trabalho.

Ao tocar vários instrumentos nas músicas do álbum, incluindo guitarra, baixo, teclado e bateria (uma prática comum a um de seus "padrinhos", Prince, grande influência para o início de sua carreira), mostra domínio de seu som para produzir canções de qualidade e que, se não soarem tão originais, pelo menos lembram os tempos mais produtivos da indústria fonográfica.

Pra conhecer um pouco mais de Raphael Saadiq, dê uma checada na página do artista no Youtube. E abaixo, confira a apresentação conjunta com Mick Jagger, no Grammy deste ano, reconhecimento que qualquer artista que siga esses passos gostaria de ter.



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Rapidinhas

O noir é um estilo cinematográfico que desde os anos 40 acompanha histórias sombrias, cujos personagens são decadentes e de caráter duvidoso, envoltos em situações sujas e típicas do submundo. Intriga, assassinatos e traição são apenas algumas das características presentes nestas produções que, embora já tenham visto seus dias de glória, ainda existem, mesmo denominadas de neo-noir. Este mês resolvi assistir alguns exemplares da safra de filmes que começou com Chinatown e que teve bons frutos nos últimos anos, como Los Angeles – Cidade Proibida, Dália Negra e mesmo Sin City, adaptação de uma HQ cuja maior inspiração foram os clássicos filmes da época de Humpfrey Bogart ou James Cagney.

Conforme eu for assistindo, vou postando aqui os textos. Escolhi fazer os mini-comentários apenas de longas mais desconhecidos, já que dos supra-citados existem aos montes pela internet.

Hammett - Mistério em Chinatown (1982): O primeiro filme americano dirigido por Wim Wenders é uma competente homenagem ao cinema noir e a literatura pulp. Dashiel Hammett foi um dos autores mais influentes desse tipo de livros e inspirou inúmeras adaptações cinematográficas de suas histórias. No longa, Hammett (Frederic Forrest) está terminando de escrever sua mais nova aventura quando recebe a visita de um antigo colega (Peter Boyle) de sua época como policial. Ele pede ajuda ao escritor, cobrando uma dívida antiga. Relutante, aceita e acaba envolvido numa trama digna de seus livros. Wenders entrega um trabalho bem "redondo" que funciona como homenagem e ainda tem bons momentos cinematográficos, como a cena que abre o filme, uma espécie de exercício metalinguístico muito interessante. Apesar disso, o diretor alemão não ficou muito contente com o resultado final, já que precisou acatar muitas decisões do produtor Francis Ford Coppola. Na época do lançamento, os críticos também não foram muito generosos, o que fez Hammett fracassar na bilheteria. Embora não seja nenhum Chinatown, é um longa que cumpre o que promete e não tenta ser pretensioso demais (tendo Wenders e Coppola como realizadores, era até de se esperar algo um pouco mais cerebral). Embora Hammett seja um personagem real, o longa é fictício.

O Diabo Veste Azul (1994): Baseado no livro de mesmo nome, escrito por Walter Mosley, este é um autêntico thriller noir, cuja história aos poucos evolui numa trama envolvendo segredos sujos de um candidato a prefeitura de Los Angeles. Denzel Washington é Easy Rawlins, veterano da Segunda Guerra que, no final dos anos 40, está desempregado e precisando de dinheiro pra pagar a prestação de sua casa. Eis que surge a chance de um trabalho que pode lhe pagar bem, quando um obscuro detetive vivido por Tom Sizemore o contrata para encontrar uma garota, interpretada pela eternamente jovem Jennifer Beals. O interessante em O Diabo Veste Azul é a forma como o roteiro, fiel à ideia original do livro, escancara o problema de perseguição aos negros que existia nos EUA naquele momento. Conforme a história caminha, Washington se vê acusado de assassinato simplesmente por causa de sua cor. Boa fotografia, reconstituição de época fiel e ainda uma trilha cheia de referências ao jazz completam o pacote. E menção honrosa à participação de Don Cheadle, que aparece na segunda metade do filme e rouba a cena.

