O filme estreia em 3 de junho.

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Se uma das características do noir é analisar e adentrar a personalidade obscura do ser humano, Laura, dirigido por Otto Preminger inova, pois não apenas usa essa marca do gênero na história, mas também em sua montagem, que privilegia o suspense psicológico, fundamental para o desenvolvimento da trama.
O filme, de 1944, começa evocando o assassinato de uma publicitária, Laura Hunt (Gene Tierney). Na investigação, um triângulo amoroso é revelado. Waldo Lydecker (Cliffton Webb, sensacional do papel), um jornalista, era amigo da moça, noiva de Shelby Carpenter (Vincent Price). Mas, ele sentia mais do que amizade por ela, e por isso resolve ajudar na investigação, que aponta o noivo como o criminoso. Porém, na metade do filme, uma reviravolta no melhor estilo Um Corpo Que Cai muda a história, e o detetive encarregado de desvendar o crime (Dana Andrews) desenvolve um plano mirabolante para prender o verdadeiro culpado.
Ninguém na história é santo. Claro, é um filme noir. O que justifica as ações perigosas do detetive, as motivações de Waldo e a natureza um tanto dúbia de Laura. A interpretação de Cliffton Webb como o cínico jornalista causa risos do espectador atento a seu humor negro e um certo desconforto àqueles que percebem os preconceitos, as manias e a maneira ranzinza do personagem. Por várias vezes, ele zomba de Shelby pelo rapaz não vir de “berço de ouro”. Para Waldo, só isso já justificaria o crime. Um golpe para ficar com o dinheiro de Laura. A publicitária, por outro lado, hora é a santa, hora, a devassa. Aos olhos de Waldo essas duas personalidades são reveladas como delírios de sua mente perturbada.
Voltando à montagem, Otto Preminger opta por jogar o espectador de sopetão na trama. Somos introduzidos ao assassinato de Laura logo no início, sem nem mesmo sabermos de quem os personagens estão falando. Porém, se por um lado a história começa com esse impulso, seu desenvolvimento mostra o que se tornaria marca de Preminger. A linguagem do filme é de uma elegância extraordinária. Os movimentos de câmera, as passagens de cena. Tudo é ritmado, dando um tom primoroso à obra.
Os méritos devem ser atribuidos também ao diretor de fotografia, Joseph LaShelle, vencedor do Oscar por seu trabalho neste filme. Além disso, o tema central composto por David Ruskin, ao mesmo tempo cria expectativas e imerge o espectador na trama.
Produção conturbada
Quem assiste um filme tão bem acabado como Laura, não imagina os problemas enfrentados pelo estúdio para a sua realização. Logo na escolha do elenco, quando Cliffton Webb fora anunciado, críticos destilaram seu veneno. Tudo porque o ator era homossexual assumido. Na época isso era considerado absurdo para os padrões Hollywoodianos. Diziam que Webb “desmunhecava” demais. Porém, sua interpretação se comprovou tão competente, com toda a ironia que o ator colocou no personagem, que se impôs a partir daí, sendo respeitado por suas habilidades de interpretação, que nada tinham a ver com sua opção sexual.
Outro tormento foi a demissão do diretor original do longa. O filme começou a ser filmado por Rouben Mamoulian, porém quando o produtor Daryl Zanuck viu os primeiros copiões, tratou de dispensar o cineasta, colocando em seu lugar o austríaco Otto Preminger, que havia trabalhado numa das inúmeras versões do roteiro de Laura, uma adaptação do livro de Vera Caspary.
Talvez todos esses problemas vieram apenas para fortificar o filme. O resultado final é um clássico do cinema, reverenciado mesmo depois de mais de 60 anos de idade. Laura é um filme dotado de interpretações incríveis, estilo elegante e tem a marca do gênero noir impressa em cada detalhe. Em cada sombra de sua fotografia e em cada parte de seu quebra-cabeças psicológico.








Não é segredo que o cenário fonográfico está repleto de referências à épocas mais produtivas da música. A maior parte dos novos artistas só estão fazendo o que já foi feito de 20 anos pra trás (só que com mais vícios de produção). E quando as bandas daquela época resolvem voltar? #comofaz?
São duas vias, geralmente: ou se renovam pra tentar adaptar o som às modinhas recentes ou têm coragem para continuar fazendo exatamente a mesma coisa de antes. Essa última só funciona com bandas que conseguiram acumular vários sucessos ao longo de suas carreiras. No caso do retorno do Cars, infelizmente, não deu muito certo.
O álbum Move Like This é o primeiro da banda desde 1987. De lá pra cá, entre reuniões pra algumas turnês e a morte do vocalista original, Benjamin Orr, o grupo nunca conseguiu se destacar como nos anos oitenta, onde podem ser lembrados pela baladinha Drive. O novo trabalho, apesar de ter potencial pra agradar os fãs, provavelmente não vai chamar muita atenção do público atual. Principalmente por não ter nenhuma faixa memorável quanto seus hits de mais de 20 anos.
O que incomoda em Move Like This é o exagero no som new wave, já que o Cars teve bons momentos no passado, unindo os tecladinhos daquele estilo com uma levada rockabilly. Isso faz a banda soar mais como uma caricatura do que como autêntica. Pesa contra essa reunião também, o fato de Ric Ocasek, que assumiu os vocais, não ter uma voz tão agradável quanto a de Orr.
Os destaques do álbum ficam pras músicas Too Late, Sad Song e Drag on Forever, que conseguem fugir um pouquinho do new wave exagerado das outras faixas. Não que seja ruim ouvir uma banda que se mantém fiel às suas origens. Mas é que depois de 24 anos, era de se esperar algo que justificasse um retorno. Afinal, pra ouvir exatamente a mesma coisa, compensa mais investir numa coletânea.
Veja a seguir o clipe de Blue Tip, primeiro single de Move Like This.
De acordo com Peter Parker no primeiro filme do Homem-Aranha, "toda história que mereça ser contada acontece por causa de uma garota". É mais ou menos partindo dessa premissa que Os Agentes do Destino adapta, com muita liberdade criativa, um conto meio obscuro de Philip K. Dick. Dirigido por George Nolfi, o longa chama atenção por sua união de Ficção Científica e Romance, não necessariamente nessa ordem, e funciona também (quando não parte pro didatismo) ao discutir uma das questões mais polêmicas da existência humana: o livre arbítrio, ou a ilusão dele. Mesmo de forma fácil de ser digerida, Os Agentes... não perde tempo em jogar no espectador algumas boas perguntas que envolvem religião e filosofia.