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Crítica: Thor

Durante anos, um dos maiores problemas, se não o maior, das adaptações de quadrinhos para o cinema, era o controle criativo dos filmes ficar por conta do estúdio responsável pela produção. De todas as editoras, a que mais sofreu com isso foi a Marvel, que precisou de quase 40 anos de tentativas para finalmente conseguir entender que, como detentora dos direitos, somente ela poderia dar aos fãs aquilo que eles queriam: versões fiéis e respeitosas ao material original e, além disso, bons filmes. Pra alcançar esse objetivo, a Marvel investiu pesado em sua divisão cinematográfica, arriscando contratações ousadas para comandar suas películas. Jon Favreau, inexperiente com o sistema mercadológico Hollywoodiano, se saiu bem com seus dois Homem de Ferro. Louis Leterrier conseguiu agradar gregos e troianos com O Incrível Hulk, com seus momentos de drama, sem deixar de lado a ação que havia faltado na versão do Gigante Esmeralda feita anos antes sob o comando da Universal. Além disso, usou os longas para criar um universo interligado que espelhasse o vasto mundo de heróis dos quadrinhos e ainda pudesse servir como prelúdios de algo muito maior, o vindouro filme dos Vingadores, o supergrupo que conta com Capitão América, Homem de Ferro, Hulk, Gavião Arqueiro e Thor. E é justamente este último que chega agora aos cinemas brasileiros.

Para levar o Deus do Trovão para a tela grande, a editora mais uma vez mostrou ousadia e contratou Kenneth Branagh, diretor famoso por suas adaptações cinematográficas de Shakespeare, mas que nunca havia filmado um longa de tamanhas proporções em termos de ação e efeitos especiais. A experiência funcionou e o resultado é uma surprodução que empolga não apenas os fãs de quadrinhos, mas também o espectador que procura uma boa aventura para fazer valer o preço do ingresso dos multiplexes da vida.

Thor começa em Asgard, mostrando relances da história de Odin (Anthony Hopkins) e de como seus feitos em Midgard, nome da Terra para os asgardianos, fizeram com que fosse confundido com um Deus. Também apresenta seus dois filhos, Thor (Chris Hemsworth) e Loki (Tom Hiddleston) (na mitologia nórdica, deuses do Trovão e da Trapaça, respectivamente) e as diferenças entre ambos. Enquanto um é impulsivo e arrogante, o outro demonstra mais serenidade e obediência. Os dois, porém, compartilham o sonho de um dia governar Asgard. Na proclamação de Thor como sucessor de Odin, um ataque ao Reino, promovido pelos Gigantes de Gelo, coloca em dúvida a segurança do local. Agindo sem o consentimento de seu pai, o Deus do Trovão e seus companheiros, Sif e os Três Guerreiros, além de Loki, decidem agir, quase promovendo uma guerra. Como punição pela desobediência, Odin tira os poderes de seu filho preferido e o bane na Terra. Isso desencadeia o plano de Loki para tomar o trono de seu pai, revelando suas verdadeiras intenções.

Sem sua força, Thor encontra na Terra a Dra. Jane Foster (Natalie Portman) e seus companheiros de pesquisa, o Prof. Erik Selvig (Stellan Skarsgard) e a estagiária Darcy Lewis (Kat Dennings). Desorientado, busca uma forma de retornar e de conseguir o martelo Mjolnir (sua maior arma) de volta. A partir daí, o filme faz o espectador viajar entre os dois reinos, mostrando paralelamente a ascenção de Loki ao trono e as aventuras de seu irmão no Novo México. As duas tramas se sustentam o bastante para não deixar o ritmo se perder e é essa a grande força do filme. Os personagens humanos são incorporados ao roteiro de forma orgânica e em nenhum momento a atração da Dra. Foster pelo gigante loiro parece forçada. Isso graças a competente interpretação de Portman e ao roteiro, que coloca ambos em situações divertidas e sensíveis. Além disso, Hemsworth evolui durante o filme, mostrando grande carisma e domínio de cena. Por ser um ator praticamente desconhecido, é um feito admirável.

Já nas sequências em Asgard, a interpretação de Hiddleston impressiona. Seu Loki passa do pacato filho zombado de Odin à vilão perverso e vingativo e ainda convence nas cenas em que discute com Hopkins. E isso não é pouca coisa, já que o eterno Hannibal mostra todo seu talento, como de costume, trazendo veracidade a um personagem que muitos poderiam tratar como unilateral, devido a sua natureza de Todo Poderoso.

Contra todas as desconfianças, Kenneth Branagh mostra muita qualidade em comandar cenas de ação e tem nas mãos um fator que diferencia seus filmes de outras adaptações. Thor não se passa em nenhuma grande metrópole americana, mas no árido cenário do Novo México. Isso traz um ar de novidade ao longa e também mostra que uma batalha pode ser de tirar o fôlego sem a destruição de grandes arranha-céus. E quando o diretor transporta a história para Asgard, consegue colocar toda sua experiência teatral em cenários grandiosos e luxuosos, riquíssimos em detalhes que remetem ao visual dos quadrinhos sem parecer uma transposição literal. Vale destacar também a acertada escolha de não criar os Gigantes de Gelo completamente em computação gráfica. Atualmente esse tipo de detalhe adiciona muito a um filme deste porte, mostrando preocupação não só com ação, mas, no caso de Thor, com o trabalho de Colm Feore, que interpreta o líder dos Gigantes, o Rei Laufey. Seu rosto é expressivo demais para ser recriado no computador, arriscando sua interpretação e o resultado final. Detalhes assim, apenas alguém acostumado a produções cuja composição de personagens é fundamental, pode conceber.

Outro benefício de Branagh para o filme é seu histórico Shakespeariano. Quem conhece as obras do Bardo sabe que tragédias familiares são parte fundamental de suas tramas. E o relacionamento entre Loki e Odin remete imediamentamente a isso. Aliás, toda a história do Deus da Trapaça tem forte influência do criador de Hamlet.

Pra não dizer que Thor é perfeito, o filme até tem algumas falhas, principalmente na passagem do segundo para o terceiro ato. O roteiro se apressa um pouco pra chegar no clímax e causa um certo incômodo, mas não o bastante para gerar desinteresse.

No quesito "Universo Marvel", Thor segue a linha de Homem de Ferro 2, com várias referências e participações especiais. A mais interessante é a de Jeremy Renner como o Agente Barton da SHIELD ou Gavião Arqueiro, para os fãs. Como ele estará em Vingadores, foi uma boa sacada apresentá-lo agora, embora o espectador comum dificilmente se lembrará dessa aparição no ano que vem. O "mimo" vai mais para o fã, ávido por esse tipo de coisa. Quem também volta é o Agente Coulson (Clark Gregg), que serve como ponte entre os filmes da editora.

O longa do Deus do Trovão também traz uma novidade ao mundo concebido por Homem de Ferro e Hulk. Antes com histórias voltadas para a ciência, agora existe o fator magia nas produções, o que abre um leque muito maior de possibilidades para o que virá a seguir, colocando os heróis em um cenário muito mais próximo aos quadrinhos, sem aquele compromisso apenas com o realismo, mas também com a fantasia.

A Marvel finalmente aprendeu que um bom filme baseado em seus personagens é fruto de um trabalho conjunto que envolve sua aprovação e controle do material, bem como as qualidades técnicas do cineasta que comandará a produção. Thor é um bom exemplo disso. Aliás, bom o suficiente para tirar qualquer dúvida que paira sobre as futuras adaptações de Capitão América e Vingadores. Quem acertou tanto até agora não deve errar tão cedo.

Importante: Quando for assistir Thor não levante da cadeira até o término dos créditos. Há uma cena depois, como já virou rotina nos filmes da Marvel, que é um gancho importantíssimo para Vingadores e até mesmo para o Capitão América. Se o cinema parar a projeção durante os créditos, reclame e peça para que a cena seja exibida. Ela faz parte do filme e da trama e o ingresso que você pagou se refere à duração total do longa. Então, além de ser parte fundamental da obra, reclamar fará valer seu direito de consumidor.
Continua...
 
